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Cirurgia de ligamento do tendão do ombro: saiba como é

Conheça os detalhes da cirurgia de ligamento do tendão do ombro, o tempo de recuperação e a importância da fisioterapia para restaurar os movimentos com segurança.

Dor ao levantar o braço, perda de força e dificuldade para dormir de lado são queixas comuns em lesões do ombro.

Em muitos casos, o problema envolve os tendões do manguito rotador e estruturas que estabilizam a articulação, como cápsula e ligamentos.

A cirurgia de ligamento do tendão do ombro costuma ser considerada quando há ruptura importante, instabilidade ou quando o tratamento conservador não melhora os sintomas.

O objetivo é aliviar a dor, recuperar função e evitar piora da lesão.

Ligamentos e tendões do ombro: o que são

Ligamentos são faixas de tecido resistente que conectam os ossos entre si e ajudam a manter a estabilidade da articulação.

No ombro, eles trabalham junto com a cápsula articular para evitar sair do lugar e controlar os movimentos extremos.

Tendões conectam músculos aos ossos. No ombro, o grupo mais conhecido é o manguito rotador, formado por tendões que ajudam a levantar e girar o braço e estabilizam a cabeça do úmero na glenoide.

Na prática, muita gente fala em lesão do tendão do ombro para se referir a problemas do manguito rotador.

Já lesão de ligamento pode aparecer em quadros de instabilidade e luxação, quando há dano do labrum e da cápsula.

O que pode causar lesões nos tendões e ligamentos do ombro

As causas variam, mas geralmente entram em três grupos: desgaste ao longo do tempo, sobrecarga repetitiva e trauma.

Entre as causas mais comuns, destacamos:

  • Degeneração do tendão com a idade.
  • Movimentos repetitivos acima da cabeça (trabalho, esporte).
  • Quedas e impactos (rupturas traumáticas).
  • Inflamações e tendinites que evoluem com o tempo.
  • Conflito subacromial, com irritação do tendão sob o acrômio.
  • Episódios de luxação, com estiramento de cápsula e ligamentos.

Alguns fatores aumentam o risco de piora e recidiva, como tabagismo, diabetes mal controlado, retorno precoce ao esforço e reabilitação inadequada.

Sinais e sintomas mais comuns

Nem toda dor no ombro é ruptura de tendão. Ainda assim, alguns sintomas merecem atenção, principalmente quando limitam o dia a dia.

Os mais frequentes:

  • Dor ao elevar o braço ou ao pegar peso.
  • Dor noturna, especialmente para dormir sobre o ombro afetado.
  • Perda de força (ex: dificuldade para pentear o cabelo).
  • Estalos e sensação de “falha” ao movimentar.
  • Rigidez progressiva.
  • Após luxação: sensação de instabilidade ou medo de deslocar de novo.

Se houve trauma e o braço ficou fraco de repente, vale consultar uma clínica de ortopedia para diagnosticar e tratar mais cedo.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico combina história clínica, exame físico e exames de imagem. O ortopedista avalia a amplitude de movimento, força, sinais de impacto, instabilidade e outros testes específicos.

A equipe de ortopedistas especialistas em patologias de ombro pode solicitar:

  • Radiografia: ajuda a ver alterações ósseas e esporões.
  • Ultrassom: útil para avaliar tendões e bursas, dependendo do caso.
  • Ressonância magnética: detalha tendões, músculos, labrum e tamanho da lesão.

O melhor exame depende do que se suspeita. Dor no ombro pode vir também de bursite, capsulite adesiva, artrose, lesões labrais e problemas cervicais.

Quando a cirurgia de ligamento do tendão do ombro é indicada

A indicação é individual. Em geral, tenta-se primeiro o tratamento conservador para tendão no ombro quando a lesão é parcial ou quando o quadro é degenerativo e ainda preserva a função.

A cirurgia costuma entrar mais em pauta quando:

  • Há ruptura completa ou extensa com perda de força e função.
  • A lesão foi traumática (ex: queda) e limita muito o movimento.
  • A dor persiste apesar de fisioterapia e medidas clínicas bem conduzidas.
  • Existe instabilidade recorrente (luxações ou subluxações repetidas).
  • A imagem mostra piora da lesão ou risco de retração importante do tendão.

Também contam fatores como idade, nível de atividade, tipo de trabalho, tamanho da lesão e qualidade do tendão e do músculo.

Como é a cirurgia

A cirurgia pode ser feita de forma aberta (com incisão maior) ou por videoartroscopia, que é a artroscopia do ombro com pequenas incisões e uma câmera.

A escolha depende do tipo de lesão, da extensão e do que precisa ser reparado.

Videoartroscopia

Na artroscopia, o cirurgião faz pequenas incisões, introduz a câmera e instrumentos e realiza o reparo guiado por vídeo. É comum utilizar âncoras e fios para fixar o tendão ao osso quando há ruptura.

Durante o procedimento, também pode ser necessário:

  • Limpar o tecido inflamado (bursa).
  • Regularizar lesões associadas.
  • Tratar esporões e realizar descompressão subacromial, quando indicado.
  • Reparar labrum e cápsula em casos de instabilidade.

Cirurgia aberta

Na cirurgia aberta, é feita uma incisão maior e o acesso direto permite reparar estruturas com visualização ampla.

Em alguns casos, pode ser indicada quando a ruptura é muito extensa, quando há necessidade de procedimentos adicionais ou quando a técnica aberta é mais adequada ao problema.

Não existe melhor técnica para todos. O mais importante é a indicação correta e um plano de reabilitação bem estruturado.

Anestesia e internação

Muitas cirurgias do ombro são feitas com anestesia geral associada a bloqueio regional para controle da dor.

O tempo de internação varia, mas pode ser no mesmo dia ou com alta no dia seguinte, conforme o caso e a orientação do hospital.

Riscos e possíveis complicações

Toda cirurgia tem riscos. A equipe médica avalia os fatores individuais e orienta como reduzir complicações.

Possíveis complicações:

  • Rigidez e perda de mobilidade (principalmente sem reabilitação adequada).
  • Falha do reparo e nova ruptura do tendão.
  • Infecção (rara, mas importante).
  • Dor persistente ou inflamação prolongada.
  • Lesão de nervos ou vasos (rara).
  • Trombose, em situações específicas.

Seguir as orientações do cirurgião e da fisioterapia faz diferença direta no resultado.

Pós-operatório: etapas da recuperação

A recuperação é gradual. O cronograma muda conforme o tamanho da lesão, técnica usada e resposta individual, mas geralmente segue fases.

Fase 1: proteção do reparo (primeiras 4 a 6 semanas)

Geralmente há uso de tipóia e restrição de movimentos. O foco é proteger o tendão ou a cápsula reparada e controlar a dor.

Cuidados comuns:

  • Gelo conforme orientação.
  • Higiene e curativos conforme prescrição.
  • Movimentos leves de mão, punho e cotovelo.
  • Exercícios guiados, se liberados (muitas vezes passivos).

Fase 2: ganho de mobilidade (aprox. 6 a 12 semanas)

Com liberação médica, a tipóia é reduzida e a fisioterapia avança para recuperar a amplitude de movimento, ainda com cautela.

Nesta fase, costuma haver:

  • Progressão de movimentos ativos assistidos para ativos.
  • Trabalho de postura e escápula.
  • Retorno gradual a tarefas leves, conforme dor e controle.

Fase 3: fortalecimento e retorno funcional (3 a 6 meses ou mais)

O foco passa a ser força, resistência e coordenação. Retorno a esporte, academia e trabalho pesado costuma ser mais tardio.

Em geral:

  • Atividades do dia a dia melhoram antes da força completa.
  • Esporte com impacto ou arremesso pode exigir mais tempo.
  • O retorno é decidido por evolução clínica e reavaliações.

Cuidados que ajudam na recuperação

Algumas atitudes simples facilitam o pós-operatório e reduzem o risco de rigidez ou falha do reparo.

Boas práticas:

  1. Fazer fisioterapia no ritmo orientado, sem “pular etapas”.
  2. Evitar levantar peso antes de ser liberado.
  3. Manter boa postura ao sentar e usar celular.
  4. Seguir corretamente o uso de tipóia e medicamentos.
  5. Dormir em posição mais confortável (muitas pessoas preferem semi-sentado no início).
  6. Avisar o médico se houver piora súbita da dor, perda de sensibilidade ou febre.

Quando procurar atendimento rapidamente

Procure orientação médica com prioridade se houver:

  • Febre, calafrios ou secreção no local da cirurgia.
  • Vermelhidão que aumenta e calor local importante.
  • Dor fora do esperado que não melhora com a medicação prescrita.
  • Falta de ar, dor no peito ou inchaço importante no braço.
  • Dormência, formigamento intenso ou fraqueza progressiva.

Esses sinais não significam, por si só, uma complicação grave, mas precisam de avaliação.

Perguntas frequentes

A cirurgia dói muito?

É comum ter dor nos primeiros dias. O controle costuma envolver medicações e, em muitos casos, bloqueio anestésico feito durante o procedimento. A dor tende a reduzir com as semanas, mas pode variar.

Quanto tempo vou usar tipóia?

Em muitos reparos de tendão, a tipóia é usada por algumas semanas, frequentemente entre 4 e 6, mas isso muda conforme a lesão e o tipo de reparo.

Quando começo a fisioterapia?

Alguns protocolos iniciam exercícios bem precoces, ainda nas primeiras semanas, com movimentos passivos ou guiados. Em outros, a progressão é mais lenta. O cirurgião define o melhor plano.

Em quanto tempo posso dirigir?

Muitas pessoas só voltam a dirigir quando estão sem tipóia e com controle suficiente do braço, o que pode levar várias semanas. A liberação depende de segurança e do tipo de cirurgia.

Existe risco de a lesão voltar?

Sim. O risco depende de fatores como tamanho da ruptura, qualidade do tendão, tabagismo, diabetes, retorno precoce ao esforço e adesão à reabilitação.

Dá para evitar cirurgia?

Em alguns casos, sim. Lesões parciais, quadros degenerativos menos limitantes e dor por inflamação podem melhorar com fisioterapia, ajustes de atividade e tratamento clínico. A avaliação define o melhor caminho.

Dr. Thiago Barbosa Caixeta

Especialista em cirurgia minimamente invasiva de ombro e cotovelo em Goiânia, CRM/GO 1329, SBOT e RQE 8070. Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC), Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE) e Sociedade Latinoamericana de Artroscopia e Reconstrução Articular Traumato Desportiva (SLARD).

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