Lesão

Luxação no Punho: Sintomas, Causas, Tratamento e Recuperação

Saiba identificar a luxação no punho, seus sinais de alerta, formas de diagnóstico, opções de tratamento e cuidados durante a recuperação.

Uma queda com a mão apoiada no chão, uma colisão ou um impacto forte durante a prática esportiva pode machucar diferentes estruturas do punho.

Em alguns traumas, os ossos do carpo perdem o alinhamento normal, caracterizando uma luxação.

A luxação no punho pode provocar dor intensa, inchaço e dificuldade importante para movimentar a mão.

Em certos casos, a deformidade chama atenção logo após o acidente. Em outros, o aspecto externo não mostra com clareza a extensão da lesão.

Reconhecer os sinais e procurar avaliação sem demora é importante, já que algumas luxações podem vir acompanhadas de fraturas, ruptura de ligamentos e compressão de estruturas nervosas.

O que é luxação no punho?

O punho é formado pela extremidade do rádio e da ulna e por oito pequenos ossos chamados ossos do carpo. Eles trabalham em conjunto para permitir movimentos de flexão, extensão e rotação da mão.

Uma luxação ocorre quando parte dessas estruturas perde sua posição habitual após um trauma.

Entre os padrões encontrados estão a luxação perilunar e a luxação do semilunar. Também existem fraturas-luxações, nas quais o deslocamento acontece junto com a quebra de algum osso.

Isso ajuda a entender por que expressões populares como “punho fora do lugar” ou “pulso deslocado” não determinam sozinhas qual estrutura foi atingida.

O que pode causar o deslocamento?

Traumas capazes de transmitir bastante força para a mão estão entre os mecanismos mais comuns. A situação clássica é a queda com a palma apoiada no chão e o punho forçado para trás.

A lesão também pode aparecer em:

  • Acidentes de carro ou motocicleta;
  • Quedas de bicicleta;
  • Quedas de altura;
  • Esportes de contato;
  • Atividades com risco de impacto;
  • Acidentes de trabalho;
  • Traumas acompanhados de torção intensa.

Um mecanismo parecido pode provocar uma entorse de punho sem que exista luxação.

A intensidade da dor ou a forma como a queda aconteceu não bastam para diferenciar essas lesões. O exame físico e os exames de imagem têm papel importante nessa investigação.

Sintomas da luxação

O desconforto geralmente começa logo depois do trauma. Dependendo da extensão da lesão, até pequenos movimentos podem se tornar difíceis.

Os sintomas possíveis são:

  • Dor intensa;
  • Inchaço rápido;
  • Hematoma;
  • Deformidade;
  • Perda de movimento;
  • Dificuldade para segurar objetos;
  • Sensação de travamento;
  • Redução da força;
  • Dormência ou formigamento.

Alterações de sensibilidade precisam receber atenção. Dependendo do tipo de deslocamento, estruturas nervosas da região podem sofrer compressão.

A mão também deve ser observada quanto à temperatura e à coloração dos dedos, principalmente quando existe deformidade importante.

Luxação ou fratura no punho?

Depois de um acidente, fratura, entorse e luxação podem causar sintomas bastante parecidos.

A entorse atinge principalmente os ligamentos. A fratura envolve a quebra de um osso. Já a luxação corresponde à perda do alinhamento normal entre estruturas articulares.

As lesões não são excludentes. É possível apresentar deslocamento associado a uma fratura e, ao mesmo tempo, sofrer ruptura de ligamentos do carpo.

A fratura do escafoide, por exemplo, pode ocorrer após queda com apoio da mão e nem sempre provoca deformidade evidente.

Outro problema traumático que pode comprometer a estabilidade é a lesão do ligamento escafolunar, estrutura que participa do movimento coordenado entre os ossos do punho.

Como é feito o diagnóstico?

O médico procura entender como o acidente aconteceu, em qual posição estava a mão e onde a dor ficou concentrada.

Durante o exame, podem ser avaliados:

  • Alinhamento do punho;
  • Edema e hematomas;
  • Locais mais dolorosos;
  • Movimentação dos dedos;
  • Sensibilidade da mão;
  • Força;
  • Circulação dos dedos.

A radiografia é um dos primeiros exames utilizados para estudar o alinhamento dos ossos e procurar fraturas associadas.

Lesões complexas podem exigir tomografia computadorizada para avaliar melhor pequenos fragmentos, superfícies articulares e relações entre os ossos do carpo.

Uma revisão científica sobre biomecânica, imagem e classificação das lesões perilunares discute a importância da avaliação radiográfica e dos exames seccionais no reconhecimento desses traumas.

Quando o caso exige investigação de diferentes estruturas, buscar um centro de ortopedia com cuidado integrado do paciente permite concentrar avaliação clínica, exames e acompanhamento dentro de uma linha de cuidado organizada.

O punho precisa ser colocado no lugar rapidamente?

Uma luxação verdadeira não deve ser manipulada por pessoas sem treinamento.

Puxar a mão, torcer o punho ou tentar “encaixar” a articulação pode piorar uma fratura ou aumentar danos em ligamentos, nervos e vasos.

No ambiente médico, quando indicada, a redução busca recuperar o alinhamento dos ossos. Dependendo do quadro, podem ser utilizados analgesia, sedação e controle por exames de imagem.

Depois do reposicionamento, o punho pode ser imobilizado e novas radiografias ajudam a conferir o alinhamento.

A melhora visual após uma redução não significa necessariamente que a lesão esteja resolvida. Algumas luxações permanecem instáveis porque os ligamentos responsáveis por sustentar o carpo foram rompidos.

Quando a cirurgia é indicada?

A necessidade de cirurgia depende do padrão do trauma, da estabilidade obtida após a redução e da existência de fraturas ou lesões ligamentares.

Luxações perilunares e do semilunar são lesões complexas e frequentemente exigem estabilização cirúrgica.

O procedimento pode envolver:

  1. Restauração do alinhamento.
  2. Estabilização dos ossos.
  3. Tratamento de fraturas associadas.
  4. Reparo ou reconstrução ligamentar.
  5. Proteção das estruturas lesionadas durante a cicatrização.

Um estudo sobre tempo de tratamento e opções terapêuticas nas lesões perilunares encontrou melhores resultados clínicos nos pacientes tratados na fase aguda, especialmente dentro dos primeiros dias após o trauma.

Em algumas situações, a artroscopia de punho pode auxiliar na avaliação ou no tratamento de estruturas intra-articulares. Sua indicação depende das características encontradas em cada caso.

Como funciona a recuperação?

O tempo necessário para recuperar o punho não é igual para todas as pessoas.

Uma fratura-luxação com ruptura ligamentar extensa exige uma recuperação diferente de uma lesão com menor comprometimento estrutural.

Nas primeiras semanas podem fazer parte dos cuidados:

  • Proteção do punho;
  • Controle do edema;
  • Movimentação dos dedos quando liberada;
  • Acompanhamento por exames;
  • Cuidado com a cicatriz em pacientes operados;
  • Progressão gradual das atividades.

Depois da fase inicial de cicatrização, exercícios específicos podem ser introduzidos para trabalhar mobilidade, força e função.

Tarefas simples, como abrir uma tampa, apoiar a mão ou carregar uma sacola, exigem coordenação entre diversos ossos, músculos e ligamentos. A recuperação deve acompanhar essa exigência funcional.

Quando voltar ao trabalho ou esporte?

Não existe um número de semanas que sirva para todos.

O retorno depende da estabilidade do punho, cicatrização das estruturas lesionadas, amplitude de movimento, força recuperada e atividade realizada pela pessoa.

Quem trabalha diante do computador enfrenta demandas bem diferentes de quem utiliza ferramentas pesadas ou pratica esporte com apoio das mãos.

A liberação precoce para esforços pode aumentar dor e sobrecarregar estruturas ainda em recuperação.

Luxação pode deixar sequelas?

Lesões graves do carpo podem apresentar consequências mesmo depois do tratamento.

Entre os problemas possíveis, destacamos:

  • Rigidez;
  • Diminuição da força de preensão;
  • Dor aos esforços;
  • Instabilidade do punho;
  • Redução da amplitude de movimento;
  • Compressões nervosas;
  • Desgaste articular pós-traumático.

O risco varia conforme a extensão da lesão, presença de fraturas e tempo até o tratamento. Por esse motivo, o acompanhamento não deve terminar apenas porque o inchaço diminuiu ou a dor ficou mais suportável.

Sinais que pedem atendimento rápido

Um trauma acompanhado de deformidade visível deve ser avaliado rapidamente.

Também merecem atenção:

  • Incapacidade de movimentar o punho;
  • Dor muito intensa;
  • Inchaço acentuado;
  • Dormência nos dedos;
  • Mão fria;
  • Dedos pálidos ou arroxeados;
  • Ferimento aberto;
  • Perda importante de sensibilidade;
  • Piora progressiva dos sintomas.

Quando existe suspeita de comprometimento dos ossos, ligamentos ou nervos da região, a avaliação de um ortopedista especialista em lesões na mão ajuda a identificar o padrão do trauma e definir a estratégia de tratamento.

Perguntas frequentes

Luxação no punho pode voltar para o lugar sozinha?

O alinhamento pode mudar depois do trauma, mas isso não significa que a articulação esteja normal. Podem permanecer lesões ligamentares, fraturas e instabilidade. A avaliação médica continua necessária.

Toda luxação no punho precisa de cirurgia?

Não. A indicação depende do tipo de deslocamento e das estruturas comprometidas. Lesões perilunares e do semilunar frequentemente precisam de estabilização cirúrgica.

Quanto tempo demora para melhorar?

O período de recuperação varia conforme a gravidade, presença de fraturas, necessidade de cirurgia e resposta à reabilitação. Casos complexos podem levar meses até a recuperação funcional.

Conseguir mexer os dedos descarta uma luxação?

Não. Movimentar os dedos não exclui fratura, luxação ou ruptura ligamentar no punho.

Luxação no punho pode causar formigamento?

Pode. Dependendo da posição dos ossos e do edema, estruturas nervosas podem sofrer compressão, provocando dormência, formigamento ou alterações da sensibilidade.

Dr. Henrique Bufaiçal

Especialista em cirurgia da mão em Goiânia, CRM/GO 11627 e RQE 7921. Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e com fellowship em Cirurgia da Mão e Microcirurgia pelo Institut Européen de la Main (França/Luxemburgo).

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