Ortopedia Pediátrica

Joanete em adolescentes: causas e como tratar

Aprenda a reconhecer os sinais de joanete em adolescentes e o momento de buscar ajuda especializada.

Joanete em adolescentes não é exclusividade de adultos.

A deformidade pode surgir ainda na infância e se tornar mais evidente na puberdade, fase em que o pé cresce rápido e os ossos ainda estão em formação.

Quando o desvio aparece cedo, o incômodo com dor e estética costuma preocupar tanto o jovem quanto a família.

Identificar os primeiros sinais, ajustar o tipo de calçado e buscar orientação em clínica de ortopedia infantil ajudam a frear a progressão da deformidade e a planejar o momento certo para intervenções mais definitivas, quando necessário.

O que é joanete em adolescentes

O joanete é uma saliência óssea na parte interna do pé, na base do dedão.

Esse aumento de volume não é apenas “osso a mais”, e sim o desvio do primeiro metatarsiano para dentro, somado ao desvio do dedão em direção aos outros dedos.

Quando esse quadro aparece em crianças e jovens, muitos médicos chamam de joanete juvenil ou hálux valgo juvenil.

O problema pode começar discreto, com leve abaulamento e dificuldade para usar alguns tipos de sapato.

Com o passar do tempo, o desvio tende a aumentar, os dedos podem se sobrepor e a dor passa a limitar caminhadas mais longas, esportes e o uso de calçados fechados.

Principais causas e fatores de risco

Não existe um único fator responsável pelo joanete em adolescentes. Na maior parte dos casos, vários elementos se somam até que a deformidade apareça e progrida.

Confira os fatores mais comuns:

  1. História familiar de joanete em pais, avós ou irmãos.
  2. Formato do pé que favorece o desvio, como pé plano ou pé muito comprido na região do dedão.
  3. Hipermobilidade articular, em que as articulações são mais “soltas” que o habitual.
  4. Síndromes genéticas, como Síndrome de Down, que podem vir acompanhadas de frouxidão ligamentar.
  5. Uso frequente de sapatos apertados na parte da frente.
  6. Uso precoce de salto alto em meninas, concentrando o peso na ponta do pé.

Quando o jovem já tem predisposição anatômica, calçados de bico fino e salto alto aceleram o desvio, já que empurram o dedão contra os outros dedos e comprimem a região do antepé todos os dias.

Sintomas que merecem atenção

Nem todo joanete em adolescentes causa dor intensa desde o início. Em muitos jovens, o incômodo começa leve e intermitente, o que pode atrasar a busca por avaliação.

Sinais frequentes incluem:

  • Saliência visível na base do dedão, na parte interna do pé.
  • Vermelhidão e inchaço na região após caminhadas ou uso de sapatos apertados.
  • Dor na articulação do dedão ao apoiar o pé ou durante esportes.
  • Dificuldade para encontrar calçados confortáveis.
  • Calosidades na lateral do dedão ou na sola, por aumento de pressão local.
  • Desvio progressivo do dedão em direção aos outros dedos, com possível sobreposição.

Crianças menores às vezes não conseguem explicar o que sentem. Queixas vagas de dor no pé, recusa para caminhar longas distâncias ou evitar certos calçados podem ser pistas importantes para os pais.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é clínico e complementar. O ortopedista inicia avaliando o formato dos pés com o adolescente em pé, observa a marcha, verifica o alinhamento dos joelhos e analisa a distribuição de carga na sola.

Durante o exame físico, o médico testa a mobilidade do dedão, procura zonas de dor à palpação e avalia se o desvio é flexível ou rígido.

A seguir, costuma solicitar radiografias em apoio, que permitem medir ângulos específicos, classificar a deformidade em leve, moderada ou grave e planejar um eventual tratamento cirúrgico.

Tratamento

O tratamento conservador é a base do cuidado na fase de crescimento.

O objetivo é aliviar a dor, reduzir atrito com o calçado e tentar retardar a progressão do desvio até que o esqueleto esteja mais maduro.

  • Troca de calçados.
  • Evitar salto alto.
  • Uso de palmilhas e órteses.
  • Protetores e espaçadores.
  • Fisioterapia.
  • Controle da dor, como uso de compressas de gelo.

Medidas conservadoras não realinham o osso de forma definitiva, porém, aliviam os sintomas e reduzem fatores que aceleram o agravamento da deformidade.

Quando a cirurgia é indicada

A correção estrutural do joanete em adolescentes só é possível com cirurgia. A indicação, no entanto, precisa ser criteriosa, já que o pé ainda está em desenvolvimento.

Em geral, os melhores resultados surgem quando o procedimento é realizado próximo da maturidade esquelética.

A equipe costuma considerar cirurgia quando há:

  • Dor persistente que não melhora com tratamento conservador.
  • Deformidade progressiva que dificulta o uso de calçados.
  • Impacto importante nas atividades diárias ou esportivas.

Existem diversas técnicas cirúrgicas, que variam conforme o padrão de deformidade, grau de desvio, presença de hipermobilidade e idade do paciente. A decisão é sempre individualizada.

Após a correção, o uso adequado de calçados e o acompanhamento em consultas ajudam a reduzir o risco de recidiva.

Cuidados no dia a dia e prevenção

Mesmo em famílias com forte histórico de joanete, alguns cuidados simples podem proteger o pé em crescimento, como:

  • Escolher sapatos com forma adequada.
  • Evitar salto alto de uso rotineiro.
  • Observar se o jovem se queixa de dor após atividades.
  • Procurar avaliação precoce em caso de deformidade visível.

O diálogo entre pais, adolescentes e equipe de saúde permite alinhar expectativas, equilibrar conforto, aparência e saúde do pé, além de planejar o acompanhamento ideal até a fase adulta.

FAQs

Joanete em adolescentes sempre precisa de cirurgia?

Não. A maioria dos casos começa com tratamento conservador, baseado em mudança de calçados, órteses e controle da dor. A cirurgia fica reservada para deformidades dolorosas, progressivas e que limitam bastante as atividades mesmo após ajustes de rotina.

Qual é o melhor tipo de calçado para joanete juvenil?

O ideal é usar calçados de bico largo, com boa acomodação para os dedos e solado estável. Materiais macios reduzem atrito sobre a saliência óssea. Sapatos muito justos na frente e salto alto frequente tendem a piorar a deformidade.

Quando levar o adolescente ao ortopedista por causa do joanete?

Sinais como dor recorrente, dificuldade para usar calçados, surgimento de calosidades e percepção de que o desvio está aumentando justificam consulta com ortopedista. A avaliação precoce ajuda a definir o melhor momento para intervir e evita limitações maiores.

Joanete em crianças pode piorar com o crescimento?

Sim. O período de crescimento rápido é fase de maior risco para progressão da deformidade. Por isso, acompanhar o padrão de marcha, escolher calçados adequados e seguir as orientações do especialista são atitudes importantes até a consolidação óssea completa.

Dr. Bruno Air Machado da Silva

Ortopedista especialista em Pé e Tornozelo em Goiânia. Graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (2009-2011), com especialização em Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Universidade Federal de Goiás e estágio no Massachussets General Hospital, Harvard University (2017).
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