Pé e Tornozelo

Artrose do tornozelo: causas, sintomas e tratamento

Veja como identificar a artrose do tornozelo, aliviar a dor e escolher o melhor tratamento com seu ortopedista.

Quando o tornozelo desenvolve artrose, o primeiro ponto afetado costuma ser a cartilagem, que é o “revestimento” liso entre os ossos.

A proposta aqui é mostrar de forma objetiva o que acontece dentro dessa articulação, quais situações favorecem a artrose do tornozelo, como o diagnóstico é estabelecido e que tipos de tratamento podem ser discutidos em cada fase.

O que é artrose do tornozelo

O tornozelo suporta muita carga toda vez que você dá um passo. Quando a cartilagem que reveste essa articulação se desgasta, perde a função de amortecer e o osso fica mais exposto.

O atrito aumenta, surge inflamação, dor, inchaço e o movimento trava. Em fases mais avançadas, até caminhar em terreno plano ou ficar algum tempo em pé pode se tornar bem incômodo.

Causas

Nem sempre a artrose aparece “do nada”. Em muitos pacientes, é possível identificar um evento que marcou o início do problema ou um conjunto de fatores que, somados, levaram ao desgaste.

Entre as causas mais comuns, destacamos:

  • Fraturas antigas do tornozelo, principalmente quando a articulação ficou um pouco desalinhada.
  • Instabilidade crônica do tornozelo, com torções repetidas ao longo dos anos.
  • Sobrecarga excessiva decorrente de atividades esportivas intensas, trabalho em pé por muito tempo ou uso de calçados inadequados.
  • Doenças de origem inflamatória.
  • Infecções que atingiram a articulação em algum momento da vida.

Os especialistas costumam classificar o problema em dois grandes grupos:

  1. Na artrose primária, o desgaste está ligado ao envelhecimento natural da cartilagem, com perda gradual de qualidade do tecido ao longo dos anos.
  2. Já a artrose secundária aparece como consequência de outra condição, como fratura, instabilidade, doença reumática ou infecção prévia na articulação.

Sintomas mais comuns

A queixa principal é dor no tornozelo. Em fases iniciais, o incômodo pode surgir após caminhadas mais longas, subidas, descidas ou atividades de impacto, e melhorar com repouso.

Com o tempo, outros sinais tendem a aparecer:

  • Inchaço recorrente ao redor do tornozelo.
  • Rigidez para iniciar o movimento, principalmente de manhã ou após ficar muito tempo sentado.
  • Sensação de “travamento” ou “raspando por dentro”.
  • Dificuldade para movimentar o pé em toda a amplitude, tanto para cima quanto para baixo.
  • Cansaço e irritação por não conseguir manter o mesmo ritmo de atividades esportivas ou profissionais.

Nos estágios avançados, a dor pode aparecer mesmo em repouso e interferir no sono e na qualidade de vida.

Como o diagnóstico é feito

O diagnóstico começa com uma boa conversa no consultório. O ortopedista pergunta sobre torções antigas, fraturas prévias, histórico de doenças reumatológicas, tipo de trabalho, esporte praticado e tempo de evolução dos sintomas.

Em seguida, o exame físico ajuda a avaliar:

  • Local exato da dor.
  • Grau de inchaço.
  • Amplitude de movimento.
  • Estabilidade do tornozelo.
  • Presença de deformidades ou desalinhamentos.

Os exames de imagem costumam incluir radiografias em diferentes posições. Em muitos casos, a radiografia já mostra diminuição do espaço articular, formação de osteófitos (os “bicos de osso”) e alterações compatíveis com artrose.

Quando há dúvida sobre lesões associadas, pode ser indicada ressonância magnética ou tomografia para estudar melhor a cartilagem e o osso.

Tratamento conservador

Nos estágios mais leves ou moderados, a meta é aliviar a dor e manter o tornozelo se mexendo o melhor possível.

Nessa fase, o cuidado costuma combinar remédios, fisioterapia e ajustes na rotina

Veja as medidas mais utilizadas:

  • Uso de analgésicos e anti-inflamatórios em períodos curtos para aliviar crises de dor.
  • Fisioterapia com exercícios para fortalecer musculatura da perna e do pé, melhorar o controle da pisada e aumentar a estabilidade.
  • Hidroterapia, que permite trabalhar o movimento dentro da água com menor impacto nas articulações.
  • Bicicleta ergométrica, ajustada de forma adequada, para manter o condicionamento sem sobrecarregar tanto o tornozelo.
  • Palmilhas e calçados específicos, que ajudam a distribuir melhor a carga e reduzir pontos de pressão.
  • Infiltrações com medicamentos para modular a inflamação em fases de dor mais intensa.

Há ainda a possibilidade de utilizar substâncias de viscossuplementação, que são medicações aplicadas dentro da articulação, que visam melhorar a lubrificação e diminuir o atrito.

Nem todos os casos se beneficiam desse recurso, mas em pacientes bem selecionados ele pode trazer alívio por um período considerável.

Quando a cirurgia é indicada

Se, mesmo com remédios, fisioterapia e ajustes na rotina, o tornozelo segue dolorido e travado a ponto de atrapalhar tarefas simples, o ortopedista passa a considerar a cirurgia.

O tipo de procedimento é definido caso a caso, levando em conta idade, nível de atividade, grau de desgaste e presença de deformidades na articulação.

De forma geral, existem três caminhos principais.

Artroscopia do tornozelo

A artroscopia é a opção menos invasiva entre as cirurgias. Pequenos cortes permitem a entrada de uma câmera e instrumentos finos dentro da articulação.

O objetivo é:

  • Remover fragmentos de cartilagem soltos.
  • Retirar tecido inflamado que ocupa espaço e gera dor.
  • Lixar pequenas irregularidades ósseas que atrapalham o movimento.

A recuperação costuma ser mais rápida. Em muitos casos, o paciente retorna à marcha com apoio progressivo em poucas semanas, seguindo o protocolo indicado pelo ortopedista e pela fisioterapia.

Esse tipo de procedimento costuma funcionar melhor em casos de artrose menos avançada.

Artrodese do tornozelo

Na artrodese, o objetivo é “travar” a articulação do tornozelo. Os ossos são posicionados de forma alinhada e fixados entre si, para que cicatrizem unidos.

Com isso, não existe mais movimento naquele segmento específico, e a dor tende a reduzir bastante.

O ponto positivo é o controle da dor em casos de desgaste bem avançado. O ponto de atenção é a perda de mobilidade, que torna o pé mais rígido.

A recuperação é mais longa, com período de imobilização e retorno gradual ao apoio, muitas vezes levando algo em torno de três a quatro meses para consolidação.

Prótese de tornozelo

A prótese de tornozelo busca substituir as superfícies gastas por componentes artificiais de metal e outros materiais específicos para articulações.

A ideia é manter movimento, permitindo uma marcha mais próxima do normal.

Esse tipo de procedimento pede estudo cuidadoso, escolha criteriosa de quem será operado e acompanhamento prolongado.

Quando bem indicado, costuma aliviar a dor, melhorar a função do tornozelo e trazer mais qualidade de vida para quem convive com artrose avançada.

Cuidados após o tratamento e prevenção de novos danos

Independente de o tratamento ser conservador ou cirúrgico, alguns cuidados ajudam a proteger o tornozelo ao longo do tempo.

Vale dar atenção a pontos como:

  1. Controle de peso corporal, para diminuir a carga sobre a articulação.
  2. Fortalecimento da musculatura da perna e do pé com exercícios orientados.
  3. Uso de calçados estáveis, com bom amortecimento e suporte adequado ao tipo de pisada.
  4. Correção de instabilidades e tratamento adequado de novas torções, para não somar lesões sobre o que já está desgastado.
  5. Retorno gradual às atividades esportivas, respeitando limites de dor e evitando saltos e impactos exagerados em terreno irregular.

O trabalho conjunto entre ortopedista e fisioterapeuta costuma fazer diferença tanto na recuperação quanto na prevenção de piora do quadro.

Quando procurar ajuda especializada

Muitas pessoas demoram para buscar atendimento, acostumam-se a “conviver com a dor” e só procuram um especialista quando o tornozelo já está bastante comprometido.

Sinais de alerta importantes:

  • Dor frequente no tornozelo ao caminhar ou ficar em pé.
  • Inchaço recorrente, mesmo sem trauma recente.
  • Travamentos, sensação de instabilidade ou falseios.
  • Dificuldade crescente para subir e descer escadas.
  • Uso constante de medicamentos por conta própria para conseguir cumprir a rotina.

Perceber esses sinais e buscar avaliação em um centro de ortopedia permite identificar a artrose do tornozelo em estágios mais precoces, discutir opções de tratamento adequadas e planejar ajustes na rotina antes que a limitação se torne definitiva.

Dr. Bruno Air Machado da Silva

Ortopedista especialista em Pé e Tornozelo em Goiânia. Graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (2009-2011), com especialização em Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Universidade Federal de Goiás e estágio no Massachussets General Hospital, Harvard University (2017).

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