Ombro e Cotovelo

Artrose no Ombro: Tratamentos e Qualidade de Vida

Entenda os sintomas, causas e opções de tratamento para a artrose no ombro. Alivie a dor e recupere a mobilidade da articulação.

A artrose no ombro pode causar dor persistente, rigidez e perda de força, atrapalhando tarefas simples do dia a dia.

Com o tempo, movimentos como vestir uma camiseta, pentear o cabelo ou alcançar objetos ficam mais difíceis.

Nem toda dor no ombro é artrose. Por isso, o diagnóstico correto é essencial para escolher o tratamento mais adequado e evitar piora do quadro.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica.

O que é artrose no ombro

A artrose no ombro, também chamada de omartrose ou osteoartrite do ombro, é o desgaste progressivo da cartilagem articular.

A cartilagem funciona como um revestimento liso que reduz o atrito entre os ossos e ajuda no movimento.

Quando essa cartilagem se deteriora, o atrito aumenta e pode ocorrer inflamação, dor e limitação dos movimentos.

Com a evolução, podem surgir osteófitos (calos ósseos), que também atrapalham a mobilidade.

Quais articulações do ombro podem ser afetadas

O ombro é um conjunto de articulações que trabalham juntas. A artrose pode atingir mais de uma delas, com sintomas um pouco diferentes.

As principais articulações envolvidas são:

  • Glenoumeral: entre o úmero e a escápula, é a articulação principal do ombro.
  • Acromioclavicular: entre a clavícula e o acrômio, na parte superior do ombro.
  • Esternoclavicular: entre a clavícula e o esterno, próxima ao peito.

A artrose glenoumeral costuma ser a mais limitante, porque interfere diretamente na rotação e elevação do braço.

Já a artrose acromioclavicular pode causar dor mais localizada no topo do ombro, especialmente ao cruzar o braço à frente do corpo.

Tipos e causas

A artrose pode ser primária ou secundária, e essa diferença ajuda a entender a origem do problema. Em muitos casos, existem vários fatores ao mesmo tempo.

A osteoartrose primária é a mais comum e aparece aos poucos com o envelhecimento, com influência genética.

Ela tende a ser mais frequente após os 50 anos, principalmente em pessoas que exigiram muito da articulação ao longo da vida.

Já a artrose secundária pode estar relacionada a:

  • Fraturas e luxações anteriores;
  • Doenças reumáticas e inflamatórias;
  • Sobrecarga repetitiva do ombro em trabalho ou esporte;
  • Infecções prévias na articulação;
  • Necrose avascular (sofrimento do osso por falta de irrigação);
  • Rupturas não tratadas do manguito rotador.

Um quadro específico é a artropatia do manguito rotador, que pode surgir após lesões crônicas desses tendões.

Sintomas mais comuns

Os sintomas geralmente começam de forma lenta e tendem a piorar com o tempo. Em alguns períodos, eles podem oscilar, com fases melhores e fases de crise.

Veja os sinais mais comuns:

  • Dor ao levantar ou girar o braço;
  • Rigidez, principalmente ao acordar ou após ficar parado;
  • Redução progressiva da amplitude de movimento;
  • Estalos, rangidos ou sensação de atrito (crepitação);
  • Dor noturna, sobretudo ao deitar sobre o lado afetado;
  • Dificuldade em atividades como vestir roupas, pentear o cabelo e alcançar prateleiras.

Em alguns casos, pode ocorrer perda de massa muscular (hipotrofia) no lado acometido, por desuso e dor.

No início, a dor por inflamação pode lembrar outras condições, como capsulite adesiva e sinovite no ombro.

Sinais de alerta que pedem avaliação rápida

Procure atendimento o quanto antes, de preferência em um centro de ortopedia com protocolo diagnóstico individual, se houver:

  • Dor intensa após queda ou trauma ou incapacidade de mover o braço;
  • Febre, vermelhidão importante ou calor local associado à dor;
  • Dor progressiva com grande perda de função, especialmente se atrapalha o sono.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa com uma boa conversa sobre sintomas, histórico de lesões e rotina de movimentos.

Depois, o ortopedista capacitado e expert em ombro realiza o exame físico para avaliar a dor, força, mobilidade e estabilidade.

Os exames de imagem ajudam a confirmar o quadro e medir a gravidade. Em geral, o primeiro exame é a radiografia, que pode mostrar sinais como diminuição do espaço articular e osteófitos.

Em situações selecionadas, o médico pode solicitar:

  • Ressonância magnética, para avaliar tendões e lesões associadas;
  • Tomografia, quando é preciso detalhar o osso, principalmente em planejamento cirúrgico;
  • Exames laboratoriais, se houver suspeita de doença inflamatória sistêmica.

Tratamento

O tratamento é individual e depende da articulação afetada, do grau do desgaste e do impacto na qualidade de vida. O objetivo é aliviar a dor, melhorar a função e manter o ombro ativo com segurança.

Em muitos casos, é possível controlar bem os sintomas com medidas conservadoras. A cirurgia costuma ser considerada quando há falha do tratamento clínico ou artrose avançada com perda importante de função.

Tratamento não cirúrgico: o que costuma funcionar

O tratamento conservador geralmente combina controle da dor com reabilitação e ajustes de rotina. Quando bem feito, pode reduzir as crises e melhorar a capacidade de movimento.

As opções mais usadas são:

  • Analgésicos e anti-inflamatórios, quando indicados pelo médico;
  • Fisioterapia para mobilidade, fortalecimento e controle da dor;
  • Adaptação de atividades repetitivas e ajustes de carga;
  • Recursos físicos, como calor ou gelo, conforme orientação profissional;
  • Infiltrações em casos selecionados, para aliviar inflamação e dor por um período.

Em alguns casos, pode-se discutir opções como ácido hialurônico no ombro, sempre com avaliação individual e expectativas realistas.

No dia a dia, pequenas mudanças também ajudam a proteger o ombro sem parar a vida.

Vale priorizar movimentos dentro do limite de dor, evitar esforços acima da cabeça em fases de crise e seguir o plano de exercícios orientado, sem exageros.

Quando a cirurgia é considerada

A cirurgia pode ser indicada quando a dor e a limitação persistem apesar do tratamento conservador bem conduzido.

Também pode ser considerada na artrose avançada, com desgaste irreversível e grande prejuízo funcional.

As opções cirúrgicas podem incluir:

  • Videoartroscopia para limpeza articular e remoção de fragmentos soltos.
  • Remoção de osteófitos que bloqueiam o movimento;
  • Artroplastia do ombro (prótese), parcial ou total, conforme o caso.

Na artrose glenoumeral grave, a artroplastia costuma ser a opção com maior potencial de melhora da dor e da função.

Quando há artropatia do manguito rotador, pode ser discutida a prótese reversa, dependendo da avaliação do time de ortopedistas dedicados à investigação clínica.

Recuperação e reabilitação: o que esperar

A recuperação varia conforme o tipo de artrose, o procedimento realizado e as condições do paciente. Mesmo sem cirurgia, a reabilitação é a parte mais importante do tratamento.

Após procedimentos cirúrgicos, a fisioterapia é fundamental para recuperar a mobilidade e força com segurança.

O retorno pleno às atividades pode levar semanas a meses, e o ritmo deve ser definido pelo cirurgião e pelo fisioterapeuta.

Por que o acompanhamento com especialista faz diferença

O ombro é uma articulação complexa, e muitas doenças diferentes podem causar sintomas parecidos.

Um acompanhamento adequado ajuda a diferenciar artrose de outras causas comuns de dor, além de ajustar o tratamento conforme a evolução.

Um especialista em ombro tende a oferecer mais precisão na escolha de exames, nas indicações de fisioterapia e no momento certo de considerar procedimentos.

Isso reduz tentativas frustradas e melhora a previsibilidade do resultado.

Perguntas frequentes

Artrose no ombro tem cura?

A artrose é uma condição crônica, ligada ao desgaste da cartilagem, e não existe “cura” no sentido de reverter totalmente o dano. Ainda assim, há muito o que fazer para controlar dor e recuperar função. Com tratamento adequado, muitos pacientes voltam a realizar atividades diárias com bem menos limitação, e a progressão pode ser mais lenta em vários casos.

Infiltração resolve a artrose no ombro?

A infiltração pode aliviar dor e inflamação em casos selecionados, mas não “remove” a artrose nem reconstrói cartilagem. Ela costuma ser usada como parte do tratamento, principalmente quando a dor impede a reabilitação. A indicação depende do tipo de artrose, do estágio do desgaste e de fatores de saúde do paciente, então deve ser discutida com o ortopedista.

Fisioterapia ajuda mesmo quando há desgaste?

Na maioria dos casos, sim. A fisioterapia ajuda a melhorar mobilidade, força e controle da dor, o que reduz sobrecarga na articulação. O segredo é fazer um plano individual, com progressão gradual e foco em técnica. Exercícios mal orientados podem aumentar sintomas, por isso o acompanhamento profissional e o ajuste do treino em fases de crise fazem diferença.

Qual a diferença entre artrose glenoumeral e acromioclavicular?

A artrose glenoumeral afeta a articulação principal do ombro, entre úmero e escápula, e costuma limitar mais rotação e elevação do braço. A artrose acromioclavicular fica no “topo” do ombro, entre clavícula e acrômio, e pode doer em movimentos como cruzar o braço à frente do corpo. O tratamento inicial costuma ser conservador em ambas.

Quando a prótese de ombro é indicada?

A prótese costuma ser considerada quando a dor e a limitação persistem apesar do tratamento conservador completo, ou quando há artrose avançada com grande perda de função. O tipo de prótese depende do padrão do desgaste e da condição do manguito rotador. A decisão deve levar em conta expectativas, rotina, idade e exames de imagem, com orientação de um especialista.

Dr. Thiago Barbosa Caixeta

Especialista em cirurgia minimamente invasiva de ombro e cotovelo em Goiânia, CRM/GO 1329, SBOT e RQE 8070. Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC), Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE) e Sociedade Latinoamericana de Artroscopia e Reconstrução Articular Traumato Desportiva (SLARD).

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