Quadril

Necrose avascular do quadril: sintomas, causas e diagnóstico

Guia claro sobre necrose avascular do quadril: sintomas, causas, diagnóstico, tratamentos e prevenção.

A necrose avascular do quadril é a morte de áreas do osso por falta de suprimento sanguíneo. Sem cuidado no tempo certo, a dor tende a piorar, o movimento fica cada vez mais limitado e a cabeça do fêmur pode colapsar.

Aqui você encontra os sinais de alerta, as causas mais comuns, os exames que esclarecem o diagnóstico e as opções de tratamento — do conservador à cirurgia.

O que é necrose avascular do quadril

A necrose avascular do quadril ocorre quando pequenos vasos deixam de nutrir a cabeça do fêmur.

Sem oxigênio e nutrientes, o tecido ósseo enfraquece, surgem microfraturas e a superfície pode perder a esfericidade. O resultado costuma ser dor na virilha, rigidez e piora funcional.

Sinais e sintomas mais comuns

Nos estágios iniciais, alguns pacientes não sentem nada. Com a progressão, a dor aparece ao apoiar o peso e pode atingir virilha, coxa ou nádega.

Com o tempo, o incômodo surge até no repouso, sendo frequente a redução da amplitude de movimento, sobretudo a rotação interna e flexão, com rigidez ao levantar da cadeira e ao subir escadas.

Vale mencionar que metade dos casos pode acometer os dois quadris.

Causas e mecanismos

O gatilho é a redução do fluxo de sangue na cabeça do fêmur, que pode ocorrer pelos seguintes motivos:

  • Após trauma do quadril, como fratura do colo do fêmur e luxação.
  • Microtrombos.
  • Infiltração gordurosa dentro dos vasos.
  • Lesão dos vasos causada por radiação.

Em parte dos pacientes a causa permanece indeterminada.

Fatores de risco

Determinados fatores elevam o risco, como:

  • Uso prolongado de corticoides em doses altas.
  • Consumo crônico de álcool.
  • Anemia falciforme.
  • Lúpus.
  • Doença de Gaucher.
  • HIV.
  • Dislipidemia.
  • Tabagismo.
  • Tratamentos oncológicos com radioterapia.

Após traumas do quadril, a chance também aumenta, e pessoas entre 30 e 50 anos concentram boa parte dos diagnósticos.

Como é feito o diagnóstico

O exame físico avalia dor à carga e limitação de movimento. A radiografia pode parecer normal no início, por isso, a ressonância magnética é o método mais sensível para detectar a necrose avascular do quadril em fase precoce.

Em estágios avançados, o raio X mostra esclerose, cistos, perda da esfericidade e colapso, e a tomografia auxilia no planejamento cirúrgico quando há deformidade.

Tratamentos possíveis

O objetivo é aliviar a dor, preservar a forma da cabeça femoral e manter a função. A decisão considera estágio, tamanho da lesão, idade e nível de atividade.

Medidas conservadoras

  • Redução temporária de carga com muletas.
  • Ajuste de atividades.
  • Controle do colesterol.
  • Suspensão de álcool e tabaco.
  • Revisão criteriosa do uso de corticoides.
  • Analgésicos e fisioterapia dirigida para mobilidade e fortalecimento de glúteos e core podem reduzir sintomas, sobretudo nos estágios iniciais e nas lesões pequenas.

Descompressão do núcleo

Indicada quando a cabeça mantém a esfericidade. Com brocas finas remove-se o osso necrótico para baixar a pressão intraóssea e estimular a revascularização.

Frequentemente associa-se enxerto ósseo, incluindo técnicas com concentrado de medula óssea preparado no próprio centro cirúrgico. O paciente evita apoiar o membro por cerca de seis semanas.

Enxertos estruturais

Em defeitos maiores podem ser usados enxertos para sustentar a cúpula e tentar preservar a cabeça.

Osteotomias

Em casos selecionados reposicionam a área saudável para a zona de carga, estratégia pouco comum e dependente de critérios anatômicos específicos.

Prótese total de quadril

Quando há colapso e dor persistente, a artroplastia substitui as superfícies danificadas por componentes protéticos, com alívio consistente da dor e retorno das atividades do dia a dia após reabilitação.

Reabilitação e retorno às atividades

Após a descompressão, o protocolo comum inclui descarga parcial por seis semanas, mobilidade precoce sem dor, fortalecimento progressivo e retorno gradual à marcha.

No caso de prótese, o paciente caminha com auxílio no dia seguinte, progride em fisioterapia por dois a três meses e evita saltos e impactos intensos. O foco é recuperar a força, o equilíbrio e padrão de marcha.

Prevenção e cuidados contínuos

Controlar o consumo de álcool, parar de fumar, manter colesterol sob metas, tratar doenças de base e usar corticoides apenas quando indispensável reduz o risco.

Em tratamentos oncológicos, seguir o plano proposto e monitorar sintomas do quadril ajuda na detecção precoce.

Quando procurar atendimento

Dor na virilha que piora ao caminhar, rigidez matinal que não passa, estalos dolorosos e dificuldade para calçar sapatos são sinais de alerta.

Quem usa corticoide em dose alta, consome álcool com regularidade ou tem anemia falciforme deve procurar avaliação se notar qualquer mudança no quadril.

No COE Ortopedia Goiânia, você conta com um time de especialistas para fornecer um diagnóstico preciso e um tratamento com base nas condições de cada paciente.

FAQs

Necrose avascular do quadril tem cura?

Nos estágios iniciais é possível controlar a dor e preservar a cabeça do fêmur com descompressão e enxerto. Em colapso avançado a solução definitiva costuma ser a prótese total do quadril, que resolve a dor e recupera a função.

Como diferenciar necrose avascular de artrose no quadril?

A dor pode ser parecida, porém a ressonância identifica áreas necróticas típicas na cabeça femoral. Na artrose predominam estreitamento do espaço articular e osteófitos. O estadiamento guia o tratamento adequado em cada caso.

Corticoide sempre causa necrose avascular do quadril?

Não. O risco sobe com doses altas e uso prolongado. Cada caso deve ser avaliado, buscando a menor dose eficaz e o menor tempo de exposição, com controle de fatores como colesterol e tabagismo.

Quanto tempo leva a recuperação após descompressão?

Em geral seis semanas sem apoiar totalmente, depois progressão da carga e fisioterapia por algumas semanas. O retorno às atividades varia conforme o tamanho da lesão e a resposta individual.

Prótese de quadril dura quanto tempo?

As próteses modernas apresentam altas taxas de sobrevida ao longo dos anos. Cuidados com peso, fortalecimento e revisões periódicas ajudam a manter o bom desempenho por longos períodos.

Dr. Tiago Bernardes

Especialista em cirurgia do quadril em Goiânia, CRM/GO 12345 e RQE 6789. Graduação em Medicina (ESCS/DF), residência em Ortopedia e Traumatologia (HC/UFG) e especialização em Cirurgia do Quadril (HGG). Membro da SBOT e SBQ. Preceptor no HUGOL e CRER, staff de Cirurgia do Quadril no COE.

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