Cirurgia

Lesão de LCM precisa de cirurgia? Saiba quando operar

Veja quando a lesão de LCM precisa de cirurgia, indicações e quais fatores apontam para reparo ou reconstrução.

Receber o diagnóstico de lesão do ligamento colateral medial (LCM) costuma trazer uma pergunta direta: lesão de LCM precisa de cirurgia?

Na maioria das vezes, não, já que o LCM tem boa capacidade de cicatrização.

Com um plano bem feito — proteção do joelho, controle da dor, fisioterapia e retorno gradual às atividades — muitos pacientes melhoram sem passar por procedimento cirúrgico.

O ponto crítico é entender que “não operar” não significa negligenciar. O desfecho muda conforme a avaliação clínica, a conduta escolhida e o acompanhamento ao longo das semanas.

Ajuda bastante quando isso é feito em uma clínica de ortopedia com rotina de atendimento a lesões do joelho.

A proposta aqui é deixar claro, com base em critérios práticos do consultório, quais quadros costumam responder bem ao tratamento conservador e em quais cenários a cirurgia entra como possibilidade real.

O que é o LCM e por que ele costuma cicatrizar

O LCM fica na face interna do joelho e é uma das principais estruturas que impedem o joelho de “abrir” para dentro (estresse em valgo).

Ele também ajuda a controlar parte da rotação da tíbia em relação ao fêmur, principalmente em determinadas posições do joelho.

Por ser um ligamento com boa vascularização relativa e estar em uma região com potencial de cicatrização favorável, muitas lesões evoluem com recuperação funcional consistente com tratamento conservador.

Quando o tratamento sem cirurgia funciona

Em geral, lesões isoladas do LCM, principalmente agudas, têm alta taxa de melhora com tratamento não cirúrgico.

Isso inclui boa parte das lesões grau 1 e grau 2 e uma parcela relevante das grau 3, desde que o joelho recupere a estabilidade funcional ao longo das semanas.

O tratamento geralmente envolve proteção inicial, como redução de atividades de risco e, em alguns casos, muletas por curto período, reabilitação com fisioterapia iniciada cedo e progressão em etapas.

Um plano bem estruturado reduz a dor, evita rigidez e diminui a chance de instabilidade persistente.

Quando o paciente não adere ao tratamento, volta cedo para esporte de contato ou mantém movimentos de risco sem proteção, o joelho pode permanecer instável.

Nessa situação, aumenta o risco de cicatrização insuficiente, dor persistente e necessidade de cirurgia mais adiante.

O grau da lesão define sozinho se precisa operar?

Não. A classificação em graus ajuda, mas não fecha a decisão sozinha. De forma simplificada: grau 1 é distensão, grau 2 é ruptura parcial e grau 3 é ruptura completa.

Só que o elemento decisivo é a instabilidade ao exame físico e o impacto funcional.

Um paciente pode ter um laudo sugerindo grau 3 e, ainda assim, evoluir muito bem sem cirurgia se a lesão for isolada, se o joelho estabilizar com a reabilitação e se não houver “falseios”.

Em contrapartida, uma lesão que parece menor pode exigir abordagem cirúrgica se houver instabilidade importante, falha do tratamento conservador ou associação com outras estruturas.

Lesão de LCM precisa de cirurgia?

Na maioria dos pacientes com lesão isolada e tratamento bem conduzido, a lesão de LCM não precisa de cirurgia.

A indicação cirúrgica aparece quando há:

  • Instabilidade importante.
  • Falha do tratamento conservador.
  • Lesões associadas que tornam o joelho globalmente instável.
  • Padrões de ruptura com menor chance de cicatrização adequada.

Se você teve trauma no joelho, sente insegurança para apoiar, percebe falseios ou recebeu um laudo que menciona lesão completa, a conduta correta é passar por avaliação com ortopedista especialista em joelho.

Um plano bem definido, acompanhado de perto, reduz riscos e acelera a volta segura às atividades.

Sinais de alerta

Alguns sinais aumentam a suspeita de que o tratamento conservador pode não ser suficiente, ou de que a cirurgia deve ser considerada em um plano mais amplo. Entre os principais:

  • Instabilidade medial importante no exame físico (abertura em valgo significativa, comparada ao lado saudável).
  • Falseios frequentes mesmo após fase inicial de proteção e fisioterapia.
  • Lesão combinada com outros ligamentos, com instabilidade global do joelho.
  • Padrão de ruptura com baixa chance de cicatrização adequada, como ruptura próxima à tíbia com suspeita de interposição de estruturas.
  • Lesão crônica com instabilidade persistente, principalmente em pessoas ativas.

Esses pontos não substituem a consulta. Eles servem para orientar o paciente a buscar avaliação especializada para conduzir essa análise com mais precisão, porque a interpretação do exame físico e a leitura dos achados de imagem mudam a decisão.

Como é a cirurgia do LCM

Quando a cirurgia é necessária, existem duas abordagens gerais: reparo (reinserção) e reconstrução.

O reparo é reservado para casos agudos em que o ligamento se desprendeu do osso e ainda tem potencial de ser fixado de volta com dispositivos específicos.

Já a reconstrução usa enxerto de tendão para substituir a função do ligamento, sendo mais frequente em lesões antigas ou em casos com tecido insuficiente para reparo.

Pós-operatório

O pós-operatório inclui proteção com órtese, controle de carga conforme orientação, fisioterapia em etapas e progressão até testes funcionais.

O retorno ao esporte depende de critérios objetivos, como força, estabilidade e desempenho em movimentos específicos da modalidade.

FAQs

Lesão de LCM grau 3 sempre precisa de cirurgia?

Não. Muitas lesões grau 3 isoladas podem evoluir bem com tratamento conservador, desde que o joelho estabilize e não haja falseios na reabilitação.

Quanto tempo leva para o LCM cicatrizar sem operar?

Varia com o grau e a estabilidade. Lesões leves podem melhorar em poucas semanas, enquanto lesões mais graves exigem reabilitação progressiva por mais tempo.

Se eu tenho LCA e LCM lesionados, preciso operar os dois?

Nem sempre. Em alguns casos, tenta-se dar chance de cicatrização ao LCM e planeja-se a cirurgia do ligamento cruzado conforme a estabilidade final e a função do joelho.

O que significa “bocejo” no exame do joelho?

É a abertura anormal do lado interno do joelho durante o estresse em valgo, sugerindo instabilidade do compartimento medial e possível comprometimento do LCM.

Quais exames ajudam a decidir se precisa de cirurgia?

O exame físico é central. Ressonância magnética, ultrassom e, em alguns casos, radiografias com estresse podem complementar a avaliação e quantificar instabilidade.

Dr. Ulbiramar Correia

Especialista em ortopedia de joelho, CRM/GO 11552, SBOT 12166 e RQE 7240. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ), Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma Esportivo (SBRATE) e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

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