Joelho

Patela Bipartida: O Que É, Sintomas e Tratamento

Saiba como diferenciar patela bipartida de fratura, quais sintomas podem surgir e quando o tratamento ou cirurgia são indicados.

A patela bipartida é uma variação do desenvolvimento da patela em que uma pequena porção óssea permanece separada do restante do osso.

Em muitas pessoas, essa característica não causa dor, não limita movimentos e só aparece por acaso em uma radiografia ou ressonância do joelho.

O problema chama atenção quando surge dor na parte da frente do joelho, principalmente depois de impacto, aumento de treinos, corrida, saltos ou atividades que exigem bastante do aparelho extensor.

O ponto mais importante é descobrir se o fragmento está realmente ligado aos sintomas ou se existe outra causa para a dor.

O que é patela bipartida?

Durante o crescimento, a patela passa por um processo de ossificação.

Em algumas pessoas, um dos centros de ossificação não se une completamente ao corpo principal da patela. Fica um fragmento separado por uma região de tecido fibroso ou fibrocartilaginoso.

Essa configuração pode permanecer silenciosa por toda a vida. O simples achado em um exame de imagem não significa que o paciente tenha uma doença ativa ou precise de tratamento.

Patela bipartida é uma fratura?

Não. A patela bipartida tem origem no desenvolvimento ósseo, enquanto a patela quebrada corresponde a uma ruptura do osso, geralmente associada a trauma.

A diferença é importante porque um fragmento visto na radiografia pode gerar dúvida, especialmente após uma queda ou pancada.

Na avaliação por imagem, formato, localização e aspecto das bordas ajudam na distinção.

O histórico clínico também pesa: dor iniciada imediatamente após um trauma exige investigação cuidadosa, já que uma fratura verdadeira pode ocorrer em uma patela que também apresenta a variante.

Quando a radiografia não explica bem a dor, a ressonância magnética pode mostrar edema ósseo e alterações na região de união entre o fragmento e a patela principal.

Quais são os tipos?

A classificação de Saupe divide a patela bipartida de acordo com a posição do fragmento acessório.

Tipo I

O fragmento aparece no polo inferior da patela. É uma apresentação menos frequente.

Tipo II

A porção não fusionada fica na margem lateral da patela.

Tipo III

O fragmento está na região superolateral, na parte de cima e de fora da patela. Esse é o padrão descrito com maior frequência.

A classificação localiza a alteração, mas não define sozinha se haverá dor ou necessidade de tratamento.

Quando causa dor?

A maioria dos casos é assintomática. Os sintomas podem aparecer quando a região entre o fragmento e a patela sofre sobrecarga, tração repetitiva ou trauma direto.

Atividades com corrida, saltos, mudanças rápidas de direção e contrações intensas do quadríceps podem desencadear desconforto em pessoas predispostas.

Os sinais mais relatados são:

  • Dor na parte anterior ou superolateral do joelho;
  • Sensibilidade ao pressionar a região do fragmento;
  • Desconforto ao correr, saltar ou agachar;
  • Piora após aumento do volume de treino;
  • Dor durante a extensão do joelho contra resistência;
  • Inchaço localizado em alguns casos.

Esses sintomas não são exclusivos da patela bipartida. Dor patelofemoral, lesões da cartilagem e tendinopatia patelar também podem provocar dor anterior no joelho.

Trauma pode despertar os sintomas?

Sim. Uma pessoa pode conviver por anos com a patela bipartida sem saber e começar a sentir dor depois de uma pancada ou mudança brusca na carga esportiva. O impacto ou a tração repetida podem irritar a região que une o fragmento ao restante da patela.

Se o incômodo persiste, a consulta com um ortopedista especialista em joelho em Goiânia ajuda a cruzar mecanismo da lesão, exame físico e imagens, evitando atribuir toda dor ao achado radiográfico.

Como é feito o diagnóstico?

A avaliação começa pelo padrão dos sintomas. O médico investiga quando a dor começou, se houve trauma, prática esportiva, mudanças de treinamento e quais movimentos provocam piora.

No exame físico, a palpação da borda da patela pode reproduzir o desconforto. Mobilidade, força, alinhamento, aparelho extensor e outras fontes de dor também são avaliados.

A radiografia costuma identificar o fragmento. Em situações selecionadas, exames dos dois joelhos ajudam a reconhecer uma apresentação bilateral.

A ressonância é especialmente útil quando existe dúvida sobre a relação entre a imagem e a dor, pois pode revelar edema ósseo no joelho e alterações na interface do fragmento.

Todo caso precisa de tratamento?

Não. Quando a patela bipartida é descoberta por acaso e não existe dor, não há motivo para tratar apenas a imagem.

Nos quadros sintomáticos, o tratamento inicial é conservador. Ele pode envolver redução temporária das atividades que provocam dor, gelo, medicamentos quando prescritos e fisioterapia.

A reabilitação tende a trabalhar força, mobilidade, controle do movimento e retorno progressivo à carga. Estudos em pacientes jovens mostram que grande parte melhora sem cirurgia.

Um centro ortopédico qualificado em ortopedia corretiva e preventiva pode ser uma opção quando o paciente precisa integrar investigação, reabilitação e acompanhamento do retorno às atividades.

Quanto tempo leva para melhorar?

Não existe um prazo igual para todos. O tempo depende da intensidade da dor, atividade praticada, irritação do fragmento e resposta à reabilitação.

Em um estudo com pacientes abaixo de 21 anos, 76% dos joelhos tratados de forma conservadora chegaram à resolução completa dos sintomas, com mediana de 1,9 mês. Esse resultado reforça o papel do tratamento não cirúrgico como etapa inicial em muitos jovens.

A volta ao esporte deve considerar controle da dor, recuperação de força e tolerância aos movimentos da modalidade, e não apenas alguns dias sem incômodo.

Quando a cirurgia pode ser indicada?

A cirurgia pode ser discutida quando a dor continua apesar de um período adequado de tratamento conservador e há boa correlação entre sintomas e fragmento.

A retirada do fragmento é uma das técnicas mais empregadas. Dependendo do tamanho, localização e participação na superfície articular, podem ser consideradas outras opções, como fixação ou procedimentos nos tecidos que exercem tração na região.

Séries clínicas com adultos e atletas relatam melhora funcional e retorno às atividades após a excisão em casos bem selecionados.

Patela bipartida em atletas

A presença da alteração não impede automaticamente corrida, futebol, musculação ou outros esportes. O fator decisivo é saber se ela está causando sintomas e como o joelho responde à carga.

Durante o retorno, corrida, saltos, acelerações, mudanças de direção e exercícios de força podem ser reintroduzidos gradualmente.

Quando o exame mostra patela bipartida, mas o padrão da dor aponta para outra estrutura, tratar apenas o fragmento pode não resolver a queixa.

Quando procurar avaliação novamente?

Dor persistente, perda de força, limitação para caminhar, inchaço recorrente ou piora importante depois de trauma justificam reavaliação. O mesmo vale para quem tenta retomar o esporte repetidas vezes e volta a sentir o mesmo incômodo.

O foco deve estar no impacto real da patela bipartida sobre movimento, esporte, trabalho e rotina, e não apenas no nome que aparece no laudo.

Perguntas frequentes

Patela bipartida é grave?

Na maioria das pessoas, não. Ela costuma ser uma variante anatômica sem sintomas. A atenção aumenta quando há dor persistente, trauma recente ou limitação funcional.

Quem tem patela bipartida pode correr?

Muitas pessoas podem correr normalmente. Se surgir dor, o ideal é reduzir a carga e investigar se o fragmento está mesmo relacionado ao sintoma antes de insistir nos treinos.

Patela bipartida pode virar fratura?

Patela bipartida e fratura são alterações diferentes. Um trauma pode causar uma fratura em um joelho que já apresenta patela bipartida ou tornar a região do fragmento dolorosa.

Patela bipartida precisa de cirurgia?

Geralmente não. O tratamento conservador é usado inicialmente nos casos sintomáticos, e a cirurgia fica para quadros persistentes e selecionados.

A patela bipartida pode aparecer nos dois joelhos?

Sim. A condição pode ser bilateral, e os dois lados não precisam apresentar sintomas ao mesmo tempo.

Dr. Ulbiramar Correia

Especialista em ortopedia de joelho, CRM/GO 11552, SBOT 12166 e RQE 7240. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ), Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma Esportivo (SBRATE) e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Atende como ortopedista de joelho no COE em Goiânia.

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