Mãos

Lesão do ligamento escafolunar: sintomas e tratamento

Conheça as causas e como tratar a lesão do ligamento escafolunar.

A lesão do ligamento escafolunar acontece quando o ligamento que liga dois ossos centrais do punho (escafoide e semilunar) sofre estiramento ou ruptura.

Isso pode gerar dor, estalidos e sensação de instabilidade (punho frouxo).

Quando não é reconhecida e tratada no tempo certo, pode evoluir para desgaste (artrose) e perda de função.

O que é o ligamento escafolunar e por que ele importa

O ligamento escafolunar funciona como um cinto de estabilidade do punho. Ele ajuda os ossos a se moverem de forma coordenada.

Quando falha, o movimento fica desalinhado, o que aumenta a sobrecarga na articulação.

Ponto-chave: o problema não é só a dor, é o risco de o punho perder o alinhamento e, com o tempo, desgastar a cartilagem. Em muitos casos, isso se manifesta como instabilidade escafolunar.

Como essa lesão acontece

O mecanismo mais comum é a queda com apoio da mão no chão. Mas também pode surgir por:

  • Esportes de impacto;
  • Torções do punho em movimentos rápidos;
  • Treinos com carga elevada, especialmente quando há perda de controle do punho;
  • Microtraumas repetidos (uso intenso e frequente do punho).

Importante: após quedas, além de lesão ligamentar, o médico ortopedista de mão também pode precisar descartar lesões ósseas como fratura do escafoide e fratura do rádio distal.

Sintomas mais comuns

Os sinais podem começar leves e piorar com o tempo. Os mais típicos são:

  • Dor no dorso do punho, principalmente ao apoiar a mão com o punho em extensão (posição de flexão de braço, por exemplo);
  • Estalidos/cliques e sensação de “falha” no punho;
  • Inchaço (às vezes discreto);
  • Queda de força para preensão (segurar e apertar objetos);
  • Desconforto ao dobrar/estender o punho e nos desvios (para o lado do polegar e do dedo mínimo).

Sinais de alerta

Procure avaliação especializada se houver:

  • Dor e inchaço após queda que não melhoram em poucos dias;
  • Estalidos frequentes com sensação de instabilidade;
  • Piora progressiva da força e da função do punho.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é uma combinação de história + exame + imagem.

1) Exame clínico

O especialista avalia pontos de dor no pulso, estabilidade e testes provocativos (por exemplo, testes para identificar subluxação do escafoide).

2) Radiografias

Mesmo que o ligamento não apareça no raio-X, o exame pode mostrar alterações no alinhamento e aumento do espaço entre os ossos.

Em alguns casos, radiografias com posições específicas (como punho cerrado) ajudam a evidenciar a instabilidade.

3) Ressonância magnética

Ajuda a analisar ligamentos e tecidos moles. Em situações selecionadas, pode ser indicada artro-RM (com contraste intra-articular), para melhorar a visualização.

4) Artroscopia do punho

A artroscopia do punho pode ser usada para confirmar a extensão da lesão e, em alguns casos, já permitir tratamento durante o procedimento.

Entendendo a gravidade

De forma simples, a lesão costuma ser descrita como:

  • Parcial ou completa;
  • Recente (aguda) ou antiga (crônica);
  • Estável (sem desalinhamento importante) ou instável (com subluxação/desalinhamento).

Quanto mais instável e quanto maior o tempo desde a lesão, mais complexo tende a ser o tratamento.

Tratamento conservador

Pode ser indicado quando a lesão é parcial, recente e sem sinais claros de instabilidade importante.

Normalmente inclui:

  • Imobilização do punho por um período definido pelo especialista;
  • Controle de dor e inflamação (medicações, quando indicadas);
  • Fisioterapia/terapia da mão, com foco em:
    • recuperar mobilidade sem irritar a articulação;
    • melhorar controle motor;
    • fortalecer antebraço e preensão de forma progressiva.

Em alguns planos, entram exercícios isométricos (contração sem movimento) para músculos que ajudam na estabilidade do punho, sempre com orientação profissional.

Tratamento cirúrgico

Costuma ser considerado quando há:

  • Lesão completa;
  • Subluxação/instabilidade importante;
  • Falha do tratamento conservador;
  • Casos crônicos com perda de alinhamento e/ou sinais de desgaste.

As opções variam conforme o estágio e podem incluir:

  • Reparo direto do ligamento (mais viável em fase aguda, dependendo do caso);
  • Reconstrução ligamentar com enxerto;
  • Fixação temporária para manter os ossos na posição durante a cicatrização;
  • Em casos com artrose instalada, procedimentos específicos.

Reabilitação e retorno às atividades

A recuperação é progressiva e depende do tipo de lesão e do tratamento feito. Em geral, o plano de cuidados do centro de ortopedia envolve:

  • Fase inicial de proteção (imobilização quando indicada);
  • Retomada gradual de amplitude de movimento;
  • Fortalecimento e propriocepção;
  • Treino de preensão e retorno funcional.

O retorno ao esporte e ao trabalho manual acontece aos poucos, guiado por dor, força e estabilidade clínica. Forçar antes do tempo pode atrasar a recuperação.

O que pode acontecer se não tratar

Se a instabilidade persiste, ela pode evoluir para desgaste da cartilagem, com:

  • Dor crônica;
  • Perda de movimento;
  • Redução de força;
  • Piora da função no dia a dia.

O objetivo do tratamento é restaurar o alinhamento e proteger a articulação antes que ocorram danos irreversíveis.

Posso treinar ou fazer musculação com essa lesão?

Depende do estágio e do alinhamento do punho.

Muitos ortopedistas com expertise em lesões de punho destacam que é possível manter atividade com ajustes de carga, técnica e seleção de exercícios, sempre com supervisão do especialista e do terapeuta da mão.

Se houver instabilidade importante, treinar por conta própria pode piorar o quadro.

Perguntas frequentes (FAQs)

Como saber se tenho lesão do ligamento escafolunar?

Dor no dorso do punho após trauma (especialmente queda), estalidos e sensação de instabilidade levantam suspeita. O diagnóstico combina exame clínico e exames de imagem (radiografia, ressonância e, em casos selecionados, artroscopia).

Toda lesão do ligamento escafolunar precisa de cirurgia?

Não. Algumas lesões parciais recentes, sem instabilidade importante, podem responder à imobilização e reabilitação. Lesões completas e instáveis tendem a precisar de abordagem cirúrgica.

Qual é o tempo de recuperação após cirurgia?

Varia conforme técnica, gravidade e tempo de lesão. Em geral, existe uma fase inicial de proteção/imobilização e reabilitação por meses até retorno mais completo às atividades.

O que acontece se a lesão não for tratada?

A instabilidade pode progredir e causar desgaste articular, levando a dor persistente, perda de movimento e queda de força.

Quando devo procurar um especialista em mão?

Se você teve queda/torção e o punho continua doendo, estalando ou perdendo força; ou se os sintomas atrapalham tarefas do dia a dia, vale procurar avaliação, principalmente quando há sensação de instabilidade.

Dr. Henrique Bufaiçal

Especialista em cirurgia da mão em Goiânia, CRM/GO 11627 e RQE 7921. Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e com fellowship em Cirurgia da Mão e Microcirurgia pelo Institut Européen de la Main (França/Luxemburgo).

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