Ortopedia Geral

PRP na ortopedia: o que é e quando indicar

Conheça a aplicação do PRP na ortopedia para tratar lesões tendíneas, articulares e musculares. Uma terapia biológica que acelera a regeneração dos tecidos.

O PRP na ortopedia (plasma rico em plaquetas) é uma terapia biológica feita com o próprio sangue do paciente, aplicada para modular inflamação e estimular reparo tecidual.

Na prática, ele pode ajudar a reduzir a dor e melhorar a função em alguns quadros, desde que a indicação seja bem feita.

O ponto mais importante é este: PRP não é “cura universal”. Ele funciona melhor quando existe diagnóstico claro, boa seleção do caso e reabilitação bem conduzida.

  • Ajuda mais em lesões por sobrecarga e em artrose leve a moderada.
  • Costuma exigir 1 a 3 sessões, conforme o objetivo e a evolução.
  • Os melhores resultados aparecem com reabilitação e ajuste de carga.

O que é PRP (plasma rico em plaquetas)

PRP é uma fração do sangue com concentração maior de plaquetas, preparada em centrífuga e aplicada no local-alvo.

As plaquetas liberam fatores de crescimento e mediadores que organizam a resposta de cicatrização.

Por ser um material autólogo (do próprio paciente), o PRP tende a ter baixo risco de rejeição. Mesmo assim, a técnica de preparo e aplicação influencia bastante o resultado.

Como o PRP é preparado e aplicado

O procedimento costuma ser ambulatorial e relativamente rápido. Em geral, o fluxo segue estes passos:

  1. Coleta de uma pequena amostra de sangue.
  2. Centrifugação para separar e concentrar as plaquetas.
  3. Preparação do PRP conforme o protocolo escolhido.
  4. Aplicação no tecido-alvo, muitas vezes guiada por ultrassom.
  5. Orientações de repouso relativo e reabilitação nos dias seguintes.

A sessão geralmente dura de 30 a 60 minutos, variando conforme o local tratado e a técnica usada.

Como o PRP age no tecido

O PRP atua como um “reforço biológico” do microambiente da lesão. Ele pode estimular produção de colágeno, recrutar células envolvidas no reparo e modular mediadores inflamatórios.

Em articulações, o efeito é mais sintomático do que reconstrutivo no curto prazo. Ou seja, o objetivo mais realista é melhorar a dor e função, especialmente quando o desgaste ainda é inicial.

Principais indicações de PRP na ortopedia

A indicação é individual, definida após avaliação clínica em um centro ortopédico com medicina de ponta e, quando necessário, exames de imagem. Entre os usos mais comuns, destacam-se:

  • Tendinopatias crônicas (manguito rotador, patelar, Aquiles, epicondilite).
  • Fasceíte plantar que não melhora com tratamento conservador.
  • Entorses e lesões ligamentares parciais com dor persistente.
  • Lesões musculares leves a moderadas com cicatrização lenta.
  • Artrose leve a moderada em joelho e outras articulações, com foco em dor e função.
  • Adjuvante em alguns pós-operatórios, conforme técnica e objetivo cirúrgico.

Nem todo quadro se beneficia. Rupturas completas, instabilidades importantes e artrose avançada costumam exigir outras estratégias, incluindo cirurgia.

Em quais casos o PRP tende a funcionar melhor

Os estudos mostram resultados mais consistentes quando o problema é inicial ou moderado e quando o paciente consegue seguir reabilitação e controle de carga.

Isso vale especialmente para artrose de joelho em graus leves a moderados e para algumas tendinopatias.

Em outras condições, a evidência é mais irregular. Por exemplo, em tendinopatia do Aquiles, revisões sistemáticas encontram resultados inconsistentes em comparação com tratamentos não operatórios.

Benefícios e limitações do PRP

O PRP pode trazer vantagens práticas, mas também tem limites claros. Entender os dois lados evita frustração e melhora a tomada de decisão.

Benefícios mais comuns

  • Procedimento minimamente invasivo, geralmente sem internação.
  • Material autólogo, com baixa chance de reação alérgica.
  • Pode reduzir dor e melhorar função em quadros selecionados.
  • Pode diminuir dependência de anti-inflamatórios em alguns pacientes.
  • Pode complementar a reabilitação, quando bem indicado.

Limitações e pontos de atenção

A resposta varia muito entre pessoas e diagnósticos. Estes fatores costumam pesar:

  • Tempo de lesão, padrão de degeneração e carga mecânica no dia a dia.
  • Diferenças entre protocolos (concentração, presença de leucócitos, ativação).
  • Necessidade de mais de uma aplicação para atingir o efeito esperado.
  • Resultados menos previsíveis em quadros avançados ou com deformidade importante.

Riscos, efeitos adversos e segurança

O PRP geralmente é bem tolerado, mas não é isento de efeitos adversos. Os mais comuns são locais e transitórios.

  • Dor, rigidez e inchaço por 24 a 72 horas.
  • Hematoma e irritação no local da aplicação.
  • Infecção é rara quando a técnica é adequada.
  • Reações alérgicas são improváveis por ser material autólogo.

Quem deve adiar ou evitar PRP

Há situações em que o procedimento deve ser adiado ou evitado. A decisão final é do time de ortopedistas com foco em mobilidade e depende do contexto.

  • Infecção ativa no local de aplicação.
  • Transtornos de coagulação sem controle.
  • Uso de anticoagulantes que não possam ser ajustados com segurança.
  • Neoplasias em investigação (decisão caso a caso).
  • Gravidez (decisão individualizada com a equipe assistente).

Como se preparar e o que fazer depois

A preparação e o pós-procedimento variam conforme o caso e o local tratado. O ideal é seguir o plano do seu ortopedista e do fisioterapeuta.

Antes da sessão

  • Informe todos os medicamentos e suplementos em uso.
  • Mantenha boa hidratação no dia da coleta.
  • Evite anti-inflamatórios se o seu médico orientar essa pausa.
  • Combine o plano de fisioterapia e retorno antes de aplicar.

Depois do procedimento

  • Controle de dor com gelo local e analgésicos simples, se prescritos.
  • Repouso relativo nas primeiras 24 horas, com retorno progressivo.
  • Reavaliação em 2 a 4 semanas para medir resposta e ajustar conduta.
  • Reabilitação guiada costuma ser o que “sustenta” o resultado no médio prazo.

Quando aparecem os resultados e quantas sessões são necessárias

Muitos protocolos usam 1 a 3 sessões com intervalo de 2 a 4 semanas. Isso varia conforme diagnóstico, gravidade e objetivo (dor, função, retorno ao esporte ou apoio pós-operatório).

Algumas pessoas relatam melhora em poucas semanas, mas a resposta costuma consolidar entre 4 e 12 semanas. O ganho tende a ser melhor quando existe ajuste de carga e reabilitação consistente.

PRP substitui cirurgia ou outras infiltrações

PRP não substitui cirurgia em rupturas completas, instabilidades importantes ou deformidades estruturais relevantes. Nesses casos, ele pode até ter papel complementar, mas não resolve a causa principal.

Em comparação com corticosteroide e ácido hialurônico, o PRP pode ter vantagem em alguns cenários, sobretudo no médio prazo.

Ainda assim, os resultados variam por diagnóstico e pelo tipo de PRP, então a escolha deve considerar risco, custo, acesso e objetivo terapêutico.

FAQs

PRP dói para aplicar?

O desconforto costuma ser curto e, em geral, bem tolerado. O médico pode usar anestesia local, principalmente quando a aplicação é em tendão ou região mais sensível. Depois da infiltração, é comum sentir dor leve, rigidez e inchaço por até 72 horas, o que não significa falha do tratamento. O acompanhamento e o controle de carga ajudam a atravessar essa fase inicial.

Quantas sessões são necessárias?

Muitos casos respondem com 1 a 3 sessões, mas não existe um número “padrão” para todo mundo. A decisão depende do diagnóstico (tendinopatia, artrose, lesão ligamentar), do tempo de sintomas e de como o corpo responde após a primeira aplicação. Em alguns quadros, o médico reavalia em 2 a 4 semanas para decidir se faz nova sessão e como ajustar a reabilitação.

PRP substitui cirurgia?

Em geral, não substitui cirurgia quando existe ruptura completa, instabilidade grave ou deformidade importante. Nesses cenários, o tratamento cirúrgico pode ser necessário para corrigir a estrutura. O PRP tende a funcionar melhor como opção conservadora em casos selecionados, ou como adjuvante em alguns pós-operatórios, sempre dentro de um plano que inclua reabilitação e controle de carga.

Quando vejo resultado?

Alguns pacientes percebem melhora em poucas semanas, principalmente em dor e mobilidade. Na maioria dos casos, a resposta fica mais evidente entre 4 e 12 semanas, com evolução gradual. Isso acontece porque o PRP não é um analgésico imediato, ele depende de processos biológicos e de reabilitação. Se a dor piora progressivamente ou surgem sinais de infecção, é importante reavaliar rapidamente.

Posso treinar após o PRP?

Atividades leves costumam ser liberadas no dia seguinte, mas o retorno ao treino depende do local tratado e da dor. Em geral, a progressão é gradual, com aumento de carga conforme tolerância e orientação do médico e do fisioterapeuta. Esportes de impacto e movimentos explosivos costumam voltar mais tarde, quando há estabilidade, força e controle adequados. Tentar “compensar” acelerando pode atrasar a melhora.

Há diferença entre tipos de PRP?

Sim, e isso influencia o resultado. Protocolos diferentes mudam a concentração de plaquetas e a quantidade de leucócitos, além de como o produto é ativado. Em algumas situações, formulações com menos leucócitos tendem a causar menos dor e inchaço pós-injeção, especialmente em aplicações intra-articulares. Por isso, vale perguntar qual protocolo será usado, qual objetivo e como será o acompanhamento após a aplicação.

Dr. Ulbiramar Correia

Especialista em ortopedia de joelho, CRM/GO 11552, SBOT 12166 e RQE 7240. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ), Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma Esportivo (SBRATE) e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

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