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Prótese de ombro: saiba como funciona!

Conheça a prótese de ombro, solução para artrose grave e lesões complexas. Procedimento que alivia a dor e restaura os movimentos do ombro.

A prótese de ombro é uma cirurgia que troca partes da articulação danificada por um implante, com o objetivo de aliviar a dor e melhorar os movimentos.

Ela costuma ser indicada quando o ombro está muito desgastado ou quando houve lesões e fraturas complexas que deixam a articulação pouco funcional.

Neste guia, você vai entender quando a prótese pode ser recomendada, quais são os tipos mais comuns, como é o passo a passo do procedimento e como é a recuperação com fisioterapia.

O que é prótese de ombro e para que serve

A prótese de ombro, também chamada de artroplastia do ombro, substitui as superfícies articulares doentes por componentes artificiais.

Em geral, esses componentes são feitos de metal e plástico, e tentam reproduzir o formato e o deslizamento da articulação natural.

O principal objetivo é reduzir a dor do dia a dia e permitir que o braço volte a se mover com mais segurança e amplitude.

Prótese parcial e prótese total

Na prótese parcial (hemiartroplastia), o cirurgião substitui apenas a “bola” do ombro, que é a cabeça do úmero. Esse tipo pode ser considerado quando a cavidade (glenoide) está preservada.

Na prótese total, são substituídas a cabeça do úmero e a glenoide. Em muitos casos de artrose avançada, essa troca completa tende a oferecer melhor alívio da dor.

Prótese anatômica e prótese reversa

Na prótese anatômica, os componentes mantêm a lógica do ombro natural, com a bola no úmero e a cavidade na escápula. Ela funciona melhor quando o manguito rotador está com boa qualidade.

Já a prótese reversa inverte a posição dos componentes. Essa opção é mais usada quando há lesão importante do manguito rotador, porque muda a biomecânica e permite que o músculo deltoide ajude mais no movimento.

Antes da cirurgia: outros tratamentos podem ser tentados

Antes de indicar uma cirurgia de ombro, o tratamento geralmente começa de forma não cirúrgica, que pode incluir remédios para dor e inflamação, ajustes de atividade, fisioterapia, fortalecimento e, em alguns casos, infiltrações, conforme avaliação médica.

Quando essas medidas deixam de controlar a dor e a limitação, e o problema já afeta sono, higiene, vestir-se e atividades simples, a prótese passa a ser discutida como opção.

Em quais casos o médico pode sugerir a prótese

A indicação depende do diagnóstico, do nível de desgaste e do quanto a dor limita a vida.

Em geral, a prótese é considerada em casos como artrose avançada, artrite reumatoide, artrose pós-traumática, necrose avascular da cabeça do úmero, artropatia do manguito rotador e algumas sequelas de fraturas.

Além do exame clínico, a equipe de ortopedistas com expertise em cirurgias de ombro pode usar exames de imagem e a avaliação da força e da mobilidade do ombro.

Sinais que frequentemente aparecem em quem se beneficia do procedimento:

  • Dor forte no ombro que atrapalha tarefas simples do dia a dia.
  • Dor moderada a forte mesmo em repouso, com piora do sono.
  • Perda de movimento e sensação de fraqueza.
  • Falta de melhora com tratamentos conservadores, como medicamentos e fisioterapia.

Por ser uma cirurgia de maior complexidade, é importante que a avaliação seja feita por ortopedista especialista em ombro e cotovelo, com discussão clara sobre riscos, benefícios e expectativas.

Como é o processo de implantação da prótese

O caminho até a cirurgia tem etapas bem definidas. A sequência pode variar um pouco conforme o tipo de prótese e o estado do paciente, mas o “esqueleto” do processo é parecido.

1) Avaliação e planejamento

A equipe avalia o histórico de dor, limitações, tratamentos já feitos e resultados de exames. Radiografias e, quando necessário, outros exames ajudam a planejar o tipo de prótese e a estratégia cirúrgica.

Nessa fase, também entram orientações sobre medicamentos, jejum, riscos anestésicos e organização da reabilitação.

2) Cirurgia, de forma simples

A cirurgia é feita em centro cirúrgico, com anestesia definida pelo anestesista junto ao paciente.

O cirurgião acessa a articulação por uma incisão, remove as superfícies danificadas e fixa os componentes da prótese.

Ao final, a equipe checa estabilidade e amplitude de movimento, fecha a incisão e protege a região com curativo.

3) Internação e primeiros cuidados

Após o procedimento, o paciente vai para a recuperação anestésica e fica em observação.

Dependendo do caso, pode haver necessidade de ficar internado por um curto período para controle de dor, monitoramento e início de orientações.

O uso de tipoia é comum no início, e o plano de exercícios é definido para evitar rigidez e proteger estruturas que cicatrizam.

4) Recuperação e reabilitação

A reabilitação começa cedo, com exercícios adequados para a fase do pós-operatório.

A fisioterapia é uma parte central do resultado, porque ajuda a recuperar mobilidade, força e coordenação, respeitando o tempo de cicatrização.

A evolução depende do tipo de prótese, do estado do ombro antes da cirurgia e da adesão ao plano de reabilitação.

Recuperação: o que esperar

A recuperação não acontece “de uma vez”. Ela é dividida em fases, com metas diferentes em cada etapa.

O objetivo inicial é controlar a dor e evitar rigidez, depois vem o ganho progressivo de movimento e fortalecimento.

É comum sentir desconforto e cansaço nos primeiros dias, e por isso a organização do sono, o uso correto da tipoia e o acompanhamento do curativo fazem diferença.

Cuidados que ajudam no dia a dia

Alguns cuidados são bem frequentes nas orientações pós-operatórias, sempre ajustados ao seu caso:

  • Use a tipoia pelo tempo indicado pela equipe.
  • Faça os exercícios exatamente como orientado, sem adiantar etapas.
  • Observe sinais de alerta, como febre, secreção, vermelhidão intensa ou dor que piora rápido.
  • Combine expectativas realistas com seu médico e fisioterapeuta, porque a melhora é gradual.

Se você tiver dúvida sobre o que pode ou não fazer em casa, vale perguntar antes de tentar, principalmente em atividades acima da altura do ombro.

Riscos e complicações possíveis

Toda cirurgia tem riscos, e a prótese de ombro não é diferente.

Entre os riscos que costumam ser discutidos estão infecção, rigidez, deslocamento, lesão de nervos ou vasos, fratura, sangramento e problemas tardios, como desgaste e afrouxamento de componentes.

O mais importante é entender que esses riscos variam conforme o tipo de prótese, o estado geral de saúde e a técnica escolhida.

Procure atendimento se houver sinais como febre persistente, secreção no curativo, falta de ar, dor intensa fora do padrão esperado ou piora rápida da mobilidade.

Preço e fatores que influenciam

O preço de uma prótese de ombro pode variar muito, dependendo do tipo de prótese escolhida, da complexidade do caso, do hospital, da equipe e de custos adicionais, como exames, internação, medicamentos e fisioterapia.

Se você está avaliando essa cirurgia, o próximo passo é consultar um centro de ortopedia e traumatologia para confirmar o diagnóstico, discutir expectativas e montar um plano realista de reabilitação.

Perguntas frequentes

A prótese de ombro dura quanto tempo?

A durabilidade depende de fatores como tipo de prótese, qualidade do osso, nível de atividade e como foi a reabilitação. Em geral, os materiais são feitos para durar muitos anos, mas pode haver desgaste ou afrouxamento com o tempo, o que às vezes exige revisão. Seu cirurgião consegue explicar o que é mais provável no seu caso e quais sinais merecem reavaliação.

A prótese elimina a dor totalmente?

Muita gente sente uma melhora importante da dor, especialmente a dor constante do desgaste articular. Mesmo assim, nem sempre a dor zera, e pode haver desconforto em fases de reabilitação ou em certos movimentos. O ganho de movimento também varia. Conversar sobre metas realistas antes da cirurgia ajuda a evitar frustração e melhora a adesão à fisioterapia.

Quando posso voltar a dirigir, trabalhar e fazer exercícios?

Isso varia conforme o tipo de prótese, a dor, o uso de tipóia e o tipo de trabalho. Atividades leves costumam voltar primeiro, e exercícios de força ficam para depois, quando a equipe libera. O ideal é seguir o plano do seu cirurgião e do fisioterapeuta, porque “adiantar” etapas pode aumentar risco de rigidez ou de instabilidade.

Quem tem lesão do manguito rotador pode fazer prótese?

Pode, e em alguns casos a prótese reversa é justamente escolhida por causa disso. Quando o manguito rotador está muito comprometido, uma prótese anatômica pode não funcionar bem. A decisão exige exame físico e imagem para confirmar se o manguito é reparável e qual opção traz mais chance de recuperar função com menos dor.

Existe idade mínima ou máxima para fazer a cirurgia?

Não existe uma regra única. Idade conta, mas o que pesa mais é a gravidade do problema, a qualidade do osso, a saúde geral e o quanto a dor limita a vida. Em pessoas mais jovens, a decisão costuma ser ainda mais cuidadosa por causa da durabilidade e das demandas de atividade. Em pessoas mais velhas, o foco costuma ser qualidade de vida e autonomia.

Conclusão

A prótese de ombro é uma alternativa importante quando a dor e a limitação já não melhoram com tratamentos conservadores. Entender o tipo de prótese, o passo a passo do procedimento e a recuperação ajuda você a tomar uma decisão mais segura.

Se você está avaliando essa cirurgia, o próximo passo é uma consulta com especialista para confirmar diagnóstico, discutir expectativas e montar um plano realista de reabilitação.

Dr. Thiago Barbosa Caixeta

Especialista em cirurgia minimamente invasiva de ombro e cotovelo em Goiânia, CRM/GO 1329, SBOT e RQE 8070. Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC), Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE) e Sociedade Latinoamericana de Artroscopia e Reconstrução Articular Traumato Desportiva (SLARD).

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