Pé e Tornozelo

Fratura de Lisfranc: sintomas, diagnóstico e tratamento

Entenda o que é, sinais de alerta e como tratar a fratura de Lisfranc.

A fratura de Lisfranc é uma lesão do médio-pé que pode envolver fratura, ruptura ligamentar e desalinhamento das articulações tarsometatársicas.

Quando não é reconhecida cedo, o risco de instabilidade, dor persistente e artrose pós-traumática aumenta.

Em muitos casos, o problema começa com uma “entorse forte” após esporte, queda ou acidente, e a pessoa tenta seguir caminhando, o que piora o quadro.

Este conteúdo explica como essa fratura acontece, quais sinais merecem atenção, quais exames que confirmam o diagnóstico e como funciona o tratamento, inclusive quando a cirurgia entra como melhor escolha.

O que é a articulação de Lisfranc e por que ela é importante

A região de Lisfranc fica no encontro do antepé com o médio-pé. Ela envolve cinco articulações tarsometatársicas e um conjunto de ligamentos que estabilizam o alinhamento entre os ossos do tarso (cuneiformes e cuboide) e as bases dos metatarsos.

Essa “ponte” do mediopé é o que dá estabilidade para a marcha, ajuda a distribuir a carga e sustenta o arco do pé.

Numa fratura de Lisfranc, o problema pode envolver fratura de ossos, rompimento de ligamentos — com destaque para o ligamento de Lisfranc — e também desalinhamento das articulações, com luxação ou subluxação.

Mesmo um desvio discreto pode comprometer a função do pé. A base do médio-pé precisa estar firme para você apoiar, impulsionar e caminhar sem dor.

Sinais e sintomas que levantam suspeita

Os sintomas variam conforme a gravidade, só que existe um padrão que ajuda a suspeitar do diagnóstico. Os sinais mais comuns incluem:

  • Dor intensa no dorso do médio-pé, pior ao apoiar o peso;
  • Inchaço que pode “subir” para o tornozelo;
  • Dificuldade para caminhar, com sensação de instabilidade;
  • Hematoma no dorso do pé e, em muitos casos, mancha roxa na planta, na região do arco (sinal bem sugestivo);
  • Deformidade quando há desvio importante;
  • Formigamento ocasional, quando o edema comprime estruturas locais.

Um ponto prático: dor e edema no médio-pé após trauma, somados a incapacidade de apoiar, merecem investigação de fratura de Lisfranc, mesmo quando a pessoa acha que foi “só uma torção”.

Causas e mecanismos mais frequentes

Dois mecanismos são clássicos.

  1. Indireto, que ocorre quando o pé fica “travado” no chão e o corpo segue em movimento, gerando torção e força de alavanca sobre o médio-pé.
  2. Direto, que é quando algo pesado cai sobre o pé ou em colisões, como acidentes de moto e carro.

Nos dois cenários, a lesão pode ser predominantemente ligamentar, predominantemente óssea ou mista. Essa diferença muda o planejamento do tratamento e o tempo de proteção sem carga.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa com história e exame físico, avaliando dor localizada, edema, incapacidade de apoio e sinais de instabilidade.

O passo seguinte é a imagem.

  • A radiografia é o primeiro exame, só que precisa ser bem indicada e bem interpretada.
  • A tomografia é muito útil para mapear fraturas pequenas, fragmentos e grau de desalinhamento.
  • A ressonância magnética pode ser indicada quando a suspeita é mais ligamentar, ou quando a radiografia e a tomografia não explicam os sintomas e a instabilidade ainda é uma preocupação.

O objetivo é não perder o diagnóstico, já que esse é um dos erros mais comuns nesse tipo de lesão.

Tratamento: quando é conservador e quando é cirúrgico

O tratamento depende de estabilidade e alinhamento.

Lesões estáveis, sem desvio articular e sem sinais de instabilidade, podem ser tratadas sem cirurgia.

Já lesões instáveis, com desalinhamento ou com incapacidade de manter o alinhamento sob carga, tendem a ter melhor resultado com correção cirúrgica.

Tratamento conservador

No tratamento conservador da fratura de Lisfranc, a base é imobilização (bota ou gesso), proteção sem apoiar o peso e reavaliações periódicas.

Em geral, considera-se um período em torno de 6 semanas sem carga, com transição gradual conforme a dor, exame e controle por imagem.

A fisioterapia entra para recuperar a mobilidade, força, controle do tornozelo e padrão de marcha, com progressão cuidadosa para não “soltar” uma lesão que precisa cicatrizar estável.

Tratamento cirúrgico

Quando existe instabilidade, o objetivo da cirurgia é restaurar o alinhamento articular e manter a posição até a cicatrização ligamentar e consolidação óssea, que pode envolver fixação com parafusos e placas, escolhidos conforme padrão da lesão.

A indicação e a técnica variam, por isso, um exame detalhado em uma clínica de ortopedia especializada ajuda a definir a estratégia mais segura, principalmente nos casos complexos, com múltiplas articulações envolvidas.

Recuperação, reabilitação e possíveis complicações

A recuperação varia conforme a gravidade, presença de desvio e tratamento escolhido.

Em linhas gerais, caminhar sem dor e com boa estabilidade leva meses, não semanas. A reabilitação bem conduzida reduz a rigidez, melhora a força e devolve a confiança para apoiar.

O foco passa por mobilidade do tornozelo, fortalecimento da panturrilha, musculatura intrínseca do pé, controle de equilíbrio e progressão de carga.

As complicações que merecem conversa franca incluem dor residual, rigidez e artrose pós-traumática, que pode surgir mesmo com tratamento correto, principalmente em lesões mais graves.

Em casos raros, pode ocorrer síndrome compartimental no trauma agudo, um quadro urgente que exige atenção imediata.

Por isso, a suspeita de fratura de Lisfranc deve ser tratada como prioridade de avaliação.

Quando procurar avaliação com urgência

Procure avaliação médica rapidamente se houver:

  • Dor forte no médio-pé após trauma.
  • Incapacidade de apoiar.
  • Inchaço importante.
  • Mancha roxa na planta do pé.
  • Deformidade.
  • Piora progressiva ao longo das horas.

A decisão de tratar bem começa com diagnóstico certo, e o tempo conta para evitar desfechos como instabilidade crônica.

FAQs

Como saber se é fratura de Lisfranc ou entorse?
Dor e inchaço no médio-pé, dificuldade de apoiar e mancha roxa na planta levantam suspeita. A confirmação depende de exame físico e imagem, muitas vezes com radiografia com carga e tomografia.
Radiografia normal descarta a lesão?
Não. Algumas lesões são sutis no início. Em suspeita clínica, exames com carga, comparação com o outro pé e tomografia podem ser necessários.
Quando a cirurgia é indicada?
Quando há instabilidade, desvio articular ou falha em manter o alinhamento. A meta é alinhar e estabilizar as articulações para reduzir dor e risco de artrose.
Quanto tempo fica sem apoiar o pé?
Muitos casos exigem pelo menos 6 semanas sem carga, variando conforme gravidade e tratamento. A progressão deve ser guiada por reavaliação clínica e imagem.
Tem atendimento online em Goiânia para triagem?
É possível fazer orientação online em Goiânia para organizar exames e encaminhamento, mas trauma com suspeita de instabilidade precisa avaliação presencial rápida para exame e definição do tratamento.
Dá para voltar a correr e jogar bola?
Muitos pacientes voltam, mas o retorno é gradual e depende de estabilidade, força e ausência de dor. Lesões graves costumam exigir reabilitação mais longa.

Dr. Bruno Air Machado da Silva

Ortopedista especialista em Pé e Tornozelo em Goiânia. Graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (2009-2011), com especialização em Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Universidade Federal de Goiás e estágio no Massachussets General Hospital, Harvard University (2017).

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