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Fratura do Escafóide: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Saiba as principais causas da fratura do escafóide, sinais de alerta e como tratar.

A fratura do escafoide costuma acontecer após uma queda em que a pessoa apoia a mão no chão para proteger o corpo. A dor aparece principalmente no lado do punho próximo ao polegar e, em alguns casos, pode ser confundida com uma entorse.

O problema é que essa lesão nem sempre provoca deformidade ou inchaço importante. Também existem situações em que o raio X inicial não mostra a fratura, apesar de o exame físico continuar levantando suspeita.

O escafóide tem ainda uma vascularização particular, principalmente na região mais próxima do antebraço. Quando o diagnóstico ou o tratamento atrasam, podem surgir problemas de consolidação, perda de força, rigidez e desgaste do punho.

Se você caiu e continua com dor na base do polegar, sente dificuldade para apoiar a mão ou perdeu força para segurar objetos, vale investigar.

Entenda a seguir quais sintomas observar, como é feito o diagnóstico e quando o tratamento pode envolver imobilização ou cirurgia.

O que é o escafoide e onde fica?

O escafoide é um dos oito pequenos ossos que formam o carpo, conjunto localizado entre a mão e o antebraço. Ele fica no lado do punho próximo ao polegar, logo acima do rádio.

Esse pequeno osso participa de muitos movimentos porque ajuda a conectar as duas fileiras do carpo. Por isso, o osso escafoide da mão tem papel importante tanto na mobilidade quanto na estabilidade do punho.

Ele pode ser dividido, de forma prática, em três regiões:

  • Polo distal, mais próximo do polegar;
  • Cintura do escafoide, localizada na parte central;
  • Polo proximal, mais próximo do antebraço.

A cintura é uma localização frequente da fratura. Já a região proximal merece atenção especial por receber um suprimento sanguíneo mais limitado.

Por que a vascularização do escafoide é importante?

Boa parte do sangue que nutre o escafoide entra pela sua região distal e segue em direção ao polo proximal. Uma fratura pode interromper esse caminho, especialmente quando ocorre perto do antebraço ou apresenta deslocamento.

Isso ajuda a explicar por que algumas lesões demoram mais para consolidar. Também esclarece a relação entre vascularização do escafoide, pseudartrose e osteonecrose.

O que causa uma fratura do escafoide?

O mecanismo clássico é cair com a mão espalmada e o punho estendido para trás. O impacto atravessa a palma e transmite uma carga importante para os ossos do carpo.

Isso pode acontecer em uma queda simples, mas também aparece durante esportes e acidentes de maior energia. Nem sempre a intensidade da dor logo após o trauma revela a gravidade da lesão.

Entre as situações mais comuns estão:

  • Queda da própria altura com apoio da mão;
  • Acidentes durante futebol, ciclismo, skate ou corrida;
  • Esportes de contato e atividades com risco de queda;
  • Acidentes de moto ou automóvel;
  • Quedas de bicicleta ou patinete;
  • Impactos fortes com o punho em hiperextensão.

Uma pessoa pode, portanto, ter um escafoide quebrado mesmo após um acidente aparentemente pequeno. O histórico da queda precisa ser analisado junto com os sintomas e o exame do punho.

Quais são os sintomas?

A dor costuma aparecer no lado radial do punho, região alinhada ao polegar. Em muitas pessoas, ela piora ao agarrar objetos, fazer força, empurrar algo ou sustentar o peso do corpo sobre a mão.

O inchaço pode ser pequeno e os movimentos podem continuar relativamente preservados. Conseguir mexer a mão não descarta uma fratura.

Os sintomas que mais chamam atenção são:

  • Dor na base do polegar;
  • Sensibilidade no lado do punho próximo ao polegar;
  • Dor ao apertar ou pinçar objetos;
  • Desconforto ao apoiar a palma da mão;
  • Inchaço ou hematoma discreto;
  • Redução da força para segurar objetos.

Algumas pessoas procuram por “escafoide trincado” ou “fissura no punho”. Na prática médica, trinca e fissura também representam formas de fratura e precisam ser avaliadas conforme localização, estabilidade e possível deslocamento.

O que é a tabaqueira anatômica?

A tabaqueira anatômica é uma pequena depressão que aparece na base do polegar quando ele é estendido. O escafoide fica logo abaixo dessa região.

Dor localizada nesse ponto depois de uma queda aumenta a suspeita clínica. O médico também examina outras áreas do punho, pois apenas um teste isolado não confirma o diagnóstico.

A dor pode melhorar mesmo com o osso fraturado?

Pode. Em algumas fraturas, a dor diminui depois dos primeiros dias, o que leva a pessoa a acreditar que sofreu apenas uma contusão ou uma torção leve.

Essa melhora não significa necessariamente que o escafoide consolidou. Quando a dor retorna ao apoiar a mão, carregar peso ou praticar exercícios, a lesão ainda precisa ser investigada.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela história do trauma. O ortopedista especialista em patologias da mão pergunta como ocorreu a queda, onde a dor apareceu e quais movimentos ficaram difíceis desde o acidente.

Depois vem o exame físico, com palpação de pontos específicos e avaliação da mobilidade. Também podem ser testadas a força de preensão, a compressão do polegar e outras manobras que aumentam a suspeita de lesão do escafoide.

Os exames de imagem entram para confirmar a fratura, analisar seu padrão e orientar a conduta.

Raio X do escafoide: por que a fratura pode não aparecer?

A radiografia do punho é um dos primeiros exames realizados. Incidências específicas podem ajudar a visualizar melhor a cintura, o polo distal e outras partes do escafoide.

O cuidado está na fratura oculta. Uma radiografia normal logo após a queda não elimina completamente a possibilidade de fratura, principalmente quando existem dor e sensibilidade típicas.

Quando a suspeita continua alta, o médico pode manter a imobilização enquanto complementa a investigação. Dependendo do caso, ressonância magnética, tomografia ou uma nova radiografia podem ser consideradas.

  • A ressonância consegue detectar algumas fraturas que ainda não aparecem claramente na radiografia. Ela também mostra alterações da medula óssea e estruturas de partes moles do punho.
  • A tomografia computadorizada fornece imagens detalhadas da estrutura óssea. Ela ajuda a avaliar o traço da fratura, deslocamento dos fragmentos, alinhamento e características importantes para o planejamento do tratamento.

Também pode ser utilizada no acompanhamento para avaliar a consolidação. Em pacientes operados, o exame pode ajudar a analisar a posição do parafuso e a união entre os fragmentos.

O que fazer quando há suspeita de fratura?

Uma dor localizada depois de uma queda não deve ser testada repetidamente com exercícios, flexões ou apoio do peso do corpo. Enquanto a lesão não é esclarecida, proteger o punho é mais seguro.

A conduta inicial pode incluir uma tala ou outro método de proteção definido no atendimento. É importante evitar improvisações muito apertadas, principalmente quando existe inchaço.

Até a avaliação, alguns cuidados são úteis:

  • Evite apoiar peso sobre a mão;
  • Suspenda musculação e esportes de impacto;
  • Mantenha o punho protegido;
  • Retire anéis se houver aumento do inchaço;
  • Mantenha os dedos em movimentos leves, se tolerados;
  • Procure avaliação ortopédica se a dor persistir.

Medicamentos para dor precisam considerar alergias, doenças prévias e outros remédios em uso. Pessoas com doença renal, problemas gástricos, uso de anticoagulantes ou outras condições devem evitar automedicação prolongada.

Como é o tratamento?

Não existe um tratamento único para todas as fraturas. A decisão considera localização, desvio, estabilidade, tempo desde o trauma, condição do osso e necessidades funcionais do paciente.

Por isso, é importante consultar uma equipe de ortopedistas especializados para definir a melhor conduta, pois uma fratura estável do polo distal pode ter um caminho bem diferente de uma lesão proximal deslocada.

As duas opções principais são tratamento conservador e tratamento cirúrgico.

Quando a imobilização pode ser suficiente?

Fraturas estáveis e sem deslocamento podem ser tratadas sem cirurgia em muitos pacientes. As lesões mais distais têm condições de vascularização mais favoráveis.

O tratamento conservador envolve imobilização do punho com gesso, tala ou órtese conforme o padrão da fratura. O acompanhamento por imagem mostra se o osso está mantendo a posição e avançando na consolidação.

Quanto tempo usar gesso ou imobilização?

O tempo não é igual para todas as pessoas. Algumas fraturas evoluem bem em cerca de 6 a 8 semanas, enquanto outras precisam de 8 a 12 semanas ou de proteção ainda mais prolongada.

Fraturas da cintura e do polo proximal podem consolidar mais lentamente. A decisão de retirar o gesso ou liberar atividades não deve ser baseada apenas na redução da dor.

Durante a imobilização, o acompanhamento também serve para observar pele, inchaço, mobilidade dos dedos e adaptação ao gesso. Formigamento persistente, mudança de cor dos dedos ou aperto excessivo precisam ser avaliados.

Quando é indicada a cirurgia do escafoide?

A cirurgia ganha importância quando a fratura apresenta características que aumentam o risco de instabilidade ou dificuldade de consolidação. Deslocamento dos fragmentos e localização proximal são exemplos que pesam nessa decisão.

Também podem existir lesões ligamentares, luxações do carpo ou fraturas associadas. Nesses cenários, o planejamento precisa considerar o punho como um conjunto.

A cirurgia pode ser discutida em situações como:

  • Fratura deslocada;
  • Instabilidade entre os fragmentos;
  • Algumas fraturas do polo proximal;
  • Lesões associadas importantes;
  • Falha de consolidação;
  • Pseudartrose do escafoide.

Fraturas estáveis e pouco deslocadas não precisam ser operadas automaticamente. O benefício esperado da cirurgia deve ser comparado aos riscos e às características individuais do paciente.

Como é a cirurgia e para que serve o parafuso?

Uma técnica frequente envolve realinhar os fragmentos e fixá-los com um parafuso de compressão colocado dentro do escafoide. O objetivo é dar estabilidade ao osso enquanto ocorre a cicatrização.

Dependendo do padrão da fratura, podem ser usados outros métodos de fixação. Algumas cirurgias são feitas por pequenas incisões, enquanto casos mais complexos exigem uma exposição maior.

A artroscopia do punho também pode ser usada em situações selecionadas. Ela permite observar a articulação e pode auxiliar na avaliação de lesões associadas.

O parafuso precisa ser retirado depois?

Nem sempre. Muitos implantes ficam dentro do osso sem necessidade de uma segunda cirurgia apenas para remoção.

A retirada pode ser considerada quando existe algum problema relacionado ao material ou outra indicação específica. Essa decisão depende dos sintomas, dos exames e da posição do implante.

Quanto tempo demora a recuperação?

A pergunta sobre tempo de recuperação de fratura do escafoide é comum, mas não existe uma resposta única. O período depende da localização da fratura, do tratamento escolhido e de como o osso responde nas semanas seguintes.

Alguns pacientes recuperam atividades leves antes de estarem liberados para carga, trabalho pesado ou esporte. Melhora da dor não significa necessariamente consolidação completa.

A recuperação costuma passar por etapas:

  1. Proteção da fratura e controle da dor.
  2. Acompanhamento da consolidação óssea.
  3. Recuperação gradual dos movimentos.
  4. Fortalecimento de mão, punho e antebraço.
  5. Retorno progressivo às tarefas do cotidiano.
  6. Retomada de esporte ou carga após liberação.

Em situações que exigem vários profissionais e etapas de reabilitação, um centro ortopédico com abordagem completa para dor e mobilidade pode facilitar a integração entre avaliação médica, exames e recuperação funcional.

Quando começar fisioterapia?

O momento da fisioterapia depende da estabilidade e da evolução da fratura. Exercícios feitos cedo demais podem colocar carga sobre um osso que ainda não consolidou.

Por outro lado, períodos longos de proteção podem causar rigidez e redução de força. O desafio é recuperar o movimento sem ultrapassar o que a consolidação permite naquele momento.

A reabilitação pode trabalhar mobilidade, força de preensão, coordenação e tarefas funcionais. O programa precisa ser ajustado de acordo com exames, dor e exigências do dia a dia.

Quando voltar ao trabalho ou ao esporte?

A liberação depende do tipo de atividade. Trabalhar em computador exige bem menos do escafoide do que carregar peso, usar ferramentas, dirigir máquinas ou sustentar o corpo com as mãos.

Nos esportes, também muda bastante. Atividades com contato, quedas ou apoio intenso do punho normalmente exigem uma consolidação mais segura antes do retorno.

Voltar cedo demais pode transformar uma recuperação que estava indo bem em um problema mais longo. A progressão precisa acompanhar a cicatrização do osso, não apenas a vontade de retomar a rotina.

Quais sequelas a fratura do escafoide pode causar?

A maior preocupação é a falta de união adequada entre os fragmentos. Quando essa situação persiste, pode surgir a chamada pseudartrose ou não consolidação do escafoide.

Outro problema possível é a osteonecrose, também chamada necrose avascular. Ela acontece quando uma parte do osso perde suprimento sanguíneo suficiente para manter sua vitalidade.

As principais complicações são:

  • Atraso de consolidação;
  • Pseudartrose;
  • Osteonecrose do escafoide;
  • Rigidez do punho;
  • Perda de força;
  • Artrose progressiva.

Com o passar do tempo, uma fratura que não consolidou pode alterar a mecânica dos ossos do carpo. Essa mudança favorece desgaste articular, dor crônica e perda de mobilidade.

Por que algumas fraturas não consolidam?

Não existe apenas uma causa. Localização proximal, deslocamento, instabilidade, atraso no tratamento e características biológicas do paciente podem interferir na cicatrização.

O tabagismo também merece atenção porque pode prejudicar a consolidação óssea. Seguir corretamente a imobilização e as restrições de carga é outra parte importante da recuperação.

A pessoa deve evitar retirar a órtese por conta própria ou voltar ao treino apenas porque a dor diminuiu. A consolidação precisa ser acompanhada até que o médico considere o osso seguro para avançar.

Quando procurar um especialista em mão?

Dor persistente na base do polegar depois de uma queda é um bom motivo para procurar avaliação. Isso vale mesmo quando o punho não está deformado e o movimento ainda é possível.

Uma suposta “torção” que continua doendo ao apoiar a mão ou segurar objetos também merece investigação. A fratura oculta do escafoide é justamente uma das situações que podem passar despercebidas no primeiro atendimento.

Procure atendimento mais rápido se houver:

  • Deformidade importante;
  • Ferimento aberto;
  • Dedos frios ou muito pálidos;
  • Perda de sensibilidade;
  • Aumento rápido do inchaço;
  • Dor intensa e progressiva.

Esses sinais não significam necessariamente uma complicação grave, mas exigem exame presencial. Outras fraturas e lesões dos ligamentos do punho podem acontecer junto com o trauma.

Perguntas frequentes

Fratura do escafoide aparece sempre no raio X?

Não. Algumas fraturas são pouco visíveis ou permanecem ocultas nas primeiras radiografias, principalmente logo após o trauma. Quando existe dor típica e o exame físico mantém a suspeita, o punho pode ser protegido enquanto a investigação continua. Ressonância magnética, tomografia ou nova radiografia são opções consideradas conforme o caso e o objetivo do exame.

Posso ter fratura do escafoide e continuar mexendo a mão?

Sim. Algumas fraturas não provocam perda completa de movimento, e a pessoa ainda consegue usar os dedos e movimentar parte do punho. A dor pode aparecer apenas ao segurar peso, apoiar a mão ou apertar objetos. Por isso, mobilidade preservada não deve ser usada como teste caseiro para excluir uma fratura depois de uma queda.

Quanto tempo leva para o escafoide colar?

O tempo varia conforme localização, estabilidade, vascularização e tratamento. Algumas fraturas consolidam em cerca de seis a oito semanas, enquanto outras precisam de vários meses. Lesões proximais e casos com dificuldade de consolidação costumam exigir acompanhamento mais prolongado. A liberação para carga e esporte depende da evolução clínica e dos exames, não apenas do tempo transcorrido.

Toda fratura do escafoide precisa de cirurgia?

Não. Muitas fraturas sem deslocamento podem consolidar com imobilização adequada e acompanhamento. A cirurgia costuma ser considerada quando há deslocamento, instabilidade, localização de maior risco, lesões associadas ou falha de consolidação. O melhor tratamento depende do padrão da fratura e das necessidades do paciente, por isso não existe uma regra única baseada somente na idade ou profissão.

Como saber se a fratura do escafoide já consolidou?

A melhora da dor é um sinal favorável, mas não confirma sozinha a consolidação. O médico combina exame físico com radiografia e, em algumas situações, tomografia ou outro exame de imagem. Essa avaliação é especialmente importante antes de liberar carga intensa, trabalho manual pesado e esportes com risco de queda ou impacto sobre a mão.

Dr. Henrique Bufaiçal

Especialista em cirurgia da mão em Goiânia, CRM/GO 11627 e RQE 7921. Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e com fellowship em Cirurgia da Mão e Microcirurgia pelo Institut Européen de la Main (França/Luxemburgo).

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