Epifisiólise do Quadril: Sintomas, Causas e Tratamento
Veja como identificar a epifisiólise do quadril e quais são os tratamentos.
Dor no joelho em um adolescente nem sempre começa no joelho.
Quando o incômodo aparece junto de mancar, dificuldade para movimentar o quadril ou mudança no jeito de caminhar, uma das condições que precisa ser investigada é a epifisiólise do quadril.
Essa alteração surge durante a fase de crescimento e pode evoluir de maneira discreta.
O jovem pode continuar suas atividades por algum tempo, atribuindo a dor a esporte, esforço ou uma pequena pancada.
O que é epifisiólise do quadril?
Na infância e na adolescência, o fêmur ainda possui uma área de crescimento próxima à cabeça femoral. Essa região, chamada fise ou placa de crescimento, é menos resistente que o osso já amadurecido.
Na epifisiólise, ocorre um deslizamento entre a cabeça do fêmur e o restante do segmento proximal do osso. A alteração muda o alinhamento do quadril e pode comprometer sua mecânica.
O problema é mais comum na adolescência e a evolução acontece durante períodos de crescimento rápido.
Não é necessário existir uma queda importante. Em muitos pacientes, a mudança ocorre aos poucos, durante semanas ou meses.
Em que idade costuma aparecer?
A epifisiólise do quadril é típica de jovens que ainda não encerraram o crescimento ósseo, com maior frequência entre 12 e 15 anos nos meninos e entre 11 e 14 anos nas meninas.
Quais são os principais sintomas?
Nem sempre a dor aponta diretamente para o quadril. Alguns adolescentes procuram atendimento por dor na coxa ou no joelho e não relatam desconforto intenso na virilha.
Entre os sinais mais comuns, destacam-se:
- Dor na virilha, quadril, coxa ou joelho;
- Mancar ao caminhar;
- Piora do incômodo após atividade física;
- Dificuldade para correr;
- Redução da mobilidade do quadril;
- Pé da perna afetada mais voltado para fora;
- Sensação de rigidez;
- Dificuldade ou incapacidade para apoiar o peso na perna nos quadros mais graves.
Durante o exame físico, é comum encontrar perda da rotação interna do quadril. A perna também pode girar para fora quando o quadril é flexionado.
Dor no joelho pode ser epifisiólise?
Pode. A dor referida para o joelho é uma apresentação conhecida da epifisiólise proximal do fêmur. O adolescente pode apontar o joelho como local principal do incômodo mesmo quando a alteração está no quadril.
Um ortopedista especialista em quadril em Goiânia pode avaliar o padrão da dor, a mobilidade, a marcha e o histórico de crescimento para decidir quais exames são necessários, evitando que a investigação fique restrita ao ponto onde o adolescente sente o sintoma.
Por que a epifisiólise acontece?
Não existe uma única causa capaz de explicar todos os casos. A fase de crescimento rápido torna a placa de crescimento mais vulnerável, e fatores mecânicos e biológicos podem participar do processo.
O excesso de peso aparece entre os fatores de risco mais relevantes. Um estudo de coorte publicado em Pediatrics encontrou aumento expressivo do risco de SCFE em crianças com obesidade grave.
Outros fatores descritos:
- Sexo masculino;
- Crescimento acelerado na puberdade;
- Histórico familiar;
- Hipotireoidismo e outras alterações endócrinas;
- Doença renal;
- Tratamento prévio com radiação em situações específicas;
- Características anatômicas que aumentam o estresse sobre a placa de crescimento.
Epifisiólise estável e instável
Uma classificação bastante usada considera a capacidade de apoiar o peso na perna afetada.
Na epifisiólise estável, o adolescente ainda consegue ficar em pé ou caminhar, mesmo que precise de muletas.
Já na epifisiólise instável, não é possível sustentar o peso sobre o membro, nem com auxílio. Esse quadro apresenta maior risco de complicações, especialmente problemas no suprimento sanguíneo da cabeça femoral.
Como é feito o diagnóstico?
A suspeita começa pela história clínica e pelo exame do quadril. O médico observa a marcha, pesquisa onde a dor aparece e avalia a amplitude dos movimentos.
A radiografia da bacia é o exame central para confirmar o deslizamento. Um estudo publicado na Revista Brasileira de Ortopedia destaca a radiografia simples como método de escolha para o diagnóstico e para a avaliação do ângulo de Southwick, usado na análise do grau de deslizamento.
Quando a radiografia não esclarece um caso muito inicial e a suspeita clínica continua alta, a ressonância magnética pode mostrar alterações ao redor da placa de crescimento.
Epifisiólise do quadril tem tratamento?
Sim. Quando o diagnóstico é confirmado, o objetivo inicial é impedir que o deslizamento continue. O tratamento é cirúrgico.
Nos quadros estáveis e com menor deformidade, uma das técnicas mais utilizadas é a fixação in situ. Um parafuso é colocado atravessando a placa de crescimento para estabilizar a cabeça femoral e evitar nova progressão.
Casos instáveis ou com deformidade mais importante podem exigir outras estratégias. A escolha depende da estabilidade, do grau do deslizamento e da anatomia local.
Precisa operar rápido?
Depois da confirmação diagnóstica, o adolescente não deve continuar apoiando peso livremente sobre o membro afetado. A conduta precisa ser definida sem demora, principalmente quando existe instabilidade.
O tratamento precoce oferece melhor oportunidade de estabilizar o quadril e reduzir o risco de danos futuros.
Procurar um centro ortopédico com equipe altamente qualificada ganha relevância nesse cenário porque a decisão envolve avaliar estabilidade, intensidade do deslizamento, condição do outro quadril e possíveis fatores clínicos associados.
O outro quadril também pode ter o problema?
Sim. A epifisiólise pode ser bilateral. O segundo quadril pode apresentar alteração já na primeira avaliação ou desenvolver o problema meses depois.
Estudos apontam maior atenção para jovens com baixa maturidade esquelética, alterações endócrinas, doença renal ou histórico de radioterapia.
Em alguns perfis de maior risco, o especialista pode discutir fixação preventiva do quadril ainda sem sintomas. A decisão considera idade, crescimento restante e características individuais.
Quais complicações podem ocorrer?
O risco de complicações varia conforme a estabilidade, o grau de deformidade e o momento do tratamento.
Entre os problemas possíveis estão:
- Osteonecrose da cabeça femoral;
- Condrólise;
- Diferença no comprimento dos membros;
- Impacto femoroacetabular;
- Limitação persistente de movimento;
- Desgaste precoce da articulação.
A deformidade residual pode mudar o contato entre a cabeça e o colo do fêmur, favorecendo impacto durante certos movimentos e dano progressivo à cartilagem.
Como é a recuperação?
A recuperação varia conforme o tipo de epifisiólise e a técnica usada. Nas primeiras fases, deve haver restrição de carga e uso de muletas. O avanço do apoio depende das radiografias e da orientação médica.
O acompanhamento verifica a posição da fixação, a mobilidade do quadril e o estado do lado contralateral. O retorno ao esporte só deve ocorrer após liberação médica.
Quando desconfiar de epifisiólise?
Merecem avaliação ortopédica: adolescente que começa a mancar sem motivo claro, dor persistente no quadril, na virilha ou coxa, dor no joelho associada á alteração da marcha e perda progressiva da mobilidade do quadril.
Se o jovem não consegue apoiar o pé no chão ou apresenta dor forte de início súbito, a avaliação deve ser urgente.
Reconhecer a epifisiólise do quadril cedo faz diferença porque o deslizamento pode aumentar enquanto a placa de crescimento permanece aberta.
Um diagnóstico em fase menos avançada tende a facilitar a estabilização e a preservar melhor a mecânica da articulação.
Perguntas frequentes
Epifisiólise do quadril tem cura?
O deslizamento pode ser estabilizado cirurgicamente, impedindo sua progressão. O resultado depende do grau da lesão, da estabilidade do quadril e da presença de complicações. Casos identificados cedo costumam ter perspectiva funcional melhor.
Epifisiólise do quadril pode causar dor só no joelho?
Sim. Alguns adolescentes apresentam dor no joelho ou na coxa sem queixa marcante no quadril. Dor persistente no joelho acompanhada de mancar merece avaliação do quadril.
Todo caso de epifisiólise precisa de cirurgia?
Quando a epifisiólise é confirmada, a estabilização cirúrgica é o tratamento indicado para impedir que a cabeça femoral continue se deslocando.
A epifisiólise pode acontecer nos dois quadris?
Pode. Alguns pacientes apresentam comprometimento bilateral, simultâneo ou em momentos diferentes. O quadril sem sintomas precisa ser acompanhado durante o crescimento.
O adolescente pode voltar a praticar esporte?
Em muitos casos, sim, após a recuperação e a liberação médica. O retorno depende da cicatrização, da mobilidade, da força e das condições observadas nos exames de acompanhamento.



