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Fratura transtrocanteriana: causas, cirurgia e recuperação

Saiba o que é, sintomas e como tratar a fratura transtrocanteriana.

A fratura transtrocanteriana acontece na parte de cima do fêmur, bem na área dos trocânteres.

Esse trecho do osso é ponto de apoio para músculos importantes, o que explica por que a lesão mexe tanto com a força e com o movimento do quadril.

Nos idosos, é uma fratura bem comum, muitas vezes surge depois de uma queda simples dentro de casa.

Já em pessoas mais jovens, o cenário costuma ser diferente. O problema aparece mais em traumas de alta energia, como colisões de carro, moto ou quedas de altura, com impacto grande sobre o quadril e a coxa.

Nessa fratura, o tempo conta. Um atendimento rápido, com avaliação cuidadosa e definição do plano de tratamento, influencia direto na segurança do paciente, no alívio da dor e no quanto ele consegue recuperar função depois.

O que é fratura transtrocanteriana

O fêmur é o maior e mais resistente osso do corpo. O fêmur se conecta ao quadril pela cabeça femoral, que articula com o acetábulo.

Abaixo do colo ficam duas saliências: trocânter maior (lateral) e trocânter menor (mais interno e posterior).

A fratura transtrocanteriana ocorre entre esses pontos e pode ser estável ou instável, conforme o traço e a fragmentação, o que influencia o tratamento.

Essa diferença de padrão importa porque define o quanto a fratura “segura” a carga e a tendência de perda de alinhamento.

Fraturas instáveis exigem maior atenção na escolha do implante e no controle pós-operatório para reduzir o risco de falha de fixação e deformidades residuais.

Como a fratura acontece

Nos idosos, o mecanismo típico é a queda da própria altura, com impacto direto na lateral do quadril.

A presença de osteoporose e perda de massa muscular aumenta a chance de fratura mesmo com traumas menores.

Em adultos jovens, quando ocorre, costuma estar ligada a acidentes de trânsito, esportes de contato com trauma relevante, quedas de grandes alturas e situações de alta energia.

Fatores ambientais também pesam: pisos escorregadios, tapetes soltos, iluminação inadequada, degraus sem apoio e calçados instáveis.

Em pessoas com tontura, alterações neurológicas ou uso de sedativos, o risco de queda sobe e merece uma abordagem conjunta com o médico assistente.

Quem tem mais risco

A fratura transtrocanteriana é mais comum em mulheres após a menopausa, por queda de densidade mineral óssea.

A incidência cresce com o avanço da idade, com maior frequência em faixas etárias acima de 65 anos. Confira outros fatores de risco:

  • Osteoporose e fragilidade óssea.
  • Histórico de quedas e fraturas anteriores.
  • Sarcopenia (perda de massa e força muscular).
  • Uso de medicamentos que aumentam a sonolência ou alteram o equilíbrio.
  • Alterações visuais e ambientais no domicílio.

Sintomas mais comuns

O quadro costuma ser evidente. A dor é intensa na região do quadril e da coxa e piora com qualquer tentativa de movimento.

A pessoa geralmente não consegue ficar em pé nem apoiar o peso na perna afetada. A fratura pode causar inchaço e hematoma, com deformidade visível.

É comum a perna ficar mais curta e o pé apontar para fora, por rotação externa.

Em idosos, a dor costuma vir junto com queda do estado geral. Medo, confusão e desidratação aparecem com mais facilidade, ainda mais quando já existem outras doenças associadas.

Esse é um motivo para priorizar atendimento rápido e avaliação global.

Diagnóstico e exames

O diagnóstico começa pela história do trauma e pelo exame físico. A confirmação é feita, na maioria das vezes, com radiografia do quadril e do fêmur.

Quando a radiografia não esclarece bem o traço da fratura, ou quando o cirurgião precisa de mais detalhe para planejar o caso, a tomografia costuma ser solicitada.

A ressonância pode entrar em situações pontuais, principalmente quando existe suspeita de fratura oculta ou necessidade de avaliar estruturas associadas.

No preparo, também entram exames de sangue e avaliação clínica, com foco especial em idosos.

Tratamento

Na maior parte dos casos, o tratamento é cirúrgico.

A meta é estabilizar a fratura para a pessoa sentar e iniciar a mobilização o quanto antes, evitando os problemas do tempo prolongado na cama e acelerando a recuperação.

A técnica de fixação varia conforme o desenho da fratura, a resistência do osso e o quadro clínico de cada paciente.

  • Parafuso deslizante de quadril (DHS): opção clássica em padrões mais estáveis, permitindo compressão no foco de fratura.
  • Haste intramedular: frequentemente indicada em fraturas instáveis e em padrões com maior risco de colapso, por oferecer boa biomecânica.
  • Placas e parafusos: podem ser utilizados conforme a anatomia e necessidade técnica, sempre considerando a estabilidade.

Tratamento conservador

O tratamento não cirúrgico é reservado para situações específicas, geralmente quando o risco cirúrgico é muito alto, ou em pacientes acamados previamente, com limitações graves ou demência avançada, nos quais a decisão precisa ser individualizada.

Mesmo nesses casos, exige cuidados rigorosos para prevenção de complicações respiratórias, trombose, desidratação e lesões de pele.

Reabilitação e tempo de recuperação

Após a cirurgia, a conduta costuma priorizar mobilização precoce, com fisioterapia e orientação de carga conforme dor, estabilidade da fixação e recomendação médica.

Em muitos pacientes, iniciar sentar, ficar em pé com auxílio e caminhar com andador ou muletas ocorre ainda na internação, quando a condição clínica permite.

O tempo de retorno às atividades varia. Em geral, a recuperação funcional pode levar de 6 meses a 1 ano, com diferenças importantes conforme a idade, comorbidades, qualidade do osso, padrão de fratura e adesão à reabilitação.

A meta prática é retomar a autonomia com segurança, reduzir risco de novas quedas e tratar a fragilidade óssea para evitar recorrência.

Possíveis complicações

Como toda fratura e procedimento cirúrgico, existem riscos. O acompanhamento e a prevenção ativa são parte do tratamento, especialmente em idosos.

  • Infecção.
  • Trombose venosa profunda e embolia pulmonar.
  • Perda de fixação e falha do implante.
  • Pseudartrose (consolidação inadequada).
  • Deformidade residual e dor persistente.
  • Complicações clínicas do imobilismo em casos sem cirurgia.

Como prevenir novas fraturas

A prevenção é parte central do cuidado, principalmente após a primeira fratura. Tratar osteoporose, melhorar a força e equilíbrio e reduzir riscos domiciliares diminui a chance de novas quedas e fraturas.

  1. Avaliação e tratamento da osteoporose e vitamina D.
  2. Fortalecimento muscular e treino de equilíbrio com fisioterapia.
  3. Revisão de medicamentos que aumentem risco de queda.
  4. Adaptação do ambiente: barras de apoio, iluminação, retirar tapetes soltos.
  5. Acompanhamento regular com ortopedista.

Caso você apresente algum dos fatores de risco, manter um acompanhamento periódico em um centro de ortopedia referência é o melhor caminho, sobretudo para reduzir complicações mais graves.

FAQs

Fratura transtrocanteriana sempre precisa de cirurgia?

Na maioria dos casos, sim. A cirurgia estabiliza a fratura e permite mobilização precoce. O tratamento sem cirurgia costuma ser reservado a situações de alto risco cirúrgico ou limitações clínicas graves.

Quanto tempo demora para voltar a andar?

Muitos pacientes iniciam treino de marcha com apoio ainda na internação, quando clinicamente estáveis. A evolução depende do tipo de fratura, do implante e do estado geral, com melhora progressiva ao longo de semanas e meses.

O risco é maior em idosos?

Sim. A fragilidade óssea, as comorbidades e o risco de complicações do imobilismo tornam essa fratura especialmente grave no idoso, exigindo abordagem rápida e multidisciplinar.

Quais exames confirmam a fratura?

A radiografia costuma confirmar. Tomografia pode ser solicitada para detalhar o padrão de fratura e auxiliar no planejamento cirúrgico em casos específicos.

Como reduzir o risco de uma nova fratura?

Tratando osteoporose, ajustando vitamina D quando indicado, fortalecendo musculatura com fisioterapia e reduzindo riscos de queda no ambiente. O acompanhamento em clínica de ortopedia especializada ajuda a integrar prevenção e reabilitação.

Dr. Tiago Bernardes

Especialista em cirurgia do quadril em Goiânia, CRM/GO 12345 e RQE 6789. Graduação em Medicina (ESCS/DF), residência em Ortopedia e Traumatologia (HC/UFG) e especialização em Cirurgia do Quadril (HGG). Membro da SBOT e SBQ. Preceptor no HUGOL e CRER, staff de Cirurgia do Quadril no COE.

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