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Bursite Da Pata De Ganso: Tudo O Que Você Precisa Saber!

A bursite da pata de ganso causa dor na parte interna do joelho. Conheça os tratamentos para aliviar a inflamação e retomar suas atividades.

A bursite da pata de ganso é uma inflamação de uma bursa na parte interna do joelho. Ela costuma causar dor ao caminhar, subir escadas ou levantar da cadeira.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, melhora com medidas simples e fisioterapia. O mais importante é identificar o que irritou a região para evitar que o problema volte.

O que é a bursite da pata de ganso

Uma bursa é uma pequena bolsa com líquido que funciona como amortecedor. Ela ajuda tendões e músculos a deslizarem melhor sobre o osso, com menos atrito.

Na bursite anserina, a bursa inflama e pode produzir líquido em excesso. Com isso, a região fica sensível, dolorida e, às vezes, levemente inchada.

Onde fica a “pata de ganso” e por que dói

“Pata de ganso” é o nome dado ao ponto onde três tendões se juntam e se prendem na tíbia (osso da perna), na parte interna do joelho. Esses tendões vêm de músculos da coxa e da perna.

A bursa dessa área fica entre os tendões e o osso. Quando há sobrecarga, atrito ou tensão (por exemplo, com isquiotibiais encurtados), ela pode irritar e inflamar.

Onde a dor pode aparecer:

Principais sintomas

Os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas os mais comuns são:

  • Dor na parte interna do joelho, que aparece aos poucos.
  • Dor que piora ao subir e descer escadas.
  • Sensibilidade ao apertar a região dolorida.
  • Desconforto ao agachar, correr ou caminhar por muito tempo.
  • Leve inchaço.

Em geral, a dor melhora com repouso relativo e piora quando você insiste na atividade que irritou o local.

Causas e fatores de risco

A bursite da pata de ganso costuma ser causada por sobrecarga e movimento repetitivo. Às vezes, ela vem junto com irritação dos tendões da região.

Fatores que aumentam o risco:

  • Corrida, futebol, tênis e atividades com repetição de flexão do joelho.
  • Aumento rápido de volume de treino, muita ladeira ou falta de alongamento.
  • Isquiotibiais encurtados (músculos posteriores da coxa).
  • Excesso de peso.
  • Artrose do joelho.
  • Alterações de alinhamento (como joelho valgo) e mudanças na pisada.
  • Lesão prévia no joelho, incluindo ligamento colateral medial (LCM).
  • Em algumas pessoas, condições como diabetes podem estar associadas.

Mais raramente, bursas podem inflamar por infecção, mudando a conduta e exigindo avaliação médica de ortopedistas com especialização em joelho.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é feito, principalmente, com conversa clínica e exame físico. O profissional geralmente palpa a região dolorida e avalia os movimentos que provocam a dor.

Como outras lesões podem parecer bursite, no centro de ortopedia dedicado à investigação clínica, exames de imagem podem ser usados para tirar a dúvida:

  • Raio X, para afastar fratura por estresse ou outros problemas ósseos.
  • Ultrassom, para ver bursa e partes moles.
  • Ressonância, quando há suspeita de outra lesão (como menisco) ou dor persistente.

Se houver sinais de infecção, o profissional pode considerar aspirar o líquido para análise.

Tratamento

O tratamento depende da intensidade da dor, do tempo de sintomas e da causa da sobrecarga. Em muitos casos, é possível melhorar sem procedimentos invasivos.

O que você pode fazer em casa nos primeiros dias

  • Reduza ou pause a atividade que provoca dor (repouso relativo).
  • Use gelo por 15 a 20 minutos, algumas vezes ao dia, com proteção na pele.
  • Eleve a perna quando houver inchaço ou sensação de peso.
  • Uma compressão leve (joelheira elástica) pode ajudar em alguns casos.
  • Analgésicos ou anti-inflamatórios podem ser usados por curto período, mas o ideal é seguir orientação profissional, especialmente se você tem outras condições de saúde.

Fisioterapia e reabilitação

A fisioterapia é um dos pilares do tratamento. O objetivo não é só tirar a dor, mas corrigir a causa que irritou a região.

O que normalmente entra no plano:

  • Alongamento gradual de isquiotibiais e adutores, quando indicado.
  • Fortalecimento de quadríceps, glúteos e estabilizadores do quadril.
  • Treino de controle de movimento (agachar, descer escada, correr).
  • Ajustes de carga e retorno progressivo ao esporte.

Exemplos de exercícios que podem ser indicados (com orientação):

  • Alongamento de posterior de coxa, sem forçar dor.
  • Fortalecimento de glúteo médio (controle do quadril).
  • Fortalecimento de quadríceps com amplitude confortável.
  • Mobilidade de tornozelo e quadril, quando há rigidez.
  • Educação de treino (volume, descanso e técnica).

Evite copiar treinos da internet sem avaliação. Um programa bem ajustado costuma acelerar a melhora.

Ajustes de biomecânica, calçado e rotina

Se a bursite apareceu por sobrecarga, é comum precisar ajustar detalhes do dia a dia:

  • Rever calçado e, em alguns casos, avaliar as palmilhas.
  • Evitar por um tempo agachamentos profundos, corrida em ladeira e impacto repetido.
  • Alternar atividades (bicicleta ou natação podem ajudar, se não houver dor).
  • Melhorar o aquecimento e progressão de treino.

Infiltração, aspiração e cirurgia

Em casos com dor persistente, o médico pode discutir infiltração com corticoide na bursa. Ela pode aliviar rápido, mas não substitui reabilitação, e não deve ser repetida sem critério.

Se houver suspeita de infecção, a abordagem muda. Pode ser necessário aspirar líquido e tratar com antibióticos.

A cirurgia de joelho é rara e é considerada apenas quando o quadro não melhora com medidas conservadoras ou quando há problemas associados.

Quanto tempo demora para melhorar

Em quadros leves, muitas pessoas melhoram em semanas, especialmente quando reduzem a carga e iniciam reabilitação cedo. Quando a dor já vem de meses, a recuperação pode levar mais tempo.

O retorno ao esporte costuma ser gradual. O melhor sinal é conseguir subir escadas, agachar e caminhar sem dor no dia seguinte.

Prevenção

Algumas ações simples ajudam a reduzir a chance de a bursite voltar:

  • Aumente o treino aos poucos, sem “pular etapas”.
  • Faça aquecimento e mobilidade antes de atividades de impacto.
  • Trabalhe força de glúteos, quadríceps e posterior de coxa.
  • Controle o peso, se isso for um fator no seu caso.
  • Evite repetir por muito tempo o mesmo movimento que causa dor.
  • Procure avaliação se a dor persistir por mais de 1 a 2 semanas.

Quando procurar atendimento médico

Procure avaliação médica se:

  • A dor é forte e impede você de apoiar o peso.
  • Há piora rápida, inchaço importante ou calor local intenso.
  • Surgem febre, mal-estar ou vermelhidão marcada.
  • Você teve trauma direto no joelho.
  • A dor não melhora com repouso relativo e ajustes após alguns dias.

Esses sinais ajudam a afastar outras causas e a identificar situações que precisam de cuidado mais rápido.

Perguntas frequentes

Bursite da pata de ganso é a mesma coisa que lesão do menisco?

Não. A dor pode ser parecida, mas não é a mesma coisa. A bursite costuma doer mais abaixo da linha da articulação, na parte interna do joelho. Lesões do menisco geralmente doem mais “dentro” do joelho e podem ter travamento, estalos ou sensação de bloqueio. Às vezes, só o exame físico e alguns testes ajudam a diferenciar.

Posso continuar correndo com bursite da pata de ganso?

Depende. Se correr piora a dor durante e no dia seguinte, o ideal é reduzir a carga e trocar por atividade com menos impacto por um tempo. Voltar cedo demais costuma prolongar a inflamação. O retorno à corrida é mais seguro quando você já consegue caminhar, subir escadas e fazer exercícios de força sem dor.

Gelo ou calor ajuda mais?

Em fases mais irritadas, o gelo costuma ajudar a aliviar dor e sensação de calor local. O calor pode ser útil quando há muita rigidez, mas não costuma ser a primeira escolha se a região está inflamada. O mais importante é combinar a medida com ajuste de carga e reabilitação, em vez de depender só disso.

Infiltração com corticoide é perigosa?

Quando bem indicada e aplicada com técnica adequada, pode ser uma opção para dor persistente. O cuidado é não usar como “atalho” para voltar ao impacto sem reabilitar. Repetir infiltrações sem critério pode irritar tecidos e não resolve a causa da sobrecarga. Por isso, a decisão deve ser individual, com avaliação do risco e do benefício.

A bursite pode ser causada por infecção?

Pode, mas é mais raro. Quando há infecção, costumam aparecer sinais como vermelhidão importante, calor local intenso, dor forte, piora rápida e, às vezes, febre. Nesses casos, é importante buscar atendimento. O tratamento muda e pode incluir aspiração para exame e antibióticos, conforme orientação profissional.

Por que dói mais ao subir escadas ou levantar da cadeira?

Esses movimentos aumentam a carga sobre o joelho e exigem mais controle dos músculos da coxa e do quadril. Se há fraqueza, encurtamento muscular ou alinhamento desfavorável, a região da pata de ganso pode sofrer mais atrito e tensão. É por isso que fortalecer e melhorar o controle do movimento costuma fazer tanta diferença.

Dr. Ulbiramar Correia

Especialista em ortopedia de joelho, CRM/GO 11552, SBOT 12166 e RQE 7240. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ), Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma Esportivo (SBRATE) e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

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