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Lesão da Raiz Posterior do Menisco Medial: Como Tratar

Entenda a lesão da raiz posterior do menisco medial, como ela afeta o joelho, quais exames ajudam e quais são as opções de tratamento.

A lesão da raiz posterior do menisco medial pode surgir sem uma queda ou torção marcante. Em muitos casos, a dor aparece depois de um agachamento, ao levantar de uma posição baixa ou durante uma atividade comum.

O problema merece atenção porque a raiz ajuda a manter o menisco preso à tíbia.

Quando essa fixação é perdida, o tecido pode deixar de distribuir as cargas de maneira eficiente, aumentando a pressão sobre a cartilagem do lado interno do joelho.

O que é a lesão da raiz posterior do menisco medial?

O menisco medial não fica solto dentro do joelho. Uma de suas extremidades se prende à tíbia por uma pequena área conhecida como raiz posterior, que é a região em que o menisco medial se prende à tíbia e consegue suportar as forças geradas durante o apoio da perna.

Na lesão da raiz posterior do menisco medial, essa área sofre uma ruptura que interfere na forma como o menisco trabalha dentro do joelho, mesmo quando o dano está restrito a poucos milímetros próximos de sua inserção.

O problema está no que acontece depois. Sem uma fixação eficiente, o menisco pode começar a se deslocar para fora da área onde deveria atuar. Com isso, sua participação no amortecimento e na distribuição do peso diminui.

Em alguns pacientes, essa alteração aparece junto da chamada extrusão meniscal, percebida nos exames de imagem.

Esse achado ajuda a entender por que uma ruptura relativamente pequena em tamanho pode ter repercussões importantes para o funcionamento do joelho.

Por que essa lesão pode acelerar o desgaste do joelho?

Um menisco íntegro amplia a área de contato entre os ossos e ajuda a evitar concentração excessiva de pressão em um ponto da cartilagem.

Com a raiz rompida, essa função pode ficar bastante reduzida. Estudos biomecânicos mostram que determinadas rupturas completas de raiz alteram o funcionamento do joelho de maneira comparável à perda funcional de grande parte do menisco.

Isso ajuda a explicar por que alguns pacientes desenvolvem progressão mais rápida da osteoartrite no compartimento medial.

A evolução varia. Alinhamento das pernas, peso corporal, condição da cartilagem, idade, nível de atividade e grau de extrusão interferem no comportamento do quadro.

Como essa ruptura acontece?

Nem sempre há um acidente evidente. Em adultos de meia-idade e idosos, muitas lesões aparecem em meniscos que já apresentam alterações degenerativas.

É comum o relato de um estalo ou dor súbita ao agachar, ajoelhar, subir um degrau ou levantar de uma cadeira. Há pessoas que não percebem nenhum episódio específico e procuram atendimento apenas porque a dor no joelho na parte interna começou a persistir.

Lesões traumáticas também podem ocorrer, principalmente em pacientes mais jovens, após movimentos de torção ou impactos.

Sintomas da lesão

Os sintomas não seguem um padrão único. Travamento e inchaço intenso, por exemplo, podem não aparecer.

Entre as queixas possíveis, destacamos:

  • Dor na parte interna do joelho;
  • Desconforto posterior;
  • Piora ao agachar ou levantar;
  • Dor ao subir e descer escadas;
  • Estalo no momento da ruptura;
  • Dificuldade para caminhar por mais tempo;
  • Inchaço em alguns episódios;
  • Insegurança para apoiar a perna.

A ausência de bloqueio articular não exclui o diagnóstico. Muitas lesões de raiz se manifestam principalmente por dor e limitação funcional.

Como o diagnóstico é feito?

A investigação começa pela história clínica. O médico procura saber como a dor começou, quais movimentos provocam piora, se houve estalo, trauma, inchaço e mudança na capacidade de caminhar.

No exame físico, são avaliados pontos dolorosos, mobilidade, estabilidade, alinhamento e resposta a testes meniscais. Radiografias com carga ajudam a mostrar artrose no joelho e alterações do eixo da perna.

O que a ressonância magnética pode mostrar?

A ressonância magnética é o principal exame de imagem para investigar a lesão da raiz posterior do menisco medial. A análise precisa considerar cortes em diferentes planos, pois algumas rupturas são discretas.

Entre os achados descritos estão a interrupção das fibras próximas à inserção, o chamado sinal do fantasma e a extrusão do menisco medial.

A extrusão sugere perda da posição habitual do menisco. O laudo não define o tratamento sozinho: sintomas, cartilagem, alinhamento e nível de atividade também entram na avaliação.

Toda lesão da raiz precisa de cirurgia?

Não. A presença da ruptura na ressonância não significa que todos os pacientes devam operar.

O tratamento sem cirurgia pode ser considerado em quadros específicos, principalmente quando existe artrose avançada, baixa demanda funcional ou condições que diminuem o benefício esperado de um reparo.

A abordagem pode incluir fisioterapia, fortalecimento muscular, ajuste de atividades, redução de sobrecarga e controle da dor. Em pacientes com excesso de peso, emagrecer pode contribuir para diminuir a carga sobre o joelho.

Medicamentos podem ser usados em situações selecionadas, levando em conta idade, doenças associadas, outros remédios em uso e risco de efeitos adversos.

Quando o reparo da raiz pode ser indicado?

A cirurgia é discutida quando o menisco ainda tem possibilidade de preservação e o joelho apresenta condições favoráveis para o reparo.

A decisão considera:

  • Intensidade e duração dos sintomas;
  • Grau de artrose;
  • Estado da cartilagem;
  • Alinhamento do membro;
  • Extrusão meniscal;
  • Idade biológica e nível de atividade;
  • Capacidade de seguir a reabilitação.

Nesse cenário, a avaliação de um ortopedista especialista em joelho com atuação em tratamentos conservadores e cirúrgicos permite comparar caminhos terapêuticos considerando o quadro completo, e não apenas uma imagem da ressonância.

Como é feita a cirurgia da raiz do menisco?

Uma técnica bastante utilizada é o reparo artroscópico da raiz com suturas e fixação próxima ao ponto anatômico de inserção na tíbia.

No reparo transtibial, pequenos túneis ósseos são preparados para conduzir os fios e reposicionar a raiz. Existem variações dessa técnica e também métodos com âncoras, escolhidos conforme a lesão e o planejamento cirúrgico.

O objetivo é recuperar a fixação do menisco para que ele volte a participar da distribuição de cargas.

Quando há varo importante, o alinhamento também pode entrar no planejamento. Manter sobrecarga excessiva no compartimento medial pode prejudicar o ambiente biomecânico necessário para a recuperação.

Como é a recuperação depois do reparo?

A reabilitação exige mais proteção do que procedimentos meniscais simples, pois a raiz precisa cicatrizar junto ao osso, e cargas elevadas nas primeiras fases podem aumentar a tensão sobre o reparo.

Durante as semanas iniciais, pode haver restrição parcial ou total do apoio e limite de flexão do joelho. O protocolo muda conforme a técnica utilizada, as lesões associadas e a orientação da equipe.

A fisioterapia progride de mobilidade e ativação muscular para força, equilíbrio, controle do movimento e retorno às atividades.

Corrida, saltos, agachamentos profundos e esportes com mudança de direção ficam para etapas posteriores. O retorno depende da evolução clínica e funcional, não apenas do número de semanas após a cirurgia.

O que pode acontecer sem tratamento adequado?

Nem toda ruptura progride da mesma forma.

Alguns pacientes apresentam sintomas discretos por longos períodos, enquanto outros desenvolvem dor persistente, aumento da extrusão meniscal e desgaste articular progressivo.

Dor interna no joelho que surge de maneira inesperada e continua limitando caminhadas, escadas ou agachamentos merece investigação.

Quanto mais cedo for possível entender o estado da cartilagem, o alinhamento e o tipo de ruptura, melhor será a base para decidir o tratamento.

Quando procurar um especialista?

Vale buscar avaliação quando a dor persiste, interfere no apoio da perna, piora ao agachar ou surge acompanhada de estalo e perda funcional.

A consulta também é indicada quando o desconforto aparece sem trauma claro e não melhora como esperado. Identificar a lesão antes de uma degeneração articular mais avançada amplia as possibilidades de discussão terapêutica.

Perguntas frequentes

Lesão da raiz posterior do menisco medial é grave?

Pode ser uma lesão importante porque compromete a forma como o menisco distribui as cargas. A gravidade depende do padrão da ruptura, da cartilagem, da extrusão, do alinhamento e dos sintomas.

A lesão da raiz posterior do menisco medial cicatriza sozinha?

Rupturas completas próximas à inserção têm pouca chance de recuperar espontaneamente a função original da raiz. Lesões parciais e quadros pouco sintomáticos podem receber condutas diferentes após avaliação.

Quem tem lesão da raiz do menisco pode caminhar?

Muitos pacientes conseguem caminhar, mas a tolerância varia. Dor forte, mancar ou piora após o apoio indicam necessidade de ajustar a carga e procurar avaliação. Depois da cirurgia, o apoio segue restrições específicas.

Qual exame mostra a lesão?

A ressonância magnética é o exame de imagem mais utilizado para identificar a ruptura e observar extrusão, cartilagem e outras estruturas. Radiografias com carga complementam a análise do desgaste e do alinhamento.

Quanto tempo leva a recuperação da cirurgia?

A recuperação leva vários meses e avança por etapas. O retorno a atividades de impacto depende de cicatrização, força, mobilidade e controle do movimento, além do protocolo definido para cada caso.

Dr. Ulbiramar Correia

Especialista em ortopedia de joelho, CRM/GO 11552, SBOT 12166 e RQE 7240. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ), Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma Esportivo (SBRATE) e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Atende como ortopedista de joelho no COE em Goiânia.

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