Lesão

Instabilidade Patelar em Adolescentes: Causas e Tratamento

Entenda a instabilidade patelar em adolescentes, os fatores de risco, formas de tratamento e cuidados para voltar ao esporte.

Na instabilidade patelar em adolescentes, a rótula não permanece firme durante os movimentos do joelho e pode escapar de sua posição habitual.

O episódio pode ser discreto, percebido apenas como uma falha ou deslocamento momentâneo, ou mais intenso, quando a patela se desloca completamente e surgem dor, aumento de volume e alteração visível no contorno do joelho..

Na fase de crescimento, alterações do formato do joelho, frouxidão ligamentar e prática esportiva podem aumentar a chance de novos episódios. Identificar o motivo da instabilidade orienta o tratamento.

O que é instabilidade patelar?

A patela desliza por uma região do fêmur chamada tróclea durante os movimentos de flexão e extensão do joelho. Ligamentos, músculos e o formato dos ossos ajudam a manter esse trajeto estável.

Na instabilidade patelar, esse equilíbrio se perde. A patela pode apresentar subluxação, quando se desloca parcialmente, ou luxação, quando deixa completamente sua posição habitual.

O deslocamento ocorre com maior frequência para o lado externo do joelho. Depois do primeiro episódio, alguns adolescentes não voltam a ter o problema, enquanto outros desenvolvem insegurança durante os movimentos ou novas luxações.

Por que o problema é frequente na adolescência?

O crescimento modifica o alinhamento dos membros e o controle muscular justamente numa fase em que muitos jovens aumentam a intensidade dos treinos.

Mudanças de direção, aterrissagens e giros com o pé apoiado podem deslocar a patela. Nem sempre há uma pancada forte; um movimento simples pode ser suficiente quando existem fatores predisponentes.

Quais fatores aumentam o risco?

A instabilidade costuma ter mais de uma causa. O exame do joelho e os exames de imagem ajudam a identificar quais características estão envolvidas em cada caso.

Entre os fatores mais encontrados, destacam-se:

  • Displasia da tróclea, quando o sulco que recebe a patela é mais raso;
  • Patela alta, posição em que a rótula demora mais para encaixar na tróclea durante a flexão;
  • Joelho valgo, conhecido como joelhos voltados para dentro;
  • Rotação aumentada do fêmur ou da tíbia;
  • Maior distância entre a tuberosidade da tíbia e o sulco troclear;
  • Frouxidão ligamentar generalizada;
  • Histórico prévio de luxação patelar;
  • Alterações no controle e na força muscular.

A combinação desses fatores pode elevar a possibilidade de recorrência. Avaliar apenas o episódio de luxação, sem investigar a anatomia do joelho, pode deixar parte do problema sem resposta.

Quais são os sintomas?

Uma luxação aguda geralmente provoca dor súbita, dificuldade para apoiar a perna e aumento de volume no joelho. A patela pode permanecer deslocada ou retornar ao lugar espontaneamente.

Depois que a fase mais dolorosa passa, outros sinais podem chamar atenção:

Mesmo com pouca dor, alguns jovens passam a evitar movimentos e reduzem a participação em esporte e outras atividades.

O primeiro deslocamento precisa ser avaliado?

Sim. Mesmo quando a patela volta ao lugar sozinha, o joelho deve ser examinado. A luxação pode lesionar o ligamento patelofemoral medial, estrutura que ajuda a impedir o deslocamento lateral da patela, e também pode causar danos à cartilagem.

Fragmentos osteocondrais também podem se soltar durante o episódio, o que aumenta a importância da investigação por imagem.

A consulta com um ortopedista especialista em joelho com experiência clínica e cirúrgica permite analisar o mecanismo da lesão, a maturidade óssea e os fatores que podem favorecer novos episódios, sem limitar a decisão apenas ao que aconteceu no momento do trauma.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela história do episódio: como o joelho se movimentou, se a patela precisou ser recolocada, quantas vezes o problema aconteceu e quais atividades passaram a causar insegurança.

No exame físico, são observados alinhamento dos membros, mobilidade da patela, estabilidade, amplitude de movimento, força e sinais de apreensão.

  • Radiografias fazem parte da avaliação inicial. Elas ajudam a analisar o posicionamento patelar, o formato ósseo e possíveis fraturas.
  • A ressonância magnética pode mostrar lesões de cartilagem, fragmentos osteocondrais, alterações do ligamento patelofemoral medial e características anatômicas relacionadas à instabilidade.
  • A tomografia é reservada para situações em que informações adicionais sobre rotação e alinhamento ósseo são necessárias.

Tratamento sem cirurgia

No primeiro episódio de luxação, muitos adolescentes podem ser tratados sem cirurgia quando não existe fratura osteocondral importante, corpo livre dentro da articulação ou outro fator que exija intervenção imediata.

O cuidado inicial pode envolver controle da dor e do inchaço, proteção temporária do joelho e uso de órtese conforme a avaliação médica. A mobilidade deve ser recuperada de maneira progressiva.

A fisioterapia ocupa papel central. O programa pode trabalhar força do quadríceps, musculatura do quadril, estabilidade do tronco, equilíbrio, controle do movimento e padrão de aterrissagem.

O adolescente também precisa recuperar segurança para executar tarefas da rotina e do esporte.

Quando a cirurgia pode ser considerada?

A cirurgia entra em discussão principalmente quando as luxações se repetem, quando há instabilidade persistente ou quando o primeiro episódio provoca uma lesão osteocondral que precisa ser tratada.

A reconstrução do ligamento patelofemoral medial, conhecida pela sigla MPFL, é uma das técnicas mais utilizadas nos casos recorrentes. Esse ligamento funciona como um importante estabilizador da patela nos primeiros graus de flexão do joelho.

A escolha do procedimento varia. Patela alta, displasia troclear, desalinhamento e alterações rotacionais podem exigir estratégias específicas.

Nos adolescentes que ainda estão crescendo, a presença das placas de crescimento interfere no planejamento.

Algumas cirurgias ósseas usadas em adultos ou jovens com maturidade esquelética completa não são indicadas da mesma maneira para quem ainda possui fises abertas.

O que muda quando a luxação acontece várias vezes?

Cada novo episódio pode aumentar a insegurança e expor a articulação a novos impactos. O adolescente pode evitar flexionar o joelho ou abandonar atividades que fazia normalmente. Nessa fase, tratar somente a dor é insuficiente.

É necessário entender por que a patela continua escapando.

O número de episódios, a idade, o grau de crescimento restante e a anatomia do joelho ajudam a definir se ainda há espaço para tratamento conservador ou se a estabilização cirúrgica deve ser discutida.

Como é a recuperação?

A recuperação varia conforme a lesão e o tratamento. Sem cirurgia, a progressão depende da redução do inchaço, retorno da mobilidade, força e controle do membro inferior.

Após uma operação, o protocolo muda conforme a técnica realizada. Proteção inicial, ganho progressivo de movimento, fortalecimento e treino funcional são organizados por etapas.

Nesse processo, contar com uma equipe de ortopedistas focada na recuperação de movimentos é importante após lesões ou cirurgia, principalmente quando o jovem precisa voltar a uma rotina esportiva que exige corrida, salto, desaceleração e mudanças rápidas de direção.

Quando o adolescente pode voltar ao esporte?

O retorno ao esporte não deve depender apenas do número de semanas desde a lesão ou cirurgia. O joelho precisa demonstrar que está preparado para receber novamente as exigências da modalidade.

Entre os pontos avaliados estão ausência de dor e derrame, amplitude adequada de movimento, força, estabilidade, controle neuromuscular e capacidade de executar gestos esportivos com segurança.

Testes funcionais podem revelar déficits entre os membros. Voltar cedo demais, com fraqueza ou medo de movimentar o joelho, pode comprometer o rendimento e aumentar a exposição a novas lesões.

Instabilidade patelar em adolescentes tem cura?

Muitos adolescentes conseguem recuperar estabilidade, função e confiança com um plano de tratamento bem definido. O resultado depende da causa da instabilidade, do número de episódios, das lesões associadas e da resposta à reabilitação.

Casos com alterações anatômicas marcantes ou luxações recorrentes exigem acompanhamento mais detalhado.

O objetivo é reduzir novos deslocamentos, proteger a cartilagem e permitir que o jovem retome suas atividades com um joelho funcional.

Perguntas frequentes

A patela pode sair do lugar sem uma pancada forte?

Sim. Giros, aterrissagens ou mudanças de direção podem provocar a luxação, principalmente quando existem fatores anatômicos que favorecem o deslocamento.

Depois da primeira luxação, ela pode acontecer novamente?

Pode. O risco varia de acordo com idade, anatomia do joelho, maturidade óssea e presença de fatores como displasia troclear e frouxidão ligamentar.

Todo adolescente com instabilidade patelar precisa operar?

Não. Muitos primeiros episódios são tratados com medidas conservadoras. A cirurgia é mais considerada em recorrências, instabilidade persistente ou lesões osteocondrais relevantes.

Fisioterapia ajuda na instabilidade da patela?

Sim. O trabalho de força, controle do movimento, equilíbrio e coordenação participa da recuperação e da preparação para o retorno às atividades.

É possível voltar ao esporte após uma luxação patelar?

Sim. O retorno deve ocorrer quando mobilidade, força, estabilidade e controle do joelho estiverem adequados para as exigências da modalidade.

Dr. Ulbiramar Correia

Especialista em ortopedia de joelho, CRM/GO 11552, SBOT 12166 e RQE 7240. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ), Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma Esportivo (SBRATE) e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Atende como ortopedista de joelho no COE em Goiânia.

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