Joelho

Lesões no Joelho Mais Comuns: Causas, Sintomas e Tratamento

Conheça as lesões no joelho mais comuns, como rompimento de ligamentos, menisco e condromalácia. Identifique os sintomas e os tratamentos indicados para cada uma.

O joelho suporta muito peso e participa de quase todos os movimentos do dia. Por isso, é comum sentir dor, inchaço ou instabilidade depois de uma torção, queda ou excesso de treino.

Aqui você vai entender as lesões no joelho mais comuns, como elas costumam aparecer e quais tratamentos são mais usados. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica.

Como o joelho se machuca com mais frequência

A maior parte das lesões acontece quando o pé fica “preso” no chão e o joelho gira. Outra causa comum é a sobrecarga repetida, quando você aumenta treino, corrida ou saltos rápido demais.

Os gatilhos mais comuns são:

  • Torção com mudança de direção.
  • Aterrissagem de salto com mau controle.
  • Impacto direto (queda, colisão, acidente).
  • Repetição sem descanso suficiente.
  • Fraqueza muscular e desequilíbrio biomecânico.

Sinais de alerta: quando procurar atendimento rápido

Alguns sinais pedem avaliação imediata, de preferência em um centro especializado em traumas de joelho, porque podem indicar lesão importante ou fratura.

Se você estiver em dúvida, é mais seguro ser avaliado.

Procure atendimento rápido se houver:

  • Incapacidade de apoiar o peso ou andar.
  • Deformidade visível ou rótula fora do lugar.
  • Inchaço grande e rápido após o trauma.
  • Travamento do joelho, sem conseguir esticar.
  • Dor muito intensa que não melhora.
  • Febre, vermelhidão forte e calor local.

Lesões no joelho mais comuns

A seguir, veja o que costuma causar cada lesão, quais sintomas aparecem e o que geralmente é feito no tratamento. Em muitos casos, mais de uma estrutura se machuca ao mesmo tempo.

1) Lesão do ligamento cruzado anterior (LCA)

O LCA ajuda a manter o joelho estável, principalmente em movimentos de rotação. Ele normalmente se rompe em mudanças rápidas de direção, frenagens e aterrissagens de salto, comuns no futebol e no basquete.

Os sinais mais típicos são estalo, inchaço nas primeiras horas e sensação de falseio.

O tratamento pode ser fisioterapia com fortalecimento e reabilitação, ou cirurgia de LCA em pessoas com instabilidade importante e alta demanda esportiva.

2) Lesão do ligamento cruzado posterior (LCP)

O LCP é outro estabilizador central do joelho. A lesão de ligamento cruzado posterior é mais comum após um impacto direto na frente da perna, como em quedas, acidentes e choques durante esportes.

Geralmente há dor, inchaço e dificuldade para apoiar o peso. Muitas lesões melhoram com imobilização por curto período e fisioterapia, mas casos graves e instáveis podem precisar de abordagem cirúrgica.

3) Entorse do ligamento colateral medial (LCM)

O LCM fica na parte interna do joelho e protege contra “abrir” para dentro. Ele se machuca muito em traumas laterais, como uma pancada no lado de fora do joelho.

O quadro costuma dar dor na região interna e sensibilidade ao toque, às vezes com instabilidade.

A maioria melhora com medidas conservadoras, como proteção com joelheira, gelo, controle da dor e fisioterapia para recuperar força e controle de movimento.

4) Luxação patelar (rótula fora do lugar)

Na luxação patelar, a patela sai da posição normal, geralmente para o lado. Pode acontecer em uma torção, queda ou impacto, e costuma assustar por causa da deformidade e da dor.

Além do deslocamento, é comum ter inchaço e dificuldade para dobrar ou esticar a perna.

O cuidado inicial envolve redução feita por profissional, imobilização quando indicada e fisioterapia; cirurgia é avaliada quando há instabilidade repetida ou lesões associadas.

5) Lesão do menisco

Os meniscos são “almofadas” de cartilagem entre fêmur e tíbia, que ajudam a absorver impacto. A lesão pode ser traumática, com torção, ou degenerativa, pelo desgaste com o tempo.

A pessoa pode sentir dor localizada, estalos e travamento do joelho.

O tratamento varia com o tipo de lesão e os sintomas, indo de fisioterapia e controle da dor até artroscopia quando há travamento persistente ou falha do tratamento conservador.

6) Condromalácia patelar (dor na frente do joelho)

A condromalácia patelar envolve desgaste e irritação da cartilagem atrás da patela. Ela costuma piorar ao subir e descer escadas, agachar ou ficar muito tempo sentado com o joelho dobrado.

A dor aparece na parte anterior do joelho e pode vir com sensação de atrito.

O tratamento foca em fisioterapia, fortalecimento de quadríceps e quadril, ajuste de carga de treino e correção de fatores que aumentam o estresse na patela.

7) Tendinite patelar (joelho do saltador)

A tendinite patelar é uma lesão por uso excessivo do tendão que liga a patela à tíbia. Ela é comum em quem faz saltos, tiros, corrida e mudanças de ritmo, especialmente quando falta recuperação.

A dor costuma ficar logo abaixo da patela e piora ao saltar, correr ou estender o joelho com força.

O tratamento é conservador, com redução temporária de carga, gelo, fisioterapia e reabilitação progressiva do movimento.

8) Artrose do joelho

A artrose é o desgaste progressivo da cartilagem da articulação. Ela é mais frequente após os 50 anos, mas pode aparecer antes, principalmente em quem teve lesões antigas ou está com excesso de peso.

Os sintomas incluem dor mais constante, rigidez e limitação para caminhar e subir escadas.

O tratamento busca reduzir a dor e melhorar a função com exercícios, fortalecimento muscular, controle de peso e, em alguns casos, medicações, infiltrações e cirurgia.

9) Síndrome do trato iliotibial (síndrome do corredor)

Essa síndrome é uma irritação na lateral do joelho por atrito repetitivo, muito vista em corredores e ciclistas.

Ela aparece quando há aumento rápido de volume, técnica inadequada ou desequilíbrios de quadril.

O principal sintoma é dor em queimação na parte lateral do joelho, que piora durante a atividade e melhora com descanso.

O tratamento envolve fisioterapia, alongamento, fortalecimento, ajuste biomecânico e retorno gradual ao treino.

Como o diagnóstico é feito

O diagnóstico começa com a história do que aconteceu e um exame físico detalhado. O médico avalia estabilidade, dor, amplitude de movimento e sinais de derrame articular.

Quando necessário, exames ajudam a confirmar e a planejar o tratamento.

  • Radiografia: útil para fraturas e artrose.
  • Ressonância magnética: muito usada para ligamentos e menisco.
  • Ultrassom: pode ajudar em tendões e bursas.
  • Artroscopia: em casos selecionados, também pode tratar.

Tratamentos mais usados para lesão no joelho

Ortopedistas com abordagem diagnóstica detalhada do joelho definem o tratamento com base na estrutura lesionada, gravidade e do objetivo do paciente, como voltar ao esporte ou apenas caminhar sem dor.

Os pilares mais comuns são:

  • Repouso relativo e ajuste de atividade.
  • Gelo, compressão e elevação para o inchaço.
  • Analgesia e anti-inflamatórios quando indicados.
  • Fisioterapia com fortalecimento e mobilidade.
  • Joelheira ou imobilizador em casos específicos.
  • Retorno gradual ao movimento e ao esporte.

Quando há instabilidade importante, travamento persistente ou falha do tratamento conservador, a cirurgia pode entrar como opção. Isso é decidido caso a caso, com exame e imagens.

Como prevenir novas lesões no joelho

Prevenção é, na maioria das vezes, controle de carga e melhor controle de movimento. Isso vale tanto para atletas quanto para quem só quer caminhar sem dor.

Boas práticas:

  1. Fortalecer coxa, quadril e panturrilha.
  2. Aquecer antes e desacelerar depois do treino.
  3. Aumentar volume e intensidade aos poucos.
  4. Cuidar da técnica de corrida, salto e agachamento.
  5. Alternar impacto com atividades de baixo impacto.
  6. Manter um peso saudável e dormir bem.

Perguntas frequentes

    Quais são as lesões mais comuns no joelho?

    As mais comuns envolvem ligamentos, menisco, cartilagem da patela e tendões. Entre elas estão lesão do LCA, entorses do LCM, lesão do menisco, luxação patelar, dor patelofemoral ou condromalácia, tendinite patelar, artrose e síndrome do trato iliotibial. O mais importante é entender o mecanismo da dor e avaliar sinais como inchaço rápido, travamento e instabilidade.

    Toda lesão no joelho precisa de cirurgia?

    Não. Muitas lesões melhoram com fisioterapia, fortalecimento e ajuste de carga, principalmente nas entorses leves e nas dores por sobrecarga. Cirurgia costuma ser considerada quando há instabilidade importante, travamento por menisco, rupturas completas com grande limitação, ou quando o tratamento conservador não funciona. A decisão depende do exame, dos sintomas e do objetivo do paciente.

    Como saber se a lesão no joelho é grave?

    Alguns sinais aumentam a chance de lesão mais séria, como inchaço grande logo após a torção, sensação de falseio, travamento que impede esticar o joelho e dificuldade para apoiar o peso. Deformidade, estalo com perda de função e dor intensa também merecem atenção. Se houver febre, vermelhidão intensa e calor, é importante buscar avaliação rápida para descartar infecção.

    Fisioterapia ajuda em lesões no joelho?

    Sim. A fisioterapia é uma das partes mais importantes do tratamento, porque melhora força, mobilidade e controle do movimento. Ela também ajuda a reduzir dor, corrigir compensações e diminuir o risco de recidiva. Mesmo quando existe cirurgia, a reabilitação antes e depois costuma ser decisiva para recuperar estabilidade e voltar com segurança às atividades do dia a dia e ao esporte.

    Dr. Ulbiramar Correia

    Especialista em ortopedia de joelho, CRM/GO 11552, SBOT 12166 e RQE 7240. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ), Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma Esportivo (SBRATE) e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

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