Cirurgia

Meniscectomia: quando fazer e como é a cirurgia

Entenda quando a cirurgia de meniscectomia é indicada, como é feita e como é a recuperação.

Na meniscectomia, o ortopedista entra no joelho através de pequenas incisões e remove só o trecho do menisco que está rasgado.

Com o menisco regularizado, o joelho costuma destravar, a dor reduz e o paciente volta a caminhar, trabalhar e fazer esporte com mais confiança.

Em algumas lesões, o tratamento conservador dá conta.

Quando isso não acontece e o menisco segue causando sintomas importantes, a meniscectomia entra como opção a ser discutida com o especialista em joelho.

O que é meniscectomia

Na meniscectomia, o cirurgião vai direto ao rasgo e retira só o pedaço do menisco que não tem mais como aproveitar.

Quase sempre o procedimento é feito por vídeo, com dois ou três pequenos furinhos no joelho.

Meniscectomia parcial x meniscectomia total

Hoje, o objetivo é guardar o máximo de menisco possível. Por isso, a preferência é pela meniscectomia parcial, que remove só a área lesionada e mantém o restante saudável ajudando a proteger a cartilagem.

A meniscectomia total, em que todo o menisco é retirado, fica para situações pontuais, quando a estrutura está muito destruída e não existe chance real de preservar um segmento que funcione.

Quando a cirurgia é necessária

Grande parte das lesões de menisco melhora com tratamento conservador, que inclui medicações, fisioterapia, mudanças de atividade e perda de peso quando indicado.

A meniscectomia costuma ser considerada quando a lesão passa a limitar o dia a dia de forma importante.

Algumas situações que costumam levar à indicação cirúrgica:

  • Dor persistente no joelho, que não melhora com repouso, fisioterapia e uso de medicamentos;
  • Episódios de travamento, em que o joelho “agarra” e o movimento fica bloqueado;
  • Sensação de estalo interno acompanhada de dor aguda ao girar o joelho;
  • Lesão que solta fragmentos de menisco dentro da articulação, criando corpos livres;
  • Rupturas grandes ou em formato de “alça de balde”, comuns em traumas esportivos;
  • Lesões associadas a outros problemas do joelho, como instabilidade ligamentar.

Na hora de propor a cirurgia, o ortopedista não olha só a ressonância. Idade, nível de atividade, tipo de trabalho, desejo de voltar ao esporte e o estado da cartilagem do joelho entram juntos nessa conta.

Como é feita a cirurgia

Na maior parte das vezes, a meniscectomia é feita por artroscopia, com anestesia regional ou geral, definida em conjunto pela equipe e pelo paciente.

O cirurgião realiza pequenos cortes, em torno de 1 cm, por onde introduz a câmera e os instrumentos. A imagem aparece em um monitor, o que permite localizar o rasgo e retirar apenas o trecho do menisco comprometido.

O tempo de cirurgia costuma variar entre meia hora e uma hora, dependendo do tipo de ruptura, da existência de outras lesões no joelho e da necessidade de associar sutura de menisco ou tratamento de áreas de cartilagem.

O que o cirurgião avalia durante o procedimento

Durante o procedimento, o ortopedista inspeciona toda a articulação do joelho. São avaliados meniscos, cartilagem articular, ligamentos cruzados e estruturas sinoviais.

Em alguns casos, a lesão permite sutura de menisco em vez de ressecção, o que pode mudar a estratégia durante o próprio ato cirúrgico.

Recuperação

A recuperação costuma ser mais rápida que em cirurgias abertas, justamente pela técnica artroscópica e pelo foco em retirar apenas o fragmento lesionado.

Mesmo assim, seguir as orientações no pós-operatório é fundamental para um bom resultado.

Primeiros dias depois da cirurgia

Nos primeiros dias, é comum algum grau de dor e inchaço no joelho. Gelo local, elevação da perna, medicações prescritas e uso de muletas ajudam a controlar os sintomas.

Em meniscectomia simples, muitos pacientes conseguem apoiar o pé no chão já nas primeiras 24 a 48 horas, respeitando o limite de dor.

Papel da fisioterapia

A fisioterapia começa cedo, muitas vezes ainda na primeira semana. O foco inicial é reduzir dor e inchaço, recuperar a mobilidade do joelho e ativar a musculatura, em especial o quadríceps.

Depois, os exercícios passam a trabalhar força, equilíbrio e gestos funcionais, preparando o retorno ao trabalho e ao esporte.

Retorno ao trabalho e à atividade física

Em atividades de escritório, o retorno muitas vezes acontece entre uma e duas semanas, conforme a evolução.

Quem trabalha carregando peso ou em função mais pesada precisa de um afastamento maior, ajustado caso a caso.

No esporte, a volta para correr, saltar ou jogar leva em conta a cicatrização, o ganho de força e a segurança ao apoiar o joelho operado.

Em boa parte dos pacientes, o impacto só é liberado entre a quarta e a oitava semana, com aval do ortopedista e do fisioterapeuta.

Riscos e cuidados a longo prazo

A meniscectomia é considerada um procedimento seguro na maioria dos casos, mas não fica livre de risco. Podem surgir infecção, trombose, rigidez no joelho ou manutenção de dor e inchaço.

Contar com uma equipe acostumada a esse tipo de cirurgia e seguir direitinho as orientações antes e depois do procedimento ajuda a reduzir a chance dessas complicações.

No longo prazo, o principal ponto de atenção é o desgaste da cartilagem do joelho.

A retirada de parte do menisco diminui a capacidade de amortecimento da articulação e pode facilitar o desenvolvimento de artrose em alguns pacientes, principalmente quando já existe dano prévio da cartilagem ou sobrepeso importante.

Para proteger o joelho após a meniscectomia, medidas simples fazem diferença, como:

  • Controle do peso.
  • Fortalecimento regular da musculatura.
  • Ajuste de treinos esportivos.
  • Uso de calçados adequados.
  • Acompanhamento contínuo em uma clínica ortopédica.

Quando procurar um especialista em joelho

Dores repetidas no joelho, sensação de travamento, estalos dolorosos e inchaço frequente são sinais de alerta.

Nessas situações, a avaliação com ortopedista especialista em joelho permite identificar se a lesão de menisco pode ser tratada sem cirurgia ou se a meniscectomia é a melhor alternativa.

FAQs

Meniscectomia é sempre necessária em lesão de menisco?

Não. Muitas lesões de menisco cicatrizam ou estabilizam com tratamento conservador, que combina fisioterapia, ajustes de atividade e medicações. A meniscectomia entra em cena quando a dor, o travamento ou a perda de função se mantêm, mesmo com essas medidas, e passam a limitar o dia a dia.

Quanto tempo dura uma cirurgia de meniscectomia?

A maior parte das meniscectomias artroscópicas dura entre 30 e 60 minutos. Esse tempo pode aumentar um pouco quando existem outras lesões associadas no joelho, como problemas de cartilagem ou necessidade de sutura de menisco no mesmo procedimento.

Quando posso andar sem muletas após meniscectomia?

Em uma meniscectomia simples, muitos pacientes começam a apoiar o pé logo nos primeiros dias e abandonam as muletas em uma ou duas semanas, conforme o controle da dor, o equilíbrio e a força muscular. A liberação deve ser definida pelo ortopedista e pelo fisioterapeuta caso a caso.

Meniscectomia aumenta o risco de artrose no joelho?

A retirada de parte do menisco reduz a área de amortecimento entre fêmur e tíbia. Isso pode favorecer desgaste da cartilagem em alguns pacientes, principalmente quando há retirada extensa, sobrepeso ou outras alterações do joelho. Por esse motivo, o foco atual é realizar meniscectomia parcial e preservar o máximo de tecido possível.

Depois da meniscectomia posso voltar a esportes de impacto?

Na maior parte dos casos, o retorno a corridas e esportes de impacto é possível, desde que o joelho esteja sem dor, com boa mobilidade e força muscular adequada. O tempo até essa liberação costuma variar de 4 a 8 semanas, mas pode ser maior em casos com lesões associadas ou desgaste avançado.

Dr. Ulbiramar Correia

Especialista em ortopedia de joelho, CRM/GO 11552, SBOT 12166 e RQE 7240. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ), Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma Esportivo (SBRATE) e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

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