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Dor no Calcanhar: Causas e Como Tratar

Entenda o que causa a dor no calcanhar, por que o esporão quase nunca é o vilão e em que momento procurar um ortopedista.

Poucas queixas mudam tanto a rotina quanto a dor no calcanhar. Ela costuma aparecer no pior momento possível, no primeiro passo depois de acordar, e vai piorando à medida que a pessoa passa a pisar torto para fugir do incômodo.

A boa notícia é que a maioria dos casos tem causa mecânica bem definida e melhora sem cirurgia. O que decide o tratamento é entender de onde vem a dor: o calcanhar recebe carga de vários tecidos diferentes, e cada um deles dói de um jeito.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um ortopedista.

Onde dói e o que isso pode indicar

Antes de falar em causas, vale localizar. É a pergunta que mais economiza tempo no consultório:

  • Embaixo, na sola, perto da parte interna: é o território clássico da fascite plantar, principalmente se dói mais nos primeiros passos do dia.
  • Atrás, onde o tendão se insere: aponta para tendinite de Aquiles ou para uma bursite entre o tendão e o osso.
  • No osso todo, com dor ao apertar dos dois lados: levanta a suspeita de fratura por estresse, comum em corredor que aumentou volume rápido.
  • Com queimação ou choque irradiando para a sola: sugere compressão de um nervo da região.
  • No centro, tipo pisar numa pedra: pode ser desgaste do coxim gorduroso, a almofada natural que amortece o calcanhar.

A hora do dia também é pista

Dor forte nos primeiros passos da manhã, que melhora depois de alguns minutos andando e volta ao fim do dia, é o padrão mais típico da fascite plantar. Durante o sono a fáscia encurta, e o primeiro apoio a estica de uma vez.

Já a dor que aparece durante ou logo após a atividade física, e não incomoda em repouso, costuma ser tendínea. E a dor constante, que não alivia nem parado e piora à noite, é a que merece avaliação mais rápida, porque foge do padrão mecânico.

Esse detalhe está mais desenvolvido no conteúdo sobre dor no calcanhar ao pisar.

Principais causas da dor no calcanhar

Fascite plantar

Responde pela maior parte dos casos. A fáscia plantar é uma faixa espessa que liga o calcanhar aos dedos e sustenta o arco do pé.

Sobrecarga, ganho de peso, calçado sem amortecimento, panturrilha encurtada e passar o dia em pé são os gatilhos mais comuns. Os detalhes do quadro estão reunidos no artigo sobre fascite plantar.

Esporão de calcâneo

Aqui mora o maior mal-entendido do tema. O esporão é uma pequena calcificação que aparece no raio X, mas ele não é a causa da dor na maioria das vezes. Muita gente tem esporão e nunca sentiu nada, e muita gente sente dor forte sem ter esporão nenhum.

Ele é mais consequência da tração crônica do que origem do problema, e tratar a fáscia costuma resolver mesmo com a calcificação ainda lá. O tema está detalhado no conteúdo sobre esporão no pé.

Tendinite do tendão de Aquiles

A dor fica atrás do calcanhar, às vezes com um espessamento que dá para sentir com o dedo. Piora ao subir escada, ao correr e ao usar sapato com contraforte rígido apertando a região.

Bursite do calcâneo

A bursa é uma bolsa que reduz o atrito entre tendão e osso. Quando inflama, a dor é bem localizada atrás, com inchaço discreto e sensibilidade ao toque. Calçado que aperta o calcanhar é causa frequente.

Fratura por estresse

Microfissuras no osso por carga repetitiva. Diferente das anteriores, a dor não melhora com alguns minutos de caminhada, piora progressivamente e dói ao comprimir o calcanhar pelas laterais.

É mais comum em corredores, militares e em quem tem osteoporose.

Compressão de nervo

Nervos que passam pela face interna do tornozelo podem ser comprimidos e gerar queimação, formigamento ou choque na sola. É uma causa menos lembrada, e costuma ser confundida com fascite que não melhora.

Médico examinando a sola do pé e pressionando o calcanhar de uma paciente em consultório
A palpação dirigida do calcanhar separa fascite, bursite e fratura por estresse já na primeira consulta

Dor no calcanhar direito ou esquerdo muda alguma coisa?

Do ponto de vista da doença, não. As causas são exatamente as mesmas nos dois pés.

O que o lado revela é o motivo: dor em um pé só quase sempre tem explicação mecânica, como o lado dominante em quem pratica esporte, uma perna mais curta que a outra ou uma pisada assimétrica.

Quando os dois calcanhares doem ao mesmo tempo, vale investigar causas sistêmicas, como doenças reumatológicas e alterações metabólicas. As particularidades de um lado só estão no material sobre dor no calcanhar esquerdo.

Quem tem mais chance de sofrer com isso

A dor no calcanhar não escolhe perfil, mas alguns fatores aparecem com muita frequência na história dos pacientes:

  • Profissão que exige ficar em pé: professores, vendedores, profissionais de saúde e quem trabalha em linha de produção.
  • Aumento rápido de carga: começar a correr, dobrar a quilometragem ou voltar à academia depois de meses parado.
  • Panturrilha encurtada: quem não consegue agachar com o calcanhar no chão tende a sobrecarregar a fáscia a cada passo.
  • Pé muito plano ou muito cavo: os dois extremos distribuem mal a carga no apoio.
  • Ganho de peso recente: cada quilo a mais multiplica a força que passa pelo calcanhar durante a marcha.
  • Faixa dos 40 aos 60 anos: período em que o coxim gorduroso perde espessura e a fáscia fica menos elástica.

Reconhecer o fator de risco muda o tratamento. Não adianta tratar a inflamação e devolver o pé à mesma sobrecarga que a causou, porque a dor volta assim que a rotina retoma.

Sinais que pedem avaliação sem demora

  • Dor que apareceu de repente durante um esforço, com estalo e dificuldade de ficar na ponta do pé, que pode indicar ruptura do tendão de Aquiles.
  • Vermelhidão, calor e inchaço importantes, com ou sem febre.
  • Dor que não alivia em repouso e atrapalha o sono todas as noites.
  • Formigamento, dormência ou perda de força no pé.
  • Ferida ou úlcera no calcanhar em quem tem diabetes, situação que exige avaliação imediata.

Como o ortopedista investiga

O exame físico resolve boa parte. O médico palpa pontos específicos, testa a flexibilidade da panturrilha, avalia o formato do arco e observa a pisada. A localização exata do ponto doloroso já separa as principais hipóteses.

A radiografia serve mais para descartar fratura e avaliar o alinhamento do que para procurar esporão. A ultrassonografia mede a espessura da fáscia e mostra o tendão em movimento.

A ressonância entra quando há suspeita de fratura por estresse ou quando o quadro não responde ao tratamento inicial, o que é comum na avaliação de um ortopedista especialista em pé em Goiânia.

Tratamentos que funcionam

Mais de 90% dos casos melhoram sem cirurgia, mas o tratamento exige constância. Alongamento diário da panturrilha e da fáscia é a medida com melhor resultado comprovado, e precisa de semanas para mostrar efeito.

Fisioterapia com fortalecimento da musculatura intrínseca do pé consolida o ganho.

Palmilhas e calçados com amortecimento reduzem a carga no ponto certo. Nos quadros que passam de três a seis meses sem melhora, a terapia por ondas de choque em Goiânia costuma ser o passo seguinte, por estimular a reparação do tecido sem precisar de corte. Algumas pessoas associam também a acupuntura para fascite plantar no controle da dor.

A cirurgia é exceção e fica para casos resistentes a tudo isso, ou para situações específicas como ruptura de tendão e deformidade que sobrecarrega o calcanhar. Quando indicada, é conduzida por equipe de cirurgia de pé e tornozelo em Goiânia.

O que ajuda em casa desde hoje

  1. Alongue a panturrilha antes de colocar o pé no chão pela manhã, ainda sentado na cama.
  2. Role uma garrafa gelada sob a sola por cinco minutos ao fim do dia.
  3. Evite andar descalço em piso duro, principalmente nas primeiras semanas.
  4. Troque o tênis muito usado, porque o amortecimento acaba antes do solado aparentar desgaste.
  5. Reduza volume e impacto do treino por um período, sem parar totalmente a atividade.

Outras medidas simples de alívio estão reunidas nos conteúdos sobre como aliviar a dor no calcanhar e sobre autocuidados para fascite plantar.

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora para a dor no calcanhar passar?

Com tratamento adequado, a maioria melhora entre seis semanas e três meses. Quadros que já duram mais de um ano costumam levar mais tempo, o que reforça a importância de não empurrar a avaliação com analgésico.

Preciso operar o esporão?

Quase nunca. Como o esporão em geral não é a origem da dor, retirá-lo raramente resolve. O tratamento se dirige à fáscia e à sobrecarga que a irrita.

Pode continuar treinando?

Na maioria das vezes sim, com ajustes. Trocar corrida por bicicleta ou natação por algumas semanas mantém o condicionamento e tira a carga de impacto do calcanhar.

Gelo ou calor?

Gelo na fase de dor aguda e depois de atividade, porque ajuda a controlar a inflamação. Calor antes do alongamento, para deixar o tecido mais complacente. As duas coisas se somam, não competem.

Palmilha resolve sozinha?

Ela alivia, mas não substitui o alongamento e o fortalecimento. Palmilha sem reabilitação costuma dar melhora parcial e recaída quando o uso é interrompido.

Dr. Bruno Air

Ortopedista especialista em Pé e Tornozelo em Goiânia, CRM/GO 16354 e RQE 8226. Graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (2009-2011), com especialização em Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Universidade Federal de Goiás e estágio no Massachussets General Hospital, Harvard University (2017).

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