Doenças

Doença de Scheuermann: causas, diagnóstico e tratamento

Entenda o que é, sinais de alerta e como tratar a doença de Scheuermann.

A doença de Scheuermann é uma alteração do crescimento das vértebras que pode levar a uma curvatura mais acentuada no meio das costas, geralmente na região torácica.

O resultado costuma ser uma postura mais arredondada, com “corcunda” mais rígida do que a cifose postural comum.

Em muitos casos, o quadro aparece na adolescência, fase em que a coluna cresce rápido e pequenas diferenças de crescimento entre a parte da frente e a parte de trás das vértebras ficam mais evidentes.

Doença de Scheuermann: qual a causa

A causa exata da doença de Scheuermann não é totalmente definida.

O que se observa, na prática, é um conjunto de fatores que favorece o encunhamento das vértebras (vértebras em formato de cunha) e irregularidades nas placas terminais.

Existe um componente familiar em parte dos pacientes, sugerindo predisposição genética. Também há hipóteses relacionadas à inflamação local e alterações do processo de ossificação durante o crescimento.

Sinais e sintomas mais comuns

Alguns pacientes percebem só a mudança da postura, notada por pais e professores, sem dor relevante.

Outros relatam desconforto torácico, principalmente após ficar muito tempo sentado, carregar mochila pesada ou praticar esportes com carga mal distribuída. Os sintomas mais relatados são:

  • Postura arredondada e “giba” torácica mais marcada;
  • Rigidez no meio das costas, com dificuldade para “endireitar”;
  • Dor nas costas de intensidade variável;
  • Fadiga muscular após esforço;
  • Encurtamento de peitorais e isquiotibiais, com sensação de “travamento”.

Em curvas muito altas, pode existir redução da expansão torácica e desconforto respiratório ao esforço.

Esse cenário é menos comum e geralmente aparece em deformidades mais acentuadas, quando a avaliação especializada é ainda mais importante.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da doença de Scheuermann começa com história clínica e exame físico. O ortopedista observa a postura em pé, a mobilidade da coluna, o padrão de rigidez e a presença de dor à palpação.

Um teste frequente no consultório é a flexão anterior do tronco (Teste de Adams), útil para diferenciar uma cifose rígida de uma alteração predominantemente postural.

A confirmação é feita com radiografias da coluna, que permitem medir o ângulo da cifose (ângulo de Cobb), avaliar o encunhamento vertebral e identificar sinais associados, como irregularidades das placas terminais e nódulos de Schmorl.

Radiografias em diferentes posições podem ajudar a avaliar a flexibilidade da curva e guiar a conduta, principalmente em quem ainda está em crescimento.

Tratamento

O objetivo do tratamento é reduzir os sintomas, melhorar a função e impedir a progressão da curvatura durante o crescimento.

A doença de Scheuermann não tem “cura” no sentido de apagar a alteração vertebral já formada, mas o controle costuma ser muito bom quando o plano é bem indicado e seguido.

Tratamento conservador

Em curvas mais leves, com pouca dor e menor risco de progressão, a conduta envolve acompanhamento periódico e reabilitação.

A fisioterapia foca em fortalecer a musculatura extensora da coluna e core, melhorar o controle postural e alongar as cadeias encurtadas (peitorais e isquiotibiais).

Ajustes de ergonomia, pausas durante o estudo e progressão adequada de treino ajudam a reduzir sobrecarga.

Colete

Quando a curva é moderada e o paciente ainda está em fase de crescimento, o colete pode ser indicado para conter a progressão e, em alguns casos, melhorar o alinhamento.

O resultado depende de indicação correta, tipo de órtese, tempo de uso diário e aderência.

O acompanhamento com equipe experiente em uma clínica ortopédica evita o uso inadequado, desconforto desnecessário e expectativas fora da realidade.

Cirurgia

A cirurgia é reservada para uma minoria, geralmente em curvas muito acentuadas, dor persistente que não melhora com tratamento bem conduzido, progressão importante ou impacto funcional relevante.

O procedimento busca corrigir a deformidade e estabilizar a coluna com implantes, com reabilitação estruturada no pós-operatório.

A decisão é individual, após avaliação detalhada de risco, benefício e objetivos do paciente.

O que piora o quadro no dia a dia

Alguns hábitos aumentam a sobrecarga e dificultam o controle dos sintomas. Vale atenção para:

  • Sedentarismo, com fraqueza do core e das costas;
  • Treino de força sem técnica, com cargas altas e pouca supervisão;
  • Muitas horas sentado sem pausas e sem ajuste de cadeira e tela;
  • Ganho de peso sem fortalecimento muscular proporcional;
  • Tabagismo, que prejudica a qualidade óssea e recuperação tecidual.

Quem convive com doença de Scheuermann normalmente melhora quando combina rotina de exercícios bem orientados, regularidade na fisioterapia, sono adequado e retorno periódico para reavaliação, especialmente durante o estirão.

FAQs

A doença de Scheuermann é só má postura?

Não. A doença de Scheuermann envolve alterações estruturais nas vértebras, com cifose mais rígida. A postura pode piorar o aspecto, mas não explica sozinha o encunhamento vertebral visto na radiografia.

Qual exame confirma a doença de Scheuermann?

Radiografias da coluna são a base do diagnóstico, pois medem o ângulo de Cobb e mostram sinais típicos nas vértebras. O exame físico orienta a suspeita e define a necessidade de imagens.

O colete sempre resolve?

O colete ajuda quando há crescimento em andamento e indicação correta. O efeito depende do grau da curva, do tipo de órtese e do tempo de uso. Em quem já terminou de crescer, o benefício tende a ser menor.

Quem tem dor precisa operar?

Na maioria, não. Dor costuma melhorar com reabilitação, fortalecimento e ajustes de rotina. Cirurgia fica para casos selecionados, quando há deformidade importante ou sintomas persistentes com tratamento bem feito.

Dormir de lado é ruim para a cifose?

Não existe uma posição única “certa”. Muitos pacientes se sentem bem de lado. O mais importante é um colchão em bom estado e travesseiro que mantenha o pescoço alinhado.

Dr. Aurélio Felipe Arantes

Especialista em ortopedia de coluna em Goiânia. Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC). Preceptor do Departamento de Ortopedia e Traumatologia do HC-UFG e membro da diretoria da SBOT Goiás.

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