Pé e Tornozelo

Artroscopia do tornozelo: indicação, riscos e recuperação

Saiba como funciona a artroscopia do tornozelo, para quais lesões serve, cuidados no pós e sinais de alerta após a cirurgia.

Artroscopia do tornozelo é uma cirurgia minimamente invasiva que permite enxergar por dentro a articulação e, no mesmo ato, tratar o problema encontrado.

Em vez de um corte grande, o cirurgião usa pequenas incisões para inserir uma câmera e instrumentos finos.

O resultado costuma ser menos agressão aos tecidos, dor mais controlável no pós-operatório e um caminho de reabilitação mais direto, quando a indicação é bem feita.

O que é artroscopia do tornozelo

A artroscopia do tornozelo é uma cirurgia feita com um artroscópio, uma microcâmera com iluminação, que permite ver a articulação em tempo real durante o procedimento.

A imagem aparece em um monitor e guia o procedimento. O cirurgião consegue avaliar a cartilagem, membrana sinovial, superfícies ósseas, ligamentos intra-articulares e áreas de conflito mecânico, com precisão maior do que pela palpação externa.

Na prática, ela pode ter dois objetivos.

  1. Diagnóstico: quando existe suspeita de algo no interior da articulação e a confirmação muda totalmente a conduta.
  2. Terapêutico: quando já há uma lesão definida e o procedimento é planejado para corrigir o problema, como remover fragmentos, regularizar cartilagem, tratar sinovite, ressecar esporões e liberar áreas de impacto.

Para quem costuma ser indicada

Na maioria dos casos, a indicação aparece quando medidas conservadoras não resolvem, ou quando existe uma lesão mecânica que dificilmente melhora só com fisioterapia e medicação.

Dor que vai e volta, inchaço repetido, travamentos, sensação de “areia” dentro do tornozelo e limitação de movimento são sinais comuns em problemas intra-articulares.

As situações mais frequentes incluem:

  • Lesões osteocondrais do tálus (cartilagem e osso subcondral);
  • Corpos livres (fragmentos de osso ou cartilagem soltos);
  • Impacto anterior ou posterior (conflito ósseo ou de tecidos que trava o movimento);
  • Sinovite crônica, com dor e derrame articular persistentes;
  • Fraturas intra-articulares selecionadas, quando precisa avaliar e tratar a superfície articular;
  • Lesões associadas a entorses repetidas, quando há alteração dentro da articulação;
  • Algumas formas de artrite, em casos específicos para limpeza articular e alívio de sintomas.

Nem toda instabilidade de tornozelo se resolve por artroscopia, e nem toda dor no tendão se trata de problema da ar.

Por isso, o diagnóstico em uma clínica de ortopedia é a etapa que mais influencia o resultado.

Como é feita a artroscopia

O procedimento é realizado em ambiente hospitalar, com anestesia (geral ou bloqueios associados, conforme o caso e o perfil do paciente).

O cirurgião faz pequenas incisões, geralmente de 4 a 5 mm, chamadas portais. Por um portal entra a câmera, por outros entram os instrumentos que fazem o tratamento.

Durante a cirurgia, a articulação é irrigada com soro para melhorar a visualização. O cirurgião percorre compartimentos do tornozelo, identifica a origem do problema e realiza as correções planejadas, como:

  • Retirar corpos livres.
  • Remover tecido inflamado.
  • Regularizar cartilagem.
  • Tratar lesões osteocondrais com técnicas específicas.
  • Aliviar áreas de impacto.

O tempo cirúrgico varia. Um procedimento mais simples pode durar em torno de 30 minutos. Lesões maiores ou com técnicas de reparo mais complexas podem levar mais tempo.

Em muitos casos, a alta ocorre no mesmo dia, ou no dia seguinte, dependendo da dor, do controle do inchaço e do que foi feito dentro do tornozelo.

Vantagens reais da artroscopia

O maior ganho da artroscopia do tornozelo é tratar o que incomoda com menos agressão aos tecidos.

Isso costuma se traduzir em um pós-operatório mais previsível e uma reabilitação que começa mais cedo, com menos limitações causadas pela cicatriz e pela dor de um acesso aberto.

  • Incisões pequenas e cicatrizes discretas;
  • Menor dor no pós-operatório para muitos pacientes;
  • Menor risco de complicações de ferida operatória;
  • Melhor visualização das estruturas, com tratamento mais preciso;
  • Retorno mais rápido às atividades do dia a dia, quando o quadro é simples e a reabilitação é seguida.

Riscos

Nenhuma cirurgia é isenta de risco. A artroscopia do tornozelo é considerada segura quando bem indicada e feita por equipe experiente, mas ainda existe possibilidade de eventos indesejados.

Os principais riscos incluem:

  • Infecção.
  • Sangramento.
  • Rigidez.
  • Dor residual.
  • Lesão de nervos superficiais próximos aos portais.
  • Trombose venosa profunda.
  • Complicações relacionadas à anestesia.

Em algumas situações, a artroscopia pode não resolver tudo. Isso acontece quando o problema principal está fora da articulação, quando há artrose avançada, quando a lesão é mais extensa do que o esperado ou quando a reabilitação não é seguida.

Nesses cenários, pode ser necessária outra abordagem, inclusive cirurgia aberta, dependendo do diagnóstico.

Recuperação e pós-operatório

A recuperação da artroscopia do tornozelo muda conforme o que foi feito. Alguns pacientes caminham com proteção em poucos dias, já outros precisam de imobilização, restrição de carga e um plano de fisioterapia mais longo.

A regra é simples: o tornozelo melhora quando o tratamento dentro da articulação é bom e a reabilitação é levada a sério.

Cuidados comuns nas primeiras semanas:

  1. Manter o pé elevado para reduzir inchaço;
  2. Usar gelo conforme orientação médica;
  3. Manter curativos limpos e secos;
  4. Usar analgésicos e anti-inflamatórios apenas com prescrição;
  5. Seguir a orientação sobre apoiar ou não o peso no pé;
  6. Iniciar fisioterapia no tempo certo, focando mobilidade, força e propriocepção.

Fique atento a sinais de alerta: febre, secreção na ferida, dor que piora em vez de melhorar, vermelhidão intensa, panturrilha muito dolorida ou inchada, falta de ar.

Esses sinais exigem contato imediato com a equipe responsável.

FAQs

Artroscopia do tornozelo dói muito depois?

Geralmente a dor é controlável e tende a ser menor do que em cirurgias abertas, mas varia conforme o que foi tratado e o perfil do paciente.

Quanto tempo demora para voltar a caminhar?

Depende do procedimento. Em casos simples, o apoio pode ser liberado mais cedo. Em reparos de cartilagem, a restrição costuma ser maior.

A artroscopia do tornozelo serve para entorse repetida?

Pode ajudar quando há lesões intra-articulares associadas. A instabilidade ligamentar pode exigir outras técnicas, com ou sem artroscopia.

Quais exames costumam ser pedidos antes?

Radiografia é comum para avaliar ossos e esporões. Ressonância costuma ajudar a mapear cartilagem, ligamentos e lesões osteocondrais.

Existe risco de trombose após a cirurgia?

Existe, como em outras cirurgias. O risco depende do tempo de imobilização, histórico do paciente e medidas preventivas indicadas pelo médico.

Quando dá para voltar ao esporte?

O retorno ao esporte é progressivo e varia conforme a lesão tratada e o desempenho na fisioterapia. Forçar o retorno cedo aumenta o risco de piora.

Dr. Bruno Air Machado da Silva

Ortopedista especialista em Pé e Tornozelo em Goiânia. Graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (2009-2011), com especialização em Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Universidade Federal de Goiás e estágio no Massachussets General Hospital, Harvard University (2017).

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo