Doenças

Tenossinovite de De Quervain: Causas, Sintomas e Tratamentos

Entenda a Tenossinovite de De Quervain, uma inflamação nos tendões do punho. Conheça os sintomas, causas e tratamentos para a dor na base do polegar.

A tenossinovite de De Quervain é uma inflamação que dói na região do punho, bem perto da base do polegar, piorando quando você segura objetos, faz pinça ou repete o mesmo movimento muitas vezes.

Apesar de ser incômoda, a maioria dos casos melhora bem com diagnóstico cedo e cuidados certos. Entender os sinais ajuda você a procurar ajuda antes de a dor virar rotina.

O que é a tenossinovite de De Quervain

Na lateral do punho, do lado do polegar, passam dois tendões importantes. Eles ajudam a afastar e estender o polegar, o que você faz o tempo todo sem perceber.

Na tenossinovite de De Quervain, a bainha que “encapa” esses tendões fica irritada e mais grossa. Com menos espaço para o tendão deslizar, surge dor, inchaço e dificuldade para mexer.

Por que acontece: causas e fatores de risco

Na maioria das vezes, o problema aparece por sobrecarga, especialmente quando há movimentos repetitivos do polegar e do punho.

Também pode surgir após mudanças na rotina, novo esporte ou aumento de horas no computador.

Alguns fatores aumentam o risco:

  • Movimentos repetitivos no trabalho ou em hobbies (digitando, artesanato, instrumentos).
  • Uso prolongado de celular com o polegar.
  • Esforço para levantar ou segurar peso com a mão (inclusive repetidas vezes).
  • Gravidez e período pós-parto (mudanças hormonais e maior demanda nas mãos).
  • Doenças inflamatórias, como artrite reumatoide.
  • Faixa etária mais comum entre 30 e 50 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade.

Sintomas mais comuns

O sintoma principal é dor na lateral do punho, perto da base do polegar. Em algumas pessoas, a dor irradia um pouco para o antebraço.

Outros sinais frequentes:

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é clínico, ou seja, feito principalmente pela história e pelo exame físico. O profissional avalia onde dói, quais movimentos pioram e se há inchaço.

Um teste muito usado é o teste de Finkelstein, que tenta reproduzir a dor ao colocar o polegar dentro da mão e mover o punho.

Em alguns casos, a ultrassonografia ou a ressonância magnética podem ajudar a confirmar a inflamação e descartar outras causas de dor.

Tratamentos mais usados

O tratamento depende da intensidade da dor e de há quanto tempo os sintomas começaram. Em geral, os ortopedistas treinados e experientes em tenossinovite começam com opções conservadoras, que funcionam muito bem.

Repouso e ajustes na rotina

A primeira etapa é reduzir o que está irritando o tendão. Isso pode significar pausas mais frequentes, trocar a forma de segurar objetos ou mudar a posição da mão no teclado.

Esse alívio de carga dá tempo para o tecido se recuperar. Sem isso, o tratamento tende a demorar mais.

Imobilização com tala

A tala (ou órtese) que imobiliza punho e polegar diminui o atrito dos tendões inflamados. Ela é indicada por um período limitado, de acordo com a gravidade do caso.

Quando bem ajustada, ajuda a reduzir a dor e facilita a volta gradual às atividades.

Gelo e controle da dor

Compressas frias podem aliviar a dor e diminuir a inflamação em fases mais doloridas. O uso é orientado como parte de um plano maior, e não como única solução.

Se a dor estiver forte, vale conversar com um profissional antes de usar remédios por conta própria.

Medicamentos e infiltração

Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser usados em alguns casos, sempre com orientação médica. Eles ajudam a controlar sintomas, mas não substituem os ajustes de atividade.

Quando a dor persiste, a infiltração com corticosteroide na região pode reduzir a inflamação e acelerar a melhora. A indicação depende do seu quadro e deve ser avaliada individualmente.

Fisioterapia e reabilitação

A fisioterapia ajuda a recuperar mobilidade e força com segurança. Ela também trabalha postura, ergonomia e técnica de movimento, para reduzir a chance de o problema voltar.

Além disso, exercícios guiados podem melhorar a função do polegar e do punho sem sobrecarregar os tendões.

Cirurgia (quando é indicada)

A cirurgia é reservada quando o tratamento conservador não melhora o quadro após alguns meses, ou quando há recorrência importante.

O procedimento libera o espaço do compartimento onde os tendões passam, diminuindo a pressão.

Em geral, a recuperação é boa e a volta às atividades é gradual, conforme orientação do especialista.

Quanto tempo leva para melhorar

Em muitos casos, a melhora acontece em semanas, principalmente quando o problema é identificado cedo e a pessoa consegue reduzir a sobrecarga.

Quadros mais antigos ou com rotina difícil de adaptar podem levar mais tempo.

O ponto mais importante é ter um plano que combine controle de dor, correção de hábitos e reabilitação, pois isso aumenta muito a chance de melhora completa.

Prevenção no dia a dia

Algumas atitudes simples diminuem o risco de inflamação e também ajudam a evitar recaídas:

  1. Fazer pausas curtas e regulares em tarefas repetitivas.
  2. Alternar mãos e variar movimentos quando possível.
  3. Ajustar teclado, mouse e celular para reduzir tensão no polegar.
  4. Evitar “forçar” torções, como abrir tampas, quando estiver com dor.
  5. Alongar e fortalecer punhos e mãos com orientação profissional.
  6. Usar ferramentas ergonômicas e pegadas mais “grossas” quando necessário.

Quando buscar ajuda médica

Procure avaliação em um centro ortopédico com estrutura completa se a dor não melhorar ou se estiver atrapalhando sua rotina. Alguns sinais de alerta:

  • Dor que dura mais de uma semana, mesmo com redução de esforço.
  • Inchaço, vermelhidão ou sensibilidade crescente na região.
  • Limitação importante do polegar.
  • Fraqueza para segurar objetos.
  • Estalos ou travamentos frequentes ao mexer o polegar.

Quanto mais cedo o diagnóstico, mais simples é o tratamento.

Perguntas frequentes

Posso ter De Quervain só por usar celular?

Pode acontecer, principalmente quando o uso é intenso e repetitivo, com o polegar sempre no mesmo movimento. O problema não é o celular em si, e sim a combinação de repetição, postura e tempo sem pausas. Ajustar a forma de segurar o aparelho, alternar mãos e fazer pausas costuma ajudar, mas a dor persistente precisa de avaliação.

O teste de Finkelstein serve para eu me diagnosticar em casa?

Ele é um teste usado por profissionais, mas não é ideal para “autodiagnóstico”. Além de causar dor, ele pode confundir com outras condições que também doem na base do polegar. O mais seguro é observar os sintomas e procurar um especialista, que vai examinar, comparar sinais e decidir se precisa de exames de imagem.

Infiltração com corticoide resolve para sempre?

Em muitas pessoas, a infiltração reduz a inflamação e melhora bastante, às vezes com resultado duradouro. Mesmo assim, se a causa da sobrecarga continuar igual, a dor pode voltar. Por isso, o melhor resultado costuma vir quando a infiltração é combinada com ajustes de atividade e reabilitação, para proteger os tendões a longo prazo.

Quando a cirurgia é necessária?

A cirurgia é considerada quando os tratamentos conservadores não trazem melhora suficiente após alguns meses, ou quando as crises são recorrentes e limitantes. O objetivo é liberar o espaço onde os tendões passam, reduzindo o atrito. A decisão depende da intensidade da dor, do tempo de sintomas e do impacto na sua vida, sempre com avaliação individual.

Dr. Henrique Bufaiçal

Especialista em cirurgia da mão em Goiânia, CRM/GO 11627 e RQE 7921. Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e com fellowship em Cirurgia da Mão e Microcirurgia pelo Institut Européen de la Main (França/Luxemburgo).

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo