Cirurgia

Como é feita a cirurgia de joanete? Passo a passo

Confira um guia completo e direto de como é feita a cirurgia de joanete.

Se você quer saber como é feita a cirurgia de joanete, provavelmente já convive com dor, dificuldade para usar sapatos e incômodo ao caminhar.

A cirurgia corrige o desvio do dedão, reduz a saliência óssea e melhora a forma e a função do pé.

O objetivo não é só deixar o pé mais alinhado. A cirurgia de joanete busca controlar a dor, facilitar a escolha de calçados e devolver segurança ao caminhar.

A seguir, veja em detalhes quando operar, quais técnicas existem e como o procedimento é realizado na prática.

O que é joanete e por que ele aparece

O joanete, ou hálux valgo, é uma deformidade em que o dedão desvia em direção aos outros dedos e forma uma saliência óssea na parte interna do pé.

Essa alteração modifica o eixo da articulação, gera atrito com o calçado e pode inflamar tecidos ao redor.

Nos estágios iniciais, o tratamento costuma ser conservador, com escolha de calçados adequados, palmilhas, adaptações no dia a dia e controle da dor.

Quando essas medidas não bastam e a deformidade segue avançando, a cirurgia de joanete passa a ser considerada.

Quando a cirurgia de joanete é indicada

A decisão de operar não se baseia apenas no aspecto estético do pé. O principal motivo é o impacto do joanete na vida diária.

Alguns sinais costumam pesar na indicação da cirurgia de joanete:

  • Dor frequente na região do joanete, mesmo com calçados confortáveis.
  • Dificuldade para caminhar distâncias simples, como no trabalho ou em casa.
  • Formação de calos, bolhas ou feridas na borda interna do pé ou entre os dedos.
  • Desvio importante do dedão, empurrando ou sobrepondo os outros dedos.
  • Falha do tratamento conservador ao longo de meses, com pouca melhora.

Exames de imagem, como radiografias em pé, ajudam a medir o grau da deformidade e a planejar a técnica mais adequada.

Na consulta no centro especializado em ortopedia, o médico avalia o alinhamento ósseo, o formato do pé, a qualidade das articulações e outros detalhes que influenciam o tipo de cirurgia.

Como é feita a cirurgia de joanete passo a passo

A maneira como a cirurgia de joanete é feita pode variar conforme o grau da deformidade, o formato do pé e a técnica escolhida. Mesmo assim, algumas etapas principais se repetem na maior parte dos casos.

1. Avaliação e planejamento da cirurgia

No pré-operatório, o especialista colhe o histórico clínico, examina o pé em pé e em movimento e solicita radiografias específicas.

Com essas informações, define se a melhor opção será uma cirurgia aberta tradicional ou uma técnica percutânea e minimamente invasiva.

Nessa fase, também se ajustam medicamentos em uso, avalia-se a presença de doenças como diabetes, problemas vasculares ou reumatológicos e programam-se cuidados de segurança para o período de anestesia e pós-operatório.

2. Anestesia e preparo no centro cirúrgico

A cirurgia de joanete costuma ser feita com anestesia regional, que bloqueia a sensibilidade da perna e do pé, muitas vezes associada a sedação para maior conforto.

O paciente permanece deitado, com o pé apoiado e devidamente posicionado.

A região é higienizada de forma rigorosa e envolvida por campos estéreis. Em seguida, o cirurgião demarca os pontos de incisão ou os portais percutâneos que serão utilizados durante o procedimento.

3. Cirurgia aberta de joanete

Na técnica aberta, é feito um corte maior sobre a articulação do dedão.

O cirurgião expõe o osso e os tecidos moles, remove a proeminência óssea que forma o joanete e realiza cortes planejados no osso metatarsal, chamados osteotomias, para corrigir o eixo do dedão.

Esses cortes são reposicionados e fixados com parafusos ou pequenas placas, mantendo o osso na nova posição.

Em seguida, tendões, cápsula articular e ligamentos são ajustados para que o dedo permaneça alinhado. Por fim, o corte é fechado com pontos e um curativo é aplicado para proteger o local.

4. Cirurgia percutânea e minimamente invasiva

Na cirurgia percutânea do joanete, o trabalho é feito por microincisões na pele.

Por esses pequenos acessos entram os instrumentos e uma fresa motorizada, que permite remodelar o osso com bem menos agressão aos tecidos ao redor.

As osteotomias são guiadas por radioscopia, um tipo de raio X em tempo real que mostra a posição dos ossos durante todo o procedimento.

Depois de corrigir o alinhamento, o osso é estabilizado com parafusos específicos dessa técnica, colocados por dentro do osso, sem cabeça exposta.

Em muitos pacientes, isso se traduz em cicatrizes menores, menor irritação dos tecidos moles e recuperação mais rápida.

A indicação precisa ser avaliada caso a caso, porque nem todo joanete é candidato à técnica percutânea.

5. Curativo, imobilização e alta

Ao final da cirurgia de joanete, o pé é envolvido em curativos acolchoados, que ajudam a manter o dedo na posição correta e reduzem o inchaço.

Em grande parte dos casos, o paciente recebe alta no mesmo dia, com orientações detalhadas de cuidado em casa.

O uso de uma sandália ou bota pós-operatória é comum nas primeiras semanas, permitindo que o peso seja apoiado em uma área mais segura do pé, enquanto o osso consolida na nova posição.

Recuperação depois da cirurgia de joanete

A recuperação varia conforme a técnica utilizada e o perfil do paciente, mas seguem alguns pontos gerais que costumam fazer parte do pós-operatório da cirurgia de joanete:

  1. Dor e inchaço: mais intensos nos primeiros dias, controlados com analgésicos, gelo e elevação do pé.
  2. Apoio do pé: em muitos casos é possível apoiar com calçado especial logo nas primeiras semanas, sempre seguindo a orientação do médico.
  3. Pontos e curativo: a retirada dos pontos costuma acontecer entre 10 e 15 dias.
  4. Fisioterapia: indicada para recuperar mobilidade, força e padrão de marcha.
  5. Retorno ao trabalho: trabalhos de escritório podem ser retomados mais cedo, enquanto atividades que exigem longos períodos em pé ou esforço físico exigem prazo maior.

Calçados mais fechados e com bico normal podem ser usados somente depois que o inchaço reduz e o osso consolida, o que pode levar algumas semanas ou meses, conforme cada caso e o tipo de atividade.

Riscos e possíveis complicações da cirurgia de joanete

Toda cirurgia tem risco, inclusive a de joanete. Quando o caso é bem avaliado, a técnica é bem executada e o paciente segue direitinho o pós-operatório, complicações mais sérias tendem a ser pouco comuns.

  • Infecção da ferida operatória.
  • Rigidez ou limitação de movimento do dedão.
  • Dor residual ou sensibilidade prolongada.
  • Mau posicionamento ósseo ou recidiva da deformidade.
  • Problemas com o material de fixação, como irritação local.

Uma boa comunicação com o especialista, o respeito às orientações e o acompanhamento nas consultas ajudam a identificar cedo qualquer problema e a corrigir o que for necessário.

FAQs

A cirurgia de joanete dói muito?

Durante o procedimento você não sente dor, porque a região é anestesiada. No pós-operatório é comum haver desconforto nos primeiros dias, mas isso costuma ser bem controlado com analgésicos, gelo e elevação do pé.

Quanto tempo dura a cirurgia de joanete?

Na maior parte dos casos, a cirurgia de joanete dura entre 40 minutos e 2 horas, dependendo do grau da deformidade e da necessidade de corrigir mais de um osso ou ajustar outros dedos do pé.

Quando posso voltar a caminhar depois da cirurgia?

Em muitos casos, o paciente já sai do hospital caminhando com calçado pós-operatório específico. Caminhadas mais longas e sem proteção no pé são liberadas de forma gradual, de acordo com a consolidação óssea e orientação do especialista.

Qual a diferença entre cirurgia aberta e percutânea do joanete?

Na cirurgia aberta, o corte é maior e a articulação fica exposta. Na técnica percutânea, a cirurgia de joanete é feita por pequenos furos na pele, com menor agressão aos tecidos. Nem todo caso pode ser tratado por técnica percutânea, por isso a avaliação individual é essencial.

O joanete pode voltar depois da cirurgia?

A chance de recidiva existe, principalmente se a deformidade inicial era muito acentuada ou se fatores de risco permanecem, como uso frequente de sapatos apertados. Quando o planejamento é bem feito e o pós-operatório é respeitado, a taxa de retorno costuma ser baixa.

Dr. Bruno Air Machado da Silva

Ortopedista especialista em Pé e Tornozelo em Goiânia. Graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (2009-2011), com especialização em Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Universidade Federal de Goiás e estágio no Massachussets General Hospital, Harvard University (2017).

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