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Osteossarcoma do joelho: entenda sinais, exames e tratamento

Descubra os principais sintomas e como tratar osteossarcoma do joelho.

Sentir dor no joelho por alguns dias depois de um treino é comum. Mas uma dor que piora com o tempo, aparece à noite, vem com inchaço (derrame articular) ou muda a forma de andar merece atenção.

O osteossarcoma do joelho é um tipo de câncer ósseo que pode começar perto da articulação.

Quanto mais cedo a avaliação e o diagnóstico correto, melhores são as chances de controlar a doença e preservar a função do membro.

Como o começo pode “parecer” uma lesão esportiva comum ou outra lesão no joelho que não melhora, a persistência e a progressão dos sintomas são sinais importantes.

O que é osteossarcoma do joelho

O osteossarcoma é um tumor maligno que nasce no osso e se forma a partir de células que produzem tecido ósseo.

Ele é mais comum em crianças, adolescentes e adultos jovens, especialmente em períodos de crescimento rápido.

Quando aparece no joelho, costuma surgir no fêmur distal (parte de baixo do fêmur) ou na tíbia proximal (parte de cima da tíbia), regiões que passam por intensa remodelação do osso. (NCBI)

Causas e fatores de risco

Na maioria dos casos, não existe uma causa única identificável. O que acontece é um conjunto de alterações genéticas dentro das células do osso, que passam a crescer de forma descontrolada.

  • Radioterapia prévia (principalmente em doses altas).
  • Doença de Paget (mais comum em adultos mais velhos).
  • Algumas doenças ósseas raras, como displasia fibrosa.
  • Síndromes hereditárias relacionadas a risco aumentado de câncer.

Ter esses fatores não significa que a pessoa terá osteossarcoma. E muitos pacientes não têm nenhum fator conhecido.

Sinais e sintomas mais comuns

Os sintomas variam conforme o tamanho e a localização do tumor. No joelho, é comum que o incômodo pareça, no início, uma lesão “que não melhora”.

Por exemplo, pode começar como dor ao dobrar e agachar e, com o tempo, ficar mais frequente e intensa.

  • Dor localizada, que pode piorar à noite ou com atividade.
  • Inchaço e sensibilidade ao redor do joelho.
  • Limitação para dobrar ou esticar o joelho.
  • Caroço (massa) palpável ou aumento de volume.
  • Manqueira.
  • Fratura com trauma leve (porque o osso fica frágil).

Sinais de alerta para procurar atendimento imediato

Alguns quadros podem imitar dor/inchaço “inflamatório”, mas exigem checagem urgente para descartar infecção ou outras causas graves.

Se aparecer febre, piora muito rápida ou mal-estar importante, procure avaliação imediata.

Em joelho inchado e doloroso, o diagnóstico diferencial pode incluir desde pseudogota e condrocalcinose até condições ósseas como osteomielite subaguda, dependendo do contexto.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico precisa ser feito por equipe de ortopedistas treinados, porque o planejamento correto desde o começo influencia o tratamento.

Exames de imagem iniciais

Em geral, a investigação começa com avaliação clínica e raio X. Muitas vezes, o raio X já levanta suspeita de tumor ósseo, mas não confirma sozinho.

Depois, a ressonância magnética ajuda a ver a extensão do tumor no osso e nos tecidos ao redor. Ela é importante para planejar a cirurgia e definir o melhor caminho para a biópsia.

Em alguns diagnósticos diferenciais ósseos do joelho, como Síndrome de Ahlback, a ressonância também costuma ser decisiva nas fases iniciais.

Exames para checar a disseminação

O osteossarcoma pode se espalhar, e o pulmão é um dos locais mais comuns. Por isso, a tomografia de tórax costuma fazer parte do estadiamento. Outros exames podem ser indicados caso a caso.

Biópsia: a etapa que confirma

A confirmação do osteossarcoma é feita com biópsia.

O ideal é que a biópsia seja planejada e realizada por equipe experiente em tumores ósseos, porque o local do corte/agulha pode afetar a cirurgia de preservação do membro depois.

Estadiamento e planejamento do tratamento

Após confirmar o diagnóstico, a equipe define o estágio da doença e monta o plano.

Em centros especializados, isso costuma envolver ortopedista oncológico, oncologista clínico, radiologista, patologista, fisioterapeuta e outros profissionais.

O objetivo é controlar o tumor com segurança e, sempre que possível, preservar o membro e a função do joelho.

Tratamento

Na maior parte dos casos, o tratamento combina quimioterapia e cirurgia. A sequência exata depende do estágio, da localização e da resposta ao tratamento.

Quimioterapia antes da cirurgia (neoadjuvante)

É comum fazer quimioterapia antes da cirurgia para reduzir o risco de disseminação e ajudar a controlar a doença. Ela também permite avaliar como o tumor responde aos medicamentos.

Cirurgia com preservação do membro

Quando é possível obter margens seguras, a cirurgia de preservação do membro é a opção preferida.

A reconstrução pode ser feita com endoprótese tumoral, enxertos ou outras técnicas.

Amputação e rotação plástica

Em algumas situações, a amputação pode oferecer melhor controle oncológico, como quando o tumor envolve estruturas vitais de forma extensa ou quando não há como garantir margens seguras.

Em crianças selecionadas, a rotação plástica pode ser alternativa funcional, conforme avaliação do centro especializado.

Quimioterapia depois da cirurgia (adjuvante)

Após a cirurgia de joelho, a quimioterapia geralmente continua para reduzir o risco de recidiva e tratar possíveis células que não aparecem nos exames.

Radioterapia, terapias-alvo e imunoterapia

O osteossarcoma costuma ser menos sensível à radioterapia do que outros tumores.

Mesmo assim, ela pode ter papel em situações específicas. Terapias-alvo e imunoterapia podem aparecer em cenários selecionados, geralmente em centros especializados e protocolos de pesquisa.

Reabilitação e retorno às atividades

A reabilitação faz parte do tratamento.

A fisioterapia costuma começar cedo, com foco em reduzir dor e rigidez, recuperar amplitude, fortalecer coxa e quadril, treinar marcha e adaptar atividades do dia a dia.

Prognóstico e acompanhamento após o tratamento

O prognóstico depende do estágio, da resposta à quimioterapia e da possibilidade de retirada completa do tumor.

Em geral, casos localizados têm resultados melhores do que casos com metástase. Após o tratamento, o acompanhamento em um centro de ortopedia é indispensável, com exame físico e exames de imagem.

Quando procurar ajuda

Procure avaliação médica se houver:

  • Dor no joelho por semanas, que não melhora.
  • Dor que acorda à noite com frequência.
  • Inchaço progressivo, massa palpável ou deformidade.
  • Manqueira sem explicação.
  • Fratura com trauma leve.

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica.

Se você suspeita de algo sério, confirme o diagnóstico com ortopedista especialista em joelho o quanto antes.

FAQs

O osteossarcoma do joelho tem cura?

Em muitos casos, sim. Quando a doença está localizada e é tratada com cirurgia adequada e quimioterapia, há chance real de controle prolongado. O resultado depende da resposta do tumor, do estágio no diagnóstico e das margens cirúrgicas.

Dor de crescimento e osteossarcoma são iguais?

Não. Dor de crescimento costuma ser passageira, melhora sozinha e não vem com inchaço persistente. Já o osteossarcoma tende a causar dor focal que piora com o tempo e pode aparecer à noite.

É sempre necessário amputar?

Não. Hoje, muitos casos perto do joelho podem ser tratados com cirurgia de preservação do membro, desde que seja possível retirar o tumor com margens seguras.

Quais exames iniciam a investigação?

Em geral, começa com raio X do joelho. Depois, a ressonância magnética avalia a extensão local do tumor e ajuda no planejamento. A tomografia de tórax costuma ser usada para checar possível disseminação. A confirmação do diagnóstico vem com biópsia planejada por equipe especializada.

Dr. Ulbiramar Correia

Especialista em ortopedia de joelho, CRM/GO 11552, SBOT 12166 e RQE 7240. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ), Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma Esportivo (SBRATE) e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

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