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Síndrome de Wartenberg: o que é, sintomas e tratamento

Aprenda a reconhecer os sinais da síndrome de Wartenberg e tratamento para reduzir a dor.

A síndrome de Wartenberg aparece quando um ramo sensitivo do nervo radial, na região do punho, fica comprimido, gerando formigamento, dor ou sensação de queimação no dorso da mão.

Quem faz muitos movimentos repetitivos com o punho ou usa relógios, pulseiras e braceletes apertados fica mais sujeito a irritar esse nervo.

Entender como essa síndrome aparece ajuda a reconhecer os sinais cedo e buscar tratamento com um ortopedista especialista em mão.

Entenda a síndrome de Wartenberg

Na síndrome de Wartenberg, um ramo superficial do nervo radial, responsável apenas pela sensibilidade, fica irritado e comprimido na região do punho.

Esse nervo capta o toque no lado de fora do antebraço, no dorso da mão e em parte do polegar.

Quando essa área é pressionada, aparecem dor, formigamento, sensação de dormência ou pequenos “choques” nesses locais.

A força costuma se manter normal, já que esse ramo não comanda a musculatura, mas o incômodo pode atrapalhar tarefas simples do dia a dia.

Causas e fatores de risco

A síndrome de Wartenberg geralmente está associada a situações que aumentam a pressão sobre o nervo sensitivo radial na região do antebraço distal e punho.

Entre as causas e fatores de risco mais comuns, citamos:

  • Movimentos repetitivos de pronossupinação do antebraço, como virar a palma da mão para cima e para baixo várias vezes ao dia.
  • Flexão do punho com desvio ulnar repetitivo, que comprime o nervo entre os tendões do braquiorradial e do extensor radial longo do carpo.
  • Uso de relógios, pulseiras e braceletes apertados, que pressionam o nervo por fora da pele.
  • Trabalhos manuais intensos, como uso prolongado de ferramentas, apertar parafusos, dirigir moto ou bicicleta por longos períodos.
  • Esportes com carga repetitiva no punho, como musculação, crossfit, tênis, esportes com raquete e modalidades que envolvem bastões.
  • Traumas diretos na região do antebraço distal, quedas ou impactos que geram hematomas e inchaço local.

Alguns pacientes apresentam variações anatômicas do trajeto do nervo que reduzem o espaço disponível entre os músculos do antebraço.

Quando essa característica se soma a movimentos repetitivos, a chance de desenvolver a síndrome de Wartenberg se torna maior.

Sintomas

Os sintomas aparecem na área sensitiva do nervo radial superficial, principalmente no dorso do punho, dorso da mão e região do polegar.

Em muitos casos, começam de forma discreta e pioram com o tempo se o fator desencadeante não é corrigido.

  • Formigamento e dormência no dorso da mão, punho e parte do polegar.
  • Dor em queimação ou choque na região dorsolateral do antebraço e dorso da mão.
  • Hipossensibilidade (sensibilidade diminuída) ao toque leve ou temperatura na área inervada pelo nervo.
  • Piora dos sintomas com movimentos provocativos, como girar o antebraço ou desviar o punho para o lado do dedo mínimo.
  • Desconforto ao usar relógio ou pulseira, mesmo quando o acessório não parece tão apertado.

Como é feito o diagnóstico

No centro de tratamento ortopédico, o diagnóstico começa na conversa com o paciente.

O ortopedista pergunta quando os sintomas apareceram, em que situações a dor incomoda mais, se já houve alguma batida ou queda no local e se a pessoa usa relógios, pulseiras, munhequeiras ou outros acessórios apertados no punho.

No exame físico, o médico realiza manobras específicas para reproduzir os sintomas. A percussão leve sobre o trajeto do nervo pode gerar sensação de choque elétrico, conhecida como sinal de Tinel.

Em alguns pacientes, o exame físico também revela sinais de outras alterações na região, como a tenossinovite de De Quervain, que pode coexistir com a síndrome de Wartenberg.

Exames complementares podem ser úteis em situações específicas:

  • Ultrassonografia para avaliar espessamento do nervo ou processos inflamatórios locais.
  • Ressonância magnética em casos mais complexos, com suspeita de outras lesões associadas.
  • Eletroneuromiografia é indicada quando ainda há dúvida sobre o diagnóstico ou suspeita de acometimento de outros ramos do nervo radial.

Tratamento

Na grande maioria dos pacientes, o tratamento começa sem cirurgia, com medidas simples voltadas a acalmar o nervo, diminuir a inflamação e permitir que a mão volte a funcionar com o menor nível de dor possível.

  1. Correção de hábitos: afrouxar ou retirar relógios, pulseiras e braceletes apertados, revisar o ajuste de órteses e evitar qualquer pressão direta sobre o trajeto do nervo na região do punho.
  2. Modificação de atividades: reduzir movimentos repetitivos de pronossupinação e tarefas que exijam desvio ulnar forçado do punho.
  3. Fisioterapia e terapia da mão: exercícios específicos para mobilização neural, alongamentos suaves, fortalecimento gradual da musculatura do antebraço e orientação postural.
  4. Medicamentos: uso temporário de anti-inflamatórios e analgésicos, sempre com orientação médica.
  5. Uso de talas: imobilizações leves em alguns períodos do dia ou durante o sono podem ajudar a controlar a dor em fases mais agudas.

Cirurgia

Quando o tratamento conservador bem conduzido não traz melhora satisfatória ou quando os sintomas são muito intensos e limitantes, o ortopedista pode indicar tratamento cirúrgico.

A cirurgia busca liberar o nervo sensitivo radial das estruturas que o comprimem, ampliando o espaço naquela região.

O tempo de recuperação não é igual para todo mundo. Depende do grau de irritação do nervo, do quanto o trabalho exige das mãos e se existem outros problemas na mesma região.

Após a cirurgia, a reabilitação guiada ajuda a soltar o punho, controlar a sensibilidade exagerada e dar segurança para voltar às tarefas do dia a dia e, quando liberado, às atividades esportivas

Quando procurar um especialista em mão

Sinais como formigamento persistente no dorso da mão, desconforto ao usar relógio ou pulseira, dor que piora com movimentos do punho e sensação de choque ao tocar a região do nervo merecem avaliação de um especialista em patologias da mão.

Quanto mais cedo a síndrome de Wartenberg é identificada, maior a chance de controle com medidas simples e menor o risco de evolução para dor crônica.

FAQs

A síndrome de Wartenberg causa perda de força na mão?

A síndrome de Wartenberg acomete o ramo sensitivo do nervo radial, que não tem função motora. Por esse motivo, a queixa principal é sensitiva, com dor, formigamento e alteração da sensibilidade. Perda de força sugere outras lesões associadas e precisa de avaliação detalhada.

Uso de relógio ou pulseira apertados pode causar síndrome de Wartenberg?

A pressão constante de relógios, pulseiras e braceletes apertados na região do antebraço distal pode irritar o nervo sensitivo radial e contribuir para o surgimento da síndrome de Wartenberg, principalmente em pessoas que já realizam movimentos repetitivos com o punho.

Síndrome de Wartenberg e tenossinovite de De Quervain são a mesma coisa?

Não. A síndrome de Wartenberg é uma compressão nervosa, enquanto a tenossinovite de De Quervain é uma inflamação de tendões na base do polegar. As duas condições podem causar dor na mesma região e até coexistir, motivo pelo qual o exame físico realizado por um especialista é tão importante.

Todo caso de síndrome de Wartenberg precisa de cirurgia?

A maior parte dos pacientes melhora com tratamento conservador, que inclui mudança de hábitos, fisioterapia e controle da dor. A cirurgia fica reservada para quadros persistentes, intensos ou que não respondem adequadamente às medidas clínicas.

Quanto tempo leva para a síndrome de Wartenberg melhorar?

O tempo de recuperação varia bastante. Alguns pacientes melhoram em poucas semanas quando conseguem ajustar atividades e iniciar reabilitação logo no início dos sintomas. Casos crônicos, com inflamação prolongada do nervo, podem exigir meses de acompanhamento.

Quem pratica musculação ou crossfit pode voltar a treinar após o tratamento?

Em geral, é possível retornar à musculação e ao crossfit depois que a dor está controlada e o nervo se estabiliza. O retorno deve ser gradual, com ajustes de carga, variação de exercícios e atenção ao posicionamento do punho. A orientação de fisioterapeuta e médico ajuda a reduzir o risco de recaída da síndrome de Wartenberg.

Quando é indicado procurar um ortopedista especialista em mão?

Qualquer pessoa com formigamento persistente no dorso da mão, dor que piora ao movimentar o punho ou desconforto intenso com acessórios na região deve procurar um ortopedista especialista em mão. A avaliação precoce permite confirmar o diagnóstico de síndrome de Wartenberg, descartar outras causas e iniciar o tratamento mais adequado.

Dr. Henrique Bufaiçal

Especialista em cirurgia da mão em Goiânia, CRM/GO 11627 e RQE 7921. Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e com fellowship em Cirurgia da Mão e Microcirurgia pelo Institut Européen de la Main (França/Luxemburgo).

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