Ombro e Cotovelo

Sinovite acromioclavicular: causas, sintomas e tratamento

Entenda os sintomas e tratamentos da sinovite acromioclavicular, uma inflamação na articulação do ombro que causa dor localizada e dificuldade de movimento.

Sinovite acromioclavicular é a inflamação da membrana sinovial da pequena articulação entre a clavícula e o acrômio, no alto do ombro.

O tecido fica reativo e produz mais líquido, deixando a região sensível e inchada.

A dor costuma surgir ao levantar o braço, alcançar prateleiras, apoiar peso com o braço estendido ou cruzá-lo sobre o peito. É comum ponto doloroso bem na “junta AC” e incômodo para dormir de lado.

Entender o que desencadeia o quadro e como cuidar acelera a recuperação e reduz recidivas.

O que é sinovite acromioclavicular

A articulação acromioclavicular (AC) atua como um “pivô” para movimentos finos do ombro.

Quando sua membrana sinovial inflama, surge um quadro de dor localizado na parte superior do ombro, sensível ao toque.

Em muitos casos, a sinovite AC aparece associada à sobrecarga mecânica, microtraumas repetitivos e fases iniciais de artrose acromioclavicular.

Principais causas

  • Sobrecarga e microtrauma repetitivo: musculação com volumes altos, cross training, nado, tênis, vôlei e trabalhos manuais acima da cabeça.
  • Trauma direto no ombro: quedas sobre o ombro, colisões esportivas.
  • Degeneração articular: desgaste da superfície articular AC com o passar do tempo.
  • Desequilíbrios musculares e postura: escápula instável, encurtamentos de peitoral e fraqueza do manguito rotador.
  • Doenças inflamatórias sistêmicas: menos comum, mas possível.

Sintomas mais comuns

  • Dor pontual no topo do ombro, pior ao elevar o braço ou ao cruzar o braço sobre o tórax.
  • Sensibilidade à palpação sobre a articulação AC.
  • Inchaço discreto ou sensação de “pressão” local.
  • Estalos indolores podem aparecer, mas dor com estalo indica irritação ativa.
  • Desconforto para dormir de lado sobre o ombro afetado.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é clínico, com história detalhada e exame físico. Testes provocativos (como o cross-body adduction) costumam reproduzir os sintomas.

Ultrassonografia e ressonância magnética ajudam quando é preciso confirmar inflamação, afastar lesões do manguito ou avaliar sinais de artrose AC.

Radiografias podem mostrar osteófitos e redução do espaço articular em casos crônicos.

Tratamento conservador: o que funciona

Em grande parte dos pacientes, o cuidado é não cirúrgico e envolve:

  • Ajuste de carga: reduzir volume e intensidade de treinos que exigem elevação acima de 90°.
  • Analgésicos e anti-inflamatórios prescritos por médico, por tempo limitado.
  • Gelo local por 10–15 minutos, 2–3 vezes ao dia, nos primeiros dias de dor mais intensa.
  • Fisioterapia personalizada, com foco em restauração da mobilidade da escápula e do torácico e fortalecimento do manguito rotador e estabilizadores escapulares.
  • Infiltração guiada por ultrassom (corticosteroide/ anestésico) em casos selecionados para reduzir a inflamação da sinóvia e desbloquear a reabilitação.

Quando considerar cirurgia

A indicação é rara e reservada a dor persistente, falha de tratamento conservador bem executado e artrose AC avançada.

O procedimento mais comum é a ressecção distal da clavícula (artroscópica), que remove poucos milímetros do osso para ampliar o espaço e reduzir o conflito.

Exercícios úteis na fase de recuperação

  • Deslizamentos de parede com foco em controle escapular.
  • Elevação lateral parcial abaixo de 90°, progredindo conforme dor permite.
  • Fortalecimento isométrico do manguito (rotação interna/externa) com elástico.
  • Mobilidade torácica (cat-camel, extensões sobre rolo).

Orientação profissional é essencial para ajustar volume, amplitude e cadência.

Prevenção e retorno ao esporte

  • Progrida a carga semanal com regra dos 10–15% e mantenha dias de recuperação.
  • Aqueça com mobilidade da escápula e ativação do manguito por 5–8 minutos.
  • Varie os planos de movimento nos treinos de empurrar/puxar.
  • Ajuste a técnica de supino, desenvolvimento e arremessos para evitar elevações sustentadas acima de 90° enquanto houver dor.
  • Cuide da postura ao computador: anteversão de ombro prolongada piora a irritação AC.

Sinais de alerta

  • Dor noturna que não cede com medidas iniciais.
  • Perda de força evidente ou sensação de instabilidade pós-trauma.
  • Aumento rápido do inchaço e calor local (investigar infecção ou sinovite secundária).

Na presença desses sinais, procure avaliação médica.

Quando procurar um especialista

  • Dor que limita atividades rotineiras por mais de 7–10 dias.
  • Dúvida diagnóstica entre sinovite AC, tendinopatia do manguito e dor cervical referida.
  • Recaídas frequentes ao retomar treinos.

Uma avaliação com ortopedista e fisioterapeuta ajuda a personalizar o plano e reduzir o risco de cronificação.

Se precisar de orientação, agende uma avaliação no COE Ortopedia Goiânia e dê o primeiro passo para voltar às suas rotinas com segurança.

Dr. Thiago Barbosa Caixeta

Especialista em cirurgia minimamente invasiva de ombro e cotovelo em Goiânia, CRM/GO 1329, SBOT e RQE 8070. Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC), Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE) e Sociedade Latinoamericana de Artroscopia e Reconstrução Articular Traumato Desportiva (SLARD).

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo