Joelho

Perna de Alicate: Entenda as Causas e Tratamentos

Entenda o que é o parto com o uso do fórceps, conhecido como "perna de alicate", os cuidados no pós-parto e a recuperação tanto para a mãe quanto para o bebê.

Perna de alicate é o nome popular do joelho varo, quando os joelhos ficam mais afastados mesmo com os pés unidos.

Em muitos bebês e crianças pequenas, esse alinhamento faz parte do crescimento e tende a melhorar sozinho.

Ainda assim, alguns casos fogem do padrão esperado e precisam de avaliação. Entender o que é normal por idade ajuda a evitar tanto a ansiedade quanto o atraso no diagnóstico.

O que é perna de alicate

No joelho varo, o eixo da perna fica mais voltado para dentro na região do joelho. Com isso, a parte interna da articulação recebe mais carga, o que pode sobrecarregar cartilagem e menisco.

Em crianças, a aparência pode ser apenas uma fase do desenvolvimento. Em outros cenários, a curvatura progride e resulta em um problema ortopédico.

Como o alinhamento das pernas muda na infância

Nos primeiros meses após começar a ficar em pé, é comum observar mais arqueamento. Depois, o alinhamento caminha para uma fase oposta, com joelhos mais próximos (pernas em X).

De forma geral, o varo diminui até perto dos 18 a 24 meses, o valgo atinge pico por volta dos 3 a 4 anos, e o alinhamento se aproxima do padrão adulto perto dos 7 anos.

Esse “vai e volta” é esperado e normalmente é simétrico.

Quando o desalinhamento exige atenção

Alguns sinais sugerem que não se trata apenas de uma variação do crescimento. Nesses casos, vale conversar com um ortopedista, de preferência com experiência em ortopedia pediátrica.

Sinais de alerta comuns:

  • Assimetria entre as pernas, uma curva mais que a outra.
  • Piora progressiva após os 2 anos.
  • Dor persistente no joelho, tornozelo ou na perna.
  • Claudicação, tropeços frequentes ou dificuldade para correr.
  • Histórico familiar de deformidades, baixa estatura ou outras alterações de crescimento.
  • Curvatura muito acentuada, com impacto na postura.

Principais causas

Quando a curvatura foge do padrão fisiológico, o médico costuma investigar causas específicas. Em geral, elas envolvem crescimento ósseo, metabolismo do cálcio e da vitamina D, ou sequelas de traumas.

Genu varo fisiológico

É o mais comum nos primeiros anos de vida. Ele costuma ser leve, simétrico e melhora gradualmente conforme a criança cresce.

Doença de Blount (tíbia vara)

É uma alteração do crescimento da tíbia próxima ao joelho. A curvatura pode ser mais marcada, progressiva e, em alguns casos, associada a sobrepeso ou início precoce da marcha.

Raquitismo e outras alterações metabólicas

A deficiência de vitamina D pode prejudicar a mineralização óssea e favorecer deformidades, incluindo pernas arqueadas.

O médico pode pedir exames para avaliar vitamina D, cálcio e outros marcadores, conforme o quadro.

Outras causas

Traumas com lesão da placa de crescimento, infecções ósseas e algumas condições genéticas também entram no diagnóstico diferencial. Por isso, a avaliação individual é tão importante.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico em uma clínica ortopédica com abordagem individualizada combina história clínica, exame físico e, quando necessário, exames complementares.

O objetivo é diferenciar variações do crescimento de causas que precisam de tratamento.

Avaliação clínica

O ortopedista observa a marcha, mede o alinhamento e avalia simetria, rotação dos membros e amplitude de movimento.

Em alguns casos, ele estima o ângulo tíbiofemoral e compara com o esperado para a idade.

Exames de imagem

Radiografias podem ser solicitadas quando há sinais de alerta, assimetria ou progressão.

Dependendo da suspeita, a equipe de ortopedistas dedicada à investigação clínica pode pedir imagens com apoio, para avaliar o eixo do membro e a região da placa de crescimento.

Exames laboratoriais

Quando existe suspeita de raquitismo ou outra condição metabólica, exames de sangue ajudam a orientar a conduta. O tratamento depende do diagnóstico, não apenas da aparência da perna.

Tratamentos: da observação à cirurgia

O melhor tratamento depende da idade, do padrão de evolução e da causa. Em muitos casos, acompanhar bem é mais útil do que intervir cedo demais.

Acompanhamento e medidas gerais

No genu varo fisiológico, o plano costuma ser observação com reavaliações periódicas. O médico acompanha a evolução do alinhamento, além de crescimento e marcha.

Orientações simples podem ajudar, como manter atividade física adequada à idade e cuidar do peso. Isso reduz sobrecarga articular e melhora função.

Órteses, palmilhas e fisioterapia: quando fazem sentido

Em varo fisiológico, palmilhas e órteses geralmente não mudam o curso natural do alinhamento. Mesmo assim, fisioterapia pode ser indicada se houver fraqueza, dor, ou alteração funcional na marcha.

Em situações específicas, como alguns casos iniciais de doença de Blount, o especialista pode considerar órtese como parte do tratamento. A indicação depende de idade e gravidade.

Cirurgias mais usadas

A cirurgia entra em cena quando a deformidade persiste em idade maior, progride, causa dor, ou compromete a função.

Em crianças em crescimento, técnicas de “guiar” o crescimento podem corrigir aos poucos, como a hemiepifisiodese.

Em deformidades maiores, a osteotomia pode realinhar o osso para redistribuir melhor a carga no joelho. O ortopedista define a técnica conforme o tipo de desalinhamento e o potencial de crescimento.

Perna de alicate em adultos

No adulto, o joelho varo geralmente está ligado a desgaste do compartimento interno do joelho, com dor ao caminhar e piora com carga.

A avaliação também considera menisco, cartilagem e estabilidade ligamentar.

O tratamento pode incluir fortalecimento, ajustes de atividade, controle de peso e medidas para dor.

Em casos selecionados, a osteotomia ajuda a redistribuir carga e adiar procedimentos maiores, e a prótese de joelho pode ser indicada quando o desgaste é avançado.

Possíveis complicações sem acompanhamento

Quando a deformidade é significativa e não é acompanhada, a sobrecarga pode acelerar o desgaste da cartilagem, aumentando o risco de artrose, dor crônica e limitação para atividades do dia a dia.

Em crianças, atrasar o diagnóstico de causas como doença de Blount ou raquitismo pode tornar a correção mais difícil. Por isso, sinais de alerta merecem avaliação.

Perguntas frequentes

Perna de alicate é normal até que idade?

Em muitos bebês e crianças pequenas, o joelho varo aparece nos primeiros passos e tende a melhorar até perto de 18 a 24 meses. Depois, é comum o alinhamento migrar para uma fase de joelho valgo por alguns anos. O importante é observar se a curva melhora com o tempo e se é simétrica. Se houver piora após 2 anos ou assimetria, procure avaliação.

Palmilha ou órtese corrige perna de alicate?

Em varo fisiológico, palmilhas e órteses costumam ter pouco efeito sobre a correção do alinhamento. O corpo geralmente corrige sozinho dentro do padrão de crescimento. Já em alguns casos iniciais de doença de Blount, o especialista pode indicar órtese como parte do tratamento, conforme idade e gravidade. A decisão deve ser individual e baseada em diagnóstico.

Quando a cirurgia é indicada?

A cirurgia é considerada quando o desalinhamento persiste em idades maiores, progride, causa dor ou limita a função. Em crianças com crescimento ativo, técnicas para guiar o crescimento podem corrigir gradualmente. Em deformidades mais importantes, a osteotomia realinha o osso e redistribui melhor a carga no joelho. O ortopedista decide após exame e, muitas vezes, radiografias.

Como o médico confirma se é joelho varo patológico?

O ortopedista avalia história, exame físico, simetria e progressão ao longo do tempo. Quando há sinais de alerta, ele pode pedir radiografias para medir o eixo do membro e observar a região da placa de crescimento. Se suspeitar de causa metabólica, exames laboratoriais ajudam a investigar vitamina D e outros marcadores. A combinação desses dados define se é fisiológico ou patológico.

Perna de alicate em adultos tem tratamento?

Sim, e o plano depende da causa e do nível de desgaste no joelho. Muitos casos melhoram com fortalecimento, controle de peso, adaptação de atividades e medidas para dor. Quando há sobrecarga importante no lado interno e artrose localizada, a osteotomia pode ajudar a redistribuir carga. Em artrose avançada, a prótese pode ser uma opção, após avaliação especializada.

Dr. Ulbiramar Correia

Especialista em ortopedia de joelho, CRM/GO 11552, SBOT 12166 e RQE 7240. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ), Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma Esportivo (SBRATE) e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

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