Joelho

Ligamento do joelho: sintomas e cuidados

Entenda a função dos ligamentos do joelho, os tipos de lesões mais comuns que podem ocorrer e os tratamentos indicados para cada caso, da reabilitação à cirurgia.

Uma torção no joelho pode acontecer em um jogo, numa corrida ou até descendo um degrau errado. Às vezes passa rápido, mas em outras o joelho incha, dói e parece falhar.

Quando o problema envolve ligamento do joelho, entender o que aconteceu ajuda a buscar o cuidado certo, na hora certa, e a evitar que a instabilidade vire um problema crônico.

Para que serve o ligamento do joelho

Os ligamentos são faixas resistentes de tecido que conectam os ossos e ajudam a manter o joelho estável.

Eles controlam movimentos para frente e para trás, além de proteger o joelho em giros e mudanças de direção.

No joelho, quatro ligamentos são os mais citados em lesões:

  • LCA (ligamento cruzado anterior): ajuda a evitar que a tíbia “vá para frente” e dá estabilidade em rotação.
  • LCP (ligamento cruzado posterior): ajuda a evitar que a tíbia “vá para trás”.
  • LCM (ligamento colateral medial): fica na parte interna e controla a abertura “para dentro”.
  • LCL (ligamento colateral lateral): fica na parte externa e controla a abertura “para fora”.

Como acontecem as lesões

As lesões ligamentares costumam ocorrer quando o joelho é forçado além do que aguenta, que pode acontecer com contato (batida) ou sem contato (movimento errado).

Alguns mecanismos comuns são:

  • Mudança rápida de direção com o pé “preso” no chão.
  • Parada brusca e desaceleração.
  • Aterrissagem de um salto com o joelho entrando para dentro.
  • Pancada na lateral do joelho, comum em esportes de contato.
  • Queda com o joelho dobrado ou trauma em acidentes.

Em esportes com corte e pivô, muitas lesões do LCA acontecem sem colisão direta, só pelo movimento.

Tipos de lesões

Em geral, as lesões são classificadas por gravidade. Isso ajuda a orientar o tratamento e o tempo de recuperação.

  1. Grau I: estiramento leve, com pouca perda de estabilidade.
  2. Grau II: ruptura parcial, com dor e alguma instabilidade.
  3. Grau III: ruptura completa, com instabilidade importante.

Mesmo com essa divisão, o quadro varia muito de pessoa para pessoa. Lesões combinadas (mais de um ligamento, menisco ou cartilagem) também são comuns.

Sintomas mais comuns

Os sinais podem aparecer na hora ou nas primeiras horas após a lesão. A combinação de sintomas costuma dar pistas sobre a gravidade.

Os mais frequentes são:

  • Dor no momento da torção ou da batida.
  • Inchaço que cresce rápido ou que aparece nas horas seguintes.
  • Dificuldade para apoiar o peso na perna.
  • Sensação de instabilidade, como se o joelho fosse “ceder”.
  • Limitação para dobrar ou esticar completamente.
  • Sensibilidade ao toque em uma área específica do joelho.

Quando procurar atendimento urgente

Alguns sinais pedem avaliação o quanto antes, porque podem indicar lesão mais séria ou necessidade de exame imediato.

Procure atendimento com urgência se houver:

  • Deformidade visível ou suspeita de fratura.
  • Dor muito intensa ou incapacidade de andar.
  • Inchaço rápido e grande logo após a lesão.
  • Bloqueio do joelho (não consegue dobrar ou esticar).
  • Dormência, formigamento ou pé frio/pálido.

Diagnóstico

Um diagnóstico bem feito evita tratamentos desnecessários e reduz o risco de sequelas. Em saúde, isso faz diferença no retorno ao trabalho, ao treino e às atividades do dia a dia.

O processo costuma incluir:

  • História e exame físico: o médico avalia a dor, o inchaço, a amplitude de movimento e faz testes de estabilidade.
  • Exames de imagem: radiografia ajuda a descartar fraturas, enquanto a ressonância magnética pode avaliar ligamentos, menisco e cartilagem quando há dúvida ou suspeita de lesões associadas.

Tratamentos disponíveis

O tratamento depende do ligamento lesionado, do grau da lesão, das estruturas envolvidas e do perfil do paciente.

Quem pratica esporte de impacto, por exemplo, costuma precisar de uma estratégia diferente de quem tem rotina mais leve.

Cuidados iniciais nas primeiras horas

Logo após a lesão, algumas medidas simples são recomendadas para controlar a dor e inchaço, desde que não haja sinais de gravidade.

Uma conduta comum é o método RICE (repouso, gelo, compressão e elevação):

  • Repousar e evitar apoiar peso se houver dor ou insegurança.
  • Aplicar gelo por períodos curtos, com proteção entre o gelo e a pele.
  • Fazer compressão leve com faixa elástica, sem apertar demais.
  • Elevar a perna quando estiver sentado ou deitado.

Se a dor for forte, o joelho estiver muito instável ou houver sinais de alerta, o mais seguro é procurar uma clínica de ortopedia especializada para avaliar antes de forçar para ver se melhora.

Tratamento não cirúrgico

Muitas lesões de ligamentos colaterais e parte das lesões leves a moderadas podem melhorar sem cirurgia. O foco é diminuir a dor, recuperar o movimento e fortalecer a musculatura que protege o joelho.

As medidas mais usadas:

No caso do LCP isolado, por exemplo, há situações em que a recuperação sem cirurgia é possível, desde que haja acompanhamento e reabilitação bem feita.

Quando a cirurgia pode ser indicada

A cirurgia não é “automática” para toda lesão ligamentar. Em geral, ela entra na conversa quando a instabilidade atrapalha a vida do paciente ou quando há lesões combinadas que precisam de reparo.

Situações comuns em que o ortopedistas especialistas em cirurgia de joelho podem indicar:

  • Ruptura completa com instabilidade importante, especialmente do LCA.
  • Lesões múltiplas (ligamentos associados, menisco, cartilagem).
  • Falha do tratamento conservador, com instabilidade persistente.
  • Pacientes que precisam voltar a esporte com giro e contato, com segurança.

Em lesões do LCA, é comum falar em reconstrução do ligamento, muitas vezes por artroscopia. Depois disso, a fisioterapia vira parte central do plano, e o retorno ao esporte pode levar meses.

Reabilitação e retorno às atividades

A reabilitação é o que “devolve” o joelho para a rotina. Ela não serve só para tirar dor, mas para recuperar controle, força e confiança ao caminhar, correr e mudar de direção.

De forma geral, o processo envolve:

  • Recuperar a amplitude de movimento (dobrar e esticar bem).
  • Fortalecer quadríceps, posteriores de coxa e glúteos.
  • Treinar equilíbrio e controle do joelho em movimentos reais.
  • Voltar aos impactos e ao esporte de forma progressiva, com critérios.

O tempo varia bastante. Em entorses leves pode ser questão de semanas, enquanto após reconstrução do LCA o retorno ao esporte costuma ser mais longo e exige liberação baseada em testes.

Prevenção e cuidados no esporte

Prevenir não é “sorte”, é preparo. Programas de treino que melhoram força e controle do movimento reduzem o risco, principalmente em esportes com salto, giro e mudança de direção.

Boas estratégias incluem:

Em alguns esportes, mulheres podem ter risco maior de lesão do LCA. Por isso, o trabalho de técnica e controle neuromuscular é ainda mais importante desde cedo.

Perguntas frequentes

    Lesão no ligamento do joelho sempre precisa de cirurgia?

    Não. Muitas entorses leves e moderadas melhoram com proteção, fisioterapia e retorno gradual. A cirurgia costuma ser considerada quando há ruptura completa com instabilidade importante, lesões combinadas ou quando o tratamento conservador não resolve. A decisão depende do exame, da rotina do paciente e do tipo de esporte ou trabalho que ele precisa fazer.

    Quanto tempo dura a recuperação de uma entorse leve?

    Em lesões de grau I, é comum ver melhora importante em poucas semanas, especialmente quando há controle do inchaço e fisioterapia bem feita. Mesmo assim, voltar rápido demais pode piorar a dor ou aumentar o risco de nova torção. O ideal é progredir quando o joelho volta a dobrar e esticar bem, e quando a marcha fica firme e sem mancar.

    O que significa “estalo” no joelho na hora da torção?

    O estalo pode acontecer em diferentes lesões, inclusive ligamentares. Quando ele vem junto de inchaço rápido e sensação de instabilidade, a chance de lesão mais importante aumenta, como em rupturas do LCA. Isso não confirma diagnóstico sozinho, mas é um sinal forte para buscar avaliação, especialmente se o joelho “falha” ao tentar andar ou mudar de direção.

    Ressonância magnética é obrigatória?

    Nem sempre. Em muitos casos, o exame físico bem feito e a história da lesão já direcionam o diagnóstico. A radiografia pode ser usada para descartar fratura, e a ressonância entra quando há dúvida, quando o quadro não evolui bem ou quando se suspeita de lesões associadas, como menisco e cartilagem. O médico decide com base no seu caso.

    Posso tomar anti-inflamatório por conta própria?

    O mais seguro é evitar automedicação, principalmente se você tem gastrite, problemas renais, pressão alta, usa anticoagulantes ou já teve alergia a remédios. Além disso, a dor pode “mascarar” sinais importantes e atrasar o diagnóstico. Se precisar de medicação, converse com um profissional de saúde para escolher a opção e a dose mais adequadas.

    Como reduzir o risco de lesão do LCA no esporte?

    O principal é treinar movimento, não só força. Exercícios que ensinam a desacelerar, aterrissar e mudar de direção com boa técnica reduzem o estresse no joelho. Fortalecer posteriores de coxa e glúteos ajuda a controlar o joelho e evitar que ele “caia para dentro” nos saltos e giros. Programas curtos de prevenção no aquecimento, feitos com regularidade, costumam trazer bons resultados.

    Dr. Ulbiramar Correia

    Especialista em ortopedia de joelho, CRM/GO 11552, SBOT 12166 e RQE 7240. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ), Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma Esportivo (SBRATE) e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

    Artigos relacionados

    Botão Voltar ao topo