Joelho

Exercícios para quem tem artrose no joelho: guia prático

Exercícios seguros para quem tem artrose no joelho, para aliviar a dor, fortalecer a musculatura e preservar a articulação.

Exercícios para quem tem artrose no joelho são uma das formas mais eficazes de reduzir a dor, rigidez e sensação de instabilidade ao longo do tempo.

Quando o joelho fica mais forte, ele recebe melhor as cargas do dia a dia, como levantar, sentar e caminhar.

A ideia não é forçar a articulação, e sim treinar com baixo impacto, controle do movimento e progressão lenta.

Com consistência, o corpo tende a responder com mais mobilidade e confiança para se movimentar.

Antes de começar: regra da dor e sinais de alerta

Antes de aumentar carga ou velocidade, foque em técnica e alinhamento.

Em geral, mantenha o joelho apontando para a mesma direção do segundo dedo do pé e use uma cadência mais lenta para ter controle.

Use estas referências simples para guiar o treino:

Se você está voltando a treinar depois de uma crise de dor, comece com menos repetições e aumente aos poucos, semana a semana.

Aquecimento rápido (5 minutos) para preparar o joelho

Um aquecimento curto reduz a rigidez e melhora o controle. Mantenha tudo em amplitude confortável e sem pressa.

  • Marcha no lugar por 1 minuto, subindo pouco o joelho.
  • Sentar e levantar parcial (meia amplitude) por 1 minuto, com apoio se precisar.
  • Mobilidade do tornozelo (levar o joelho para frente sem tirar o calcanhar do chão) por 1 minuto.
  • Extensão leve do joelho sentado (sem peso) por 1 minuto, alternando as pernas.
  • Caminhada leve ou pedal bem leve por 1 minuto.

Exercícios para quem tem artrose no joelho

Fortalecer coxa, quadril e panturrilha ajuda a distribuir melhor a carga e reduzir o estresse no joelho. Em geral, faça treino de força 2 a 3 vezes por semana, em dias alternados, com descanso entre sessões.

A seguir, um circuito simples e seguro para começar. Escolha uma intensidade que permita terminar as séries com controle, sem “roubar” o movimento.

1) Ponte de glúteos no chão

  • Deite de barriga para cima, joelhos dobrados e pés no chão.
  • Contraia abdômen e glúteos, eleve o quadril até alinhar ombros, quadril e joelhos.
  • Pause no topo e desça devagar.
  • 3 séries de 10 a 15 repetições.
  • Progresso: segurar 5 a 10 segundos no topo ou usar mini faixa acima dos joelhos.

2) Concha lateral

  • Deite de lado, joelhos semiflexionados e pés juntos.
  • Abra o joelho de cima sem girar o quadril e volte com controle, como se o quadril ficasse “travado” no lugar.
  • 3 séries de 12 a 15 repetições por lado.
  • Progresso: mini faixa acima dos joelhos.

3) Extensão de joelho sentada

  • Sente em uma cadeira com a coluna ereta.
  • Estenda o joelho até perto do total, segure 2 segundos e retorne lentamente, sem “chutar” a perna.
  • 3 séries de 10 a 15 repetições por perna.
  • Progresso: caneleira leve ou elástico, mantendo o mesmo controle.

4) Levanta e senta controlado

  • Sente em uma cadeira com os pés abaixo dos joelhos.
  • Levante sem impulso dos braços e desça em 3 segundos, encostando no assento sem “despencar”.
  • 3 séries de 8 a 12 repetições.
  • Progresso: cadeira um pouco mais baixa ou segurar um peso leve junto ao peito.

5) Elevação de panturrilha na ponta dos pés

  • Em pé, segure no encosto de uma cadeira.
  • Suba devagar, pare 1 segundo e desça em 3 segundos, sem deixar o corpo “cair” no final.
  • 3 séries de 12 a 20 repetições.
  • Progresso: fazer unilateral, um pé de cada vez, com apoio firme.

6) Adução com bola entre os joelhos

  • Deite ou sente, coloque uma bola macia ou travesseiro entre os joelhos.
  • Aperte sem dor aguda e relaxe com controle.
  • Isometria: 5 repetições de 20 segundos.
  • Dinâmico: 3 séries de 15 a 20 apertos controlados.

7) Passada curta com apoio

  • Dê um passo curto à frente e desça pouco, mantendo o tronco estável.
  • Use apoio para equilíbrio e foque em controle, não em profundidade.
  • 2 a 3 séries de 8 a 10 repetições por lado.
  • Progresso: aumentar a amplitude só se estiver confortável e sem dor aguda.

8) Extensão de quadril em pé (perna para trás)

  • Apoie as mãos no encosto da cadeira.
  • Com o joelho estendido, leve a perna para trás, como se “empurrasse o chão” com o calcanhar, ativando o glúteo.
  • 3 séries de 12 a 15 repetições por lado.
  • Progresso: mini faixa nos tornozelos, mantendo a postura estável.

Cardio de baixo impacto para melhorar função e rigidez

Atividade aeróbica ajuda na rigidez, no condicionamento e na tolerância ao movimento.

A bicicleta ergométrica é uma escolha comum por ser de baixo impacto, desde que o banco esteja ajustado para não travar o joelho no fim do giro.

Um ponto prático é começar mais leve e aumentar o tempo primeiro, antes de aumentar a intensidade:

  • 20 a 30 minutos, 3 a 5 vezes por semana.
  • Se estiver muito parado, comece com 5 a 10 minutos e some 2 a 5 minutos a cada poucos dias.
  • Alternativas: elíptico, hidroginástica, natação e caminhada em terreno plano, com tênis adequado.

Como adaptar o treino nos dias de mais dor

Em vez de parar tudo, muitas vezes dá para ajustar. A regra é manter movimento de qualidade, dentro de uma dor tolerável, e observar como o joelho reage nas próximas 24 horas.

Se a dor passar de 3/10 durante a sessão, ajuste assim:

  • Diminua a amplitude do movimento.
  • Reduza repetições e aumente o descanso.
  • Troque por uma variação mais estável, como cadeira mais alta no “levanta e senta”.
  • Prefira isometrias curtas, quando o movimento irrita mais do que a contração.

O que evitar e como ajustar

Alguns estímulos tendem a piorar os sintomas quando o joelho está sensível, principalmente se você ainda não tem força e controle suficientes.

  • Saltos e corridas intensas em fase dolorosa.
  • Agachamentos muito profundos sem preparo.
  • Usar escadas como treino principal quando há inchaço.

Isso não significa que essas atividades sejam proibidas para sempre. Em geral, elas entram como progressão, quando dor e função estiverem mais estáveis.

Quando procurar avaliação

Procure um time de ortopedistas com abordagem integrada se houver sinais de que o joelho precisa de um olhar mais individual.

Isso é importante para ajustar carga, técnica e, quando necessário, investigar outras causas de dor.

Sinais comuns para buscar avaliação:

Perguntas frequentes

Quem tem artrose no joelho pode fazer musculação?

Pode, e com frequência é uma boa estratégia quando bem orientada. O foco deve ser controle, cargas leves a moderadas e progressão lenta, priorizando quadríceps, glúteos e panturrilhas. Máquinas podem ajudar no alinhamento, e elásticos facilitam ajustes. Evite amplitudes muito profundas no começo e aumente carga só quando a execução estiver firme e o joelho não piorar nas 24 horas seguintes.

Bicicleta ergométrica é boa para artrose no joelho?

Em geral, sim, porque é uma atividade de baixo impacto e com movimento repetido, o que costuma ajudar na rigidez. Ajuste o selim para manter uma leve flexão do joelho no fim do ciclo e evite “pedalar travado”. Comece com baixa resistência e cadência confortável. Se surgir dor na frente do joelho, reduza carga, verifique altura do banco e diminua o tempo por alguns dias.

Quantas vezes por semana fazer exercícios para quem tem artrose no joelho?

Uma rotina comum combina força e aeróbico. Para força, comece com 2 a 3 dias na semana em dias não consecutivos, para dar tempo de recuperação muscular. Para cardio, 3 a 5 dias, com intensidade leve a moderada. Se o joelho estiver mais sensível, reduza volume e mantenha constância. O ganho costuma vir de semanas de regularidade, não de treinos “pesados” isolados.

Posso agachar se tenho artrose no joelho?

Na maioria dos casos, sim, desde que seja uma versão adaptada e sem dor aguda. Comece com o “levanta e senta” em cadeira mais alta, mantendo joelhos alinhados e descida lenta. Depois, progrida para um agachamento parcial com apoio, aumentando a profundidade aos poucos, conforme tolerância. Se houver dor forte na frente do joelho, reduza amplitude e priorize fortalecimento de quadril e panturrilha por algumas semanas.

Exercício substitui remédio para dor?

Exercício costuma reduzir sintomas e melhorar função, mas não substitui automaticamente decisões médicas. Em alguns momentos, medicação pode ser necessária para controlar dor e permitir que você se mova melhor, e isso deve ser discutido com o médico. Pense no treino como um pilar de longo prazo: ele melhora força, resistência e confiança no movimento. Quando o plano está bem ajustado, a tendência é depender menos de “soluções imediatas”.

Quando parar o treino e buscar ajuda?

Pare e procure orientação se a dor subir muito durante a sessão, se aparecer inchaço que cresce rapidamente, calor intenso, travamento ou falseio repetido. Outro sinal é piora clara e persistente nas 24 a 48 horas seguintes, mesmo depois de reduzir carga e amplitude. Nesses casos, vale avaliar técnica, selecionar exercícios mais estáveis e verificar se existe alguma lesão associada, além da própria artrose.

Dr. Ulbiramar Correia

Especialista em ortopedia de joelho, CRM/GO 11552, SBOT 12166 e RQE 7240. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ), Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma Esportivo (SBRATE) e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

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