Cirurgia

Cirurgia de escoliose é perigosa?

Descubra se a cirurgia de escoliose é perigosa, os riscos possíveis e quando é indicada.

Quem recebe a indicação costuma travar na mesma pergunta: cirurgia de escoliose é perigosa?

A resposta honesta é que existe risco, sim, porque é uma cirurgia de coluna, com anestesia geral e uso de implantes. Só que “perigosa” não é sinônimo de “não fazer”.

Em muitos casos, o perigo maior é deixar a curva avançar, perder a função, piorar a dor e, em curvas muito grandes, até comprometer pulmões e outros órgãos.

O objetivo aqui é tirar o assunto do medo e colocar no lugar certo: informação prática para você decidir com mais segurança.

O que é escoliose?

Escoliose é um desvio da coluna que não acontece só “para o lado”. Ela envolve rotação das vértebras e alterações em mais de um plano, por isso, o corpo pode ficar assimétrico.

Em muitas pessoas, a escoliose existe e não causa dor relevante. Em outras, a curva progride e começa a pesar no dia a dia, na estética, no fôlego e no desempenho físico.

Ela pode aparecer na infância, na adolescência (muito comum no estirão) ou mais tarde, quando a coluna envelhece e os discos e articulações desgastam.

Causas da escoliose

Existem vários caminhos para a escoliose surgir. Os mais comuns são:

  • Idiopática: é a mais frequente, principalmente na adolescência, sem uma causa única comprovada.
  • Congênita: malformações vertebrais desde o nascimento, com risco maior de progressão.
  • Neuromuscular: associada a doenças neurológicas e musculares, com impacto maior em função e respiração.
  • Degenerativa: mais vista em adultos e idosos, ligada a desgaste, artrose e desbalanço da coluna.

Saber a origem muda tudo: muda o risco de evolução, muda a urgência do acompanhamento e muda o tipo de cirurgia quando ela entra em pauta.

Diagnóstico

O diagnóstico começa no exame físico e na observação de assimetrias: ombros em alturas diferentes, escápula mais “alta”, cintura desigual, quadril desalinhado.

Um teste clássico é o de inclinar o tronco para frente, que ajuda a enxergar a rotação e a giba costal.

Radiografias da coluna em pé são o básico para medir a curva (o número em graus é o que guia a conduta).

Em alguns casos, o médico pede exames adicionais para entender a maturidade óssea, avaliar disco, nervos ou investigar causas específicas.

O ponto aqui é simples: sem medir e acompanhar, você fica no achismo.

Sintomas de escoliose

Nem toda escoliose dói. Mesmo assim, alguns sinais merecem atenção, principalmente quando estão progredindo:

  • Dor nas costas que vira rotina e limita atividades.
  • Fadiga ao ficar em pé, caminhar ou sentar por muito tempo.
  • Assimetria corporal que aumenta com o tempo.
  • Sensação de “corpo torto” e dificuldade para se equilibrar.
  • Em curvas grandes, falta de ar e queda de resistência física.

Em adolescentes, muitas vezes o incômodo maior é estético e o risco principal é a progressão silenciosa, já em adultos, a dor costuma ser mais frequente, principalmente quando existe desgaste associado.

Quando a cirurgia de escoliose é necessária?

Cirurgia não é primeira opção automática. Ela entra quando o risco de piora e as consequências da curva passam a superar os riscos do procedimento.

Em linhas gerais, a conversa costuma ficar mais séria quando a curva se aproxima de 45 a 50 graus e continua progredindo, especialmente em jovens ainda em crescimento.

Em curvas menores, a cirurgia pode ser considerada se houver perda importante de função, dor difícil de controlar, alterações respiratórias, desequilíbrio do tronco ou impacto relevante na qualidade de vida.

Quando a curva está numa zona “cinza”, a decisão precisa ser individual: comparar evolução ao longo do tempo, sintomas, flexibilidade da curva, saúde geral e expectativa real do que a cirurgia pode entregar.

Cirurgia de escoliose

O procedimento mais comum é a correção com artrodese: o cirurgião alinha a coluna o máximo possível e promove a fusão de segmentos, usando parafusos, hastes e conectores (em geral de titânio) para manter a estabilidade enquanto ocorre a consolidação óssea.

Também pode haver enxerto ósseo para favorecer a fusão.

É uma cirurgia longa, que costuma levar algumas horas, e o tempo varia conforme o tipo de curva, o número de níveis operados e a complexidade do caso.

Em muitos casos, o foco não é “zerar a escoliose”, e sim corrigir o suficiente para interromper a progressão, melhorar alinhamento, reduzir assimetrias e devolver função. Expectativa alinhada evita frustração.

A cirurgia de escoliose é perigosa?

A cirurgia de escoliose é perigosa quando você ignora que existe risco e entra sem preparo, sem equipe experiente e sem planejamento.

Os riscos existem, só que a maioria é incomum quando o caso é bem conduzido. Os principais pontos que precisam estar na mesa são:

  • Sangramento: pode acontecer pela extensão da cirurgia, e em alguns casos exige transfusão.
  • Infecção: é um risco de qualquer cirurgia com implante. Prevenção, técnica e cuidados no pós operatório fazem diferença.
  • Complicações neurológicas: são raras, mas possíveis. Envolvem alteração de força, sensibilidade ou dor neuropática.
  • Pseudartrose: quando a fusão não consolida como deveria, podendo exigir nova abordagem.
  • Rigidez: como há fusão de segmentos, parte da mobilidade diminui. O impacto depende de quantos níveis foram fundidos e da rotina do paciente.
  • Riscos da anestesia e trombose: existem em qualquer cirurgia maior e são reduzidos com avaliação pré operatória e protocolos de prevenção.

O que mais influencia o risco não é só “a cirurgia em si”. É o conjunto: idade, estado clínico, qualidade do osso, tamanho e rigidez da curva, comorbidades (como diabetes), tabagismo, nutrição, adesão à fisioterapia e experiência da equipe.

Quando você organiza essas variáveis, o risco cai.

Cirurgia de escoliose: fazer ou não fazer?

Não existe uma resposta pronta. Em curvas grandes e progressivas, principalmente acima de 50 graus em jovens, adiar costuma se perder a janela e operar depois com mais complexidade.

Em curvas moderadas, a decisão depende de sintomas, evolução e impacto real na vida.

Se você está nessa dúvida, leve para a consulta em centro ortopédico especializado em coluna perguntas objetivas:

  1. Quanto minha curva mudou no último ano?
  2. Qual a chance de piorar?
  3. Qual o objetivo real da cirurgia no meu caso?
  4. Quantos níveis serão operados?
  5. Quais riscos são mais prováveis para mim? Qual o plano de reabilitação? Essa conversa bem feita é o que transforma medo em decisão.

Essa conversa bem feita é o que transforma medo em decisão!

FAQs

Cirurgia de escoliose é perigosa sempre?

Não. Ela tem riscos, mas em casos bem indicados e com equipe experiente, a maioria das pessoas evolui bem. “Perigosa” vira um rótulo que atrapalha a decisão.

Qual grau de escoliose costuma indicar cirurgia?

Com frequência, a indicação entra quando a curva está perto de 45 a 50 graus e continua piorando, principalmente em pacientes em crescimento. Em adultos, outros fatores também pesam.

Quanto tempo dura a cirurgia de escoliose?

Geralmente leva algumas horas. O tempo varia conforme a complexidade, número de níveis operados e tipo de curva.

A pessoa fica “travada” depois da artrodese?

Existe perda de mobilidade nos segmentos fundidos, mas isso não significa ficar travado. O impacto depende de quantas vértebras foram incluídas e do condicionamento na reabilitação.

Quais complicações são mais temidas?

As mais discutidas são infecção, sangramento, falha de fusão (pseudartrose) e risco neurológico. Elas são incomuns, mas precisam ser explicadas no seu caso.

Em Goiânia tem acompanhamento para escoliose?

Sim. O ideal é buscar avaliação com especialista em coluna em Goiânia para definir o grau, o risco de progressão e o melhor plano de tratamento.

Dá para fazer acompanhamento online?

Em muitos casos, o acompanhamento online ajuda a organizar exames, orientar cuidados e planejar condutas. A definição final e o exame físico podem exigir consulta presencial.

Dr. Aurélio Felipe Arantes

Especialista em ortopedia de coluna em Goiânia. Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC). Preceptor do Departamento de Ortopedia e Traumatologia do HC-UFG e membro da diretoria da SBOT Goiás.

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